Numa das viagens para a Europa, estando em Amsterdam, fomos passar o dia em Haia, especialmente para ver a nossa queridinha, A Moça do Brinco de Pérola, considerada obra prima do holandês Johannes Vermeer. Está no Museu Mauritshuis é muitas vezes referida como a “Mona Lisa” holandesa. Uma pintura tão delicada e intimista que não parece datar do século XVII, quando a pintura era principalmente narrativa mitológica, de grandes feitos de guerra ou cenas religiosas.
Nesta obra, cuja modelo não foi identificada, talvez sua filha, Maria ou Madeleine a filha de seu patrono, ou segundo historiadores, uma tronei – um gênero de arte holandês que mostrava um personagem sem identificação.
A jovem tem um turbante azul na cabeça iluminado pela luz evidenciando seus olhos e principalmente o brinco pendente da orelha, que na realidade não é pérola, mas, assim ficou conhecido. A beleza suave, delicada da pintura nos enleva e emociona.
Vermeer pintou momentos do cotidiano das mulheres, como “A Leiteira” e a “Moça lendo uma Carta” e ainda, “A Mulher Segurando uma Balança”, mostrando a introspecção, o devaneio, a paz, a nobreza enquanto em tarefas domésticas. Vermeer foi um mestre da luz, como se vê, destas obras em que uma luminosidade vem de uma janela, podendo significar intimamente o desejo de liberdade feminina, de sair do isolamento social numa época em que a Holanda estava em guerras ou instabilidades, os homens fora de casa, e as mulheres recolhidas no lar.
O artista foi redescoberto no florescimento do impressionismo e do realismo francês, em meados do século XIX, identificado em sua obra a estética dos artistas que estavam emergindo, como Edouard Manet. Em algumas características, Johannes Vermeer foi predecessor do impressionismo, ao eleger a cor como elemento abstrato para mostrar a realidade.
Vermeer, apesar do protestantismo da sua pátria, era um católico convicto, mantinha forte conexão com os jesuítas. Suas obras trazem símbolos que mostram a sua fé religiosa, como “A Alegoria da Fé”. O artista teve 7 filhas e segundo alguns, pintava os quadros como um tipo de orientação para as filhas. Apesar de símbolos sutis, sugerindo paixão e luxúria, no todo mostra a respeitabilidade das mulheres.
O filme, A Moça do Brinco de Pérola, conta um pouco da vida do autor, que pintou apenas 37 telas, não foi reconhecido em sua época e morreu na miséria aos 43 anos.
Em 2023 houve uma mostra retrospectiva de 28 de seus trabalhos no Rijks Museum, em Amsterdam, deve ter sido fantástica.


