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O cinema, os gibis e depois os hippies

Lembro com nostalgia da troca de gibis na frente dos cinemas. Tínhamos na década de 60 e parte dos anos 70 o Cine Itajaí, o Cine Luz e o Cine Rex, poucos mas o suficiente para tornar os nossos domingos mais emocionantes. Eram tantas revistinhas em quadrinhos que um amigo me ajudava a carregar.

Chegávamos uma hora antes do filme começar, trocávamos gibis, vendíamos, levantávamos algum dinheiro para a matiné e ainda sobrava algum para uma saborosa bananinha com choco leite numa pequena pastelaria na rua Hercílio Luz, não me recordo o nome. Lembro-me bem é do Samuara e do Cristal Lanches, pontos de encontro da juventude da época. E depois, já adolescente, do badalado Seares Bar, na rua Lauro Müller.

Devo ter assistido à maioria dos filmes de faroeste, que quando demoravam a começar ou algum corte era feito, todos batiam os pés no chão e assobiavam, fazendo uma grande algazarra. Extravasávamos!!

E esta cena: o bandido montado no cavalo, revólver em punho. No chão o mocinho caído com um tiro de raspão no braço e, ao lado dele, um saco de moedas espalhadas. O bandido, com sua peculiar cara de mau grita, apontando a arma ao mocinho: – pegue as moedas! Clima de tensão na sala do cinema, público em silêncio total, olhos pregados na tela e, de repente, lá do fundo escuro da sala vem o berro estridente: -nããããão!! Riso geral. Foi realmente hilariante. Sempre havia os engraçadinhos e suas tiradas que animavam o público.

Corta! Ação! Como esquecer do lendário O Dólar Furado, com o ator italiano Giuliano Gemma, ícone dos westerns spaghetti e que ficou famoso por seu papel de Ringo. Velhos e bons tempos. Foram nestas três salas de exibição que assisti aos grandes clássicos: Ben Hur, Spartacus, El Cid, A Queda do Império Romano, E o Vento Levou, Os Dez Mandamentos, Noviça rebelde, Guerra e Paz e tantos outros. Antológicos!

Mas eu era fanático mesmo por quadrinhos. Tinha todos, desde os de Walt Disney e Maurício de Sousa até Superman, Batman, Fantasma, Homem de Ferro, Hulk, Flash Gordon, Luluzinha, Bolinha, Bolota, Popeye, Zé Carioca, Riquinho, Tarzan, Homem Aranha, Capitão América, Capitão Marvel, Zorro. Enfim, eram tantos os títulos que fica difícil relacionar assim, de cabeça.

Aliás, a minha referência para uma boa gramática começou com a leitura dos gibis. Eram sempre muito bem escritos e gramaticalmente impecáveis. Transformaram-se no estímulo primeiro para me enveredar na leitura dos grandes mestres da literatura. Alguns anos durou essa deliciosa febre do troca-troca de gibis na frente dos cinemas.

Depois, mais crescidinhos, a adolescência nos reservou uma outra mania não menos divertida: as chamadas festinhas americanas e a moda das calças Lee, cobiçadas ao ponto de serem roubadas dos varais daqueles mais incautos. Eram a vestimenta indispensável dos anos rebeldes e da geração hippie.

O movimento hippie apareceu disposto a oferecer uma visão de mundo inovadora e distante dos vigentes ditames da sociedade capitalista. Em sua maioria jovens, os hippies se entregavam a uma vida regada por sons, drogas alucinógenas e a busca por outros padrões de comportamento. Ao longo do tempo, ficariam conhecidos como a geração “paz e amor”. Mas aí já começaria uma outra e fantástica história!

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