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Balneário Camboriú

Viajar é o mais fascinante aprendizado

É isso mesmo, quanto mais viajar, melhor. Ver coisas novas, outras culturas, outros povos, enfim. Em breve devo traçar um roteiro de viagens, mas agora com conforto. Aos 23 anos de idade botei uma mochila nas costas e saí pelo mundo em busca de luz, aventura e conhecimento. Transcorria o ano de 1981.

A primeira carona foi com um caminhão do então empresário Cídio Sandri, do Hipermercado Vitória, que me levou de Itajaí (SC) até São Paulo. De lá cheguei em Brasília, onde fiquei no apartamento do hoje deputado federal Décio Lima, que na época era chefe de gabinete do então deputado catarinense Luiz Antônio Cechinel.

Atravessei a rodovia Transamazônica e outros caminhos que me levaram até Belém do Pará e depois, três dias de barco até Macapá. Foi na capital do Amapá que completei 24 anos de idade. Em seguida, mais três dias de barco até o Oiapoque, última cidade ao norte do Brasil. Foram os três dias mais longos da minha vida.

A embarcação era daquelas com redes estendidas no convés, cachorro, papagaio… que de vez em quando afunda e morre sempre muita gente devido à superlotação. Uma tempestade de quase 12 horas se abateu sobre nós, deixando todos em pânico. Vi a morte bem próxima. Mas chegamos sãos e salvos ao Oiapoque.

Entrei na Guiana Francesa, dirigindo-me à capital Cayenne; segui para Paramaribo, na Guiana Holandesa, onde fui parar no meio de um golpe militar, com tanques de guerra transitando nas ruas e toque de recolher às 10 da noite. Procurei abrigo no cais e, pura sorte!, encontrei ancorado um barco de Laguna. Foi onde passei a noite. Ufa!!

Depois rumei para Georgetown, na Guiana Inglesa, onde acabei conhecendo o cônsul brasileiro naquele país e, depois de longa conversa sobre o Brasil, música, política, futebol, saí do consulado em um baita carrão, com motorista, whisky, charutos, ar-condicionado. Enfim, conforto absoluto.

Seguimos direto para a mansão que abrigava o cônsul, ao invés de, como de costume, armar minha barraca em algum local aparentemente seguro. Fiquei 12 dias como hóspede do cônsul e conheci vários brasileiros que estavam trabalhando em Georgetown como professores de história e de português.

A intenção era subir pela América Central. Mas não obtive autorização para entrar na Venezuela em função de litígios na fronteira com brasileiros que lá estavam explorando madeira e voltei para o Brasil, em Boa Vista, capital de Roraima, de onde segui para Rondônia. Da capital Porto Velho fui de ônibus para Guajará-Mirim, num percurso de aproximadamente 330 quilômetros.

A estrada acompanha a extinta e epopeica ferrovia Madeira-Mamoré, no meio da selva amazônica, apelidada de Ferrovia do Diabo. O motivo? Durante a execução da obra, milhares de pessoas que nela trabalhavam morreram por terem contraído doenças tropicais ou atacadas por animais como cobras, aranhas e onças.

De Guajará-Mirim, atravessei a fronteira e entrei na Bolívia, onde já naquela época peguei um moto-táxi para a cidade de Cochabamba. No Brasil, ou pelo menos em SC e na maioria dos estados, ainda nem existiam moto-táxis.

Subi a Cordilheira dos Andes até La Paz. Continuando, fui para Lima, no Peru. De lá decidi retornar, atravessei o deserto do Atacama e cheguei a Santiago do Chile, onde permaneci um mês na casa da família de um estudante de arquitetura na Universidad del Chile.

Ainda havia vestígios da ditadura Pinochet, com bombas explodindo vez ou outra aqui, ali e acolá, disseminando o medo nas ruas da bela capital. Uma dessas bombas, inclusive, explodiu perto de mim. Mas continuo vivo, como podem ver. De Santiago segui para o sul até a paradisíaca Terra do Fogo, onde muita neve debruçando-se sobre as folhas avermelhadas das árvores formavam uma paisagem indescritível!

Entrei na Argentina na altura de Bariloche, cidade turística com estações de esqui, mas muito cara. Como caroneiro era difícil, e para seguir em frente tive que pegar um ônibus até Buenos Aires. Cheguei à capital dos ‘hermanos’ ao amanhecer, curtindo no rádio do ônibus um tango de Gardel. Uma chegada bem apropriada, não acham?

Na Argentina fiquei quase um mês também, na casa de um outro amigo que conheci durante a viagem. Conhece-se muita gente que viaja o mundo. Um deles estava na estrada há mais de 10 anos e já havia passado por quase 100 países. A minha viagem durou pouco menos de seis meses.

Tem muita aventura aí no meio, muitas histórias interessantes, nada inconfessável posso garantir. E fiz tudo com mil dólares. Dormindo em praças, saguão de aeroporto, terminal de trem, na casa de pessoas que conhecia no caminhar, um pouco de carona, um pouco de ônibus, até de avião sobrevoei a Cordilheira dos Andes. Incrível a paisagem que se descortina das alturas!

A Cordilheira possui aproximadamente oito mil quilômetros de extensão. É a maior cadeia de montanhas do mundo (em comprimento), e em seus trechos mais largos chega a 160 quilômetros. Sua altitude média gira em torno de quatro mil metros e seu ponto culminante é o Monte Aconcágua, na Argentina, com quase sete mil metros de altitude.

Sem sombra de dúvida foi uma aventura e tanto, uma grande lição de vida e de sobrevivência! Histórias que vivi e que marcariam para sempre a minha existência.

Nas próximas edições do JP 3, entre uma crônica e outra, vou contar um pouco dessa grande aventura.

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