O mote que deflagrou o movimento artístico Dadá, (1916-1933) foi a angústia e a raiva de um grupo de artistas ante os horrores da Primeira Guerra, que julgavam irracional. Se não havia senso na guerra a arte também estava legitimada a ser ilógica e anárquica – o non sense foi a definição do que começou em Zurique, com o Manifesto Dadaísta, para representar o absurdo do mundo, o pessimismo, a ironia. O nome, Dadá refere ao balbucio do bebê: “gugu dadá”.
Hugo Ball, artista alemão refugiado na Suíça criou Cabaré Voltaire, bar frequentado por artistas, onde foi lido publicamente o Manifesto. Local de grande atividade artística, no qual o romeno Tristan Tzara e mais outros amigos criaram o movimento, promovendo a si mesmos como delinquentes juvenis da arte. Eram contra tudo: contra a sociedade, contra o sistema, contra a religião e acima de tudo contra a arte. Os adultos haviam estragado o mundo em que viviam, e eles, embriagados por uma mistura de niilismo e medo, insultavam o mundo em atos aleatórios.
O dadaísmo foi a base da arte conceitual. Destruição de todos os pilares que constituíam a arte. Vale tudo e não está mais atrelada à pintura. O que importa é a ideia e não a obra em si. É mais importante o artista do que sua obra. Transgressora, plantou as sementes do surrealismo, da pop arte, inspirou o punk e a geração beat.
Hans Arp, ingressou no movimento e fez sua primeira obra dadaísta com papier collé, referenciado em Picasso e Braque que já usavam a técnica, incluindo materiais vagabundos na sua arte. Jogava papel picado sobre a tela e depois colava conforme caiam. O alemão Kurt Schwitters, introduzido na filosofia dadaísta produziu colagens, conhecidas pela técnica de assemblages, feitas de pedaços de refugos catados no lixo e nos entulhos, o que funcionava como uma metáfora para um mundo destruído que pensava não poder mais ser reconstruído.
Não há que se falar em Dadá sem alumiar Marcel Duchamp, o predecessor, que fez o movimento inverso, saiu da França e foi para Nova York. Tido como o criador da arte conceitual, com suas ready-mades, objetos que de acordo com o decreto do artista se tornavam objetos de arte. Entre outras, a Fonte é sua mais famosa, tratando-se de um urinol, virado para baixo, dando a impressão de uma fonte, 1915, tornando-se o símbolo do dadá. A qualidade dos ready-mades de Duchamps reside na sua concepção intelectual que leva o expectador a compreensão da obra.
O dadaísmo propagou-se pela Europa, notadamente Alemanha, e ainda hoje influencia muitos artistas.

