Edvard Munch – O grito

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Nascido na Noruega, em dez-1863, aos 5 anos perdeu a mãe e foi criado por uma tia. Aos 17 anos morre a irmã mais velha, Sofie. Essas perdas moldaram a intensidade da dor e da angústia que traduz a obra de Edvard Munch.

Do interior da Noruega foi estudar em Oslo e depois partiu para Paris onde viveu influência do neoimpressionismo, com Toulouse-Lautrec, Vincent Van Gogh e Paul Gauguin. Expôs em Paris junto com um grupo que se chamava Fauves (feras), por causa do colorido vibrante usado sem peias. Pintavam o céu de vermelho, a terra de azul. Usavam só cores primárias.

Munch foi um dos pioneiros do expressionismo comunicando sentimentos como: perdas, amor, ciúme, angústia, separação, dor, que expressava através das cores. No entanto, sua obra foi muito diversificada, usou xilogravura, água forte, litografia. Escreveu textos e poesias. Fazia várias versões da mesma obra.

Em Berlim suas obras foram rechaçadas, de início, mas depois foram reconhecidas pintor chegou a fazer fortuna. Residiu em Berlim muitos anos. Em Colonia, realizou exposição junto com, Van Gogh, Gauguin, Paul Cézanne e Pablo Picasso.

Suas séries mais emblemáticas:

-O Grito, a mais famosa e segundo relatos trata de uma experiência real do pintor. Em um dia de 1883, andava com dois amigos, ao entardecer, e teve uma crise de pânico quando subitamente o céu escureceu e ficou de uma cor vermelho sangue. Enquanto os amigos continuavam andando ele apoiou-se na mureta e tremendo, relatou que ouviu um “grito infinito”. Entrementes, O Grito, ficou famoso só em 1944, com morte do pintor e o fim da II Guerra, vez que, refletia a angústia, o medo, a ansiedade e o desespero existencial que as pessoas estavam sentindo.

– A Menina Doente, 1885/1886, alusão à morte de Sofie, sua irmã, capturando a sensação de impotência diante da morte.

– Melancolia, 1892, um homem em solidão sentado à beira da praia pintada em tons e movimentos que transmitem o peso emocional e a tristeza do personagem.

– A obra, Separação, 1896, para mim, é uma das mais dramáticas. Uma mulher vestida de branco que se distancia em direção ao mar e o homem apoiado numa arvore, imerso na dor do abandono.

Much, aos 34 anos, conheceu Tulla e logo se apaixonaram. Foram para a Itália, viveram um amor apaixonado. Rapidamente, o pintor percebeu que o romance era um entrave em seu trabalho. Ficaram dois anos indo e voltando em muitas brigas, até que se separam de modo um tanto dramático, ao puxar um revólver, Munch acabou atirando no próprio dedo, o que deu fim ao romance.

Edvard Munch pretendia mostrar que o ser humano em sua condição de mortal sofre dos mesmos sentimentos, seja de amor, ciúme, medo, abandono, dor pela perda de ente querido. Pensava que a pintura pudesse ajudar as pessoas a verem a beleza da vida, seja em seus eventos tristes ou belos. Escreveu a poesia, que na minha livre tradução do italiano diz: “Na minha arte tenho procurado esclarecer a mim mesmo, a vida e seu significado. A minha intenção é também de ajudar outros a terem clareza sobre a própria existência. Com muito afinco trabalhei para transmitir esse conteúdo. Quando minha obra foi exposta, percebi em si própria, uma ressonância criada”.

Na famosa exposição de 1902, em Berlim, O Friso da Vida, para melhor compreensão de suas obras, Munch as colocou em sequência dentro de um friso nas quatro paredes como uma faixa decorativa.

A obra de Munch, foi retirada de todos os museus da Europa, classificada como arte degenerada pelos nazistas. Ante a ocupação da Noruega o pintor doou o seu acervo à cidade do Oslo, onde hoje abriga o Museu Munch. Morreu de complicações devido à sífilis, doença que vitimou muitos jovens à época.

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