Minimalismo

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Minimalismo é uma tendência que surgiu em Nova Iorque e deu início à arte contemporânea, no fim dos anos 50 e início dos 60. Valoriza a simplicidade, a ordem e a essência das coisas. Seu discurso é objetivo, o expectador é compelido a se relacionar com o objeto físico diante de si pelas suas características, abstraindo o autor, sua intenção ou emoção. Demonstram a necessidade dos artistas minimalistas em introduzir a ordem e o controle do mundo, angústias próprias do homem pós-guerra.

A simplicidade das linhas geométricas, uso de cores neutras, uso de poucos recursos, valorização da estrutura física da obra, sem adornos, uso de materiais naturais como madeira, pedra, algodão, uso de elementos atemporais e duradouros, na decoração, por exemplo. Tem por princípios a simplicidade, valorização da ordem e tranquilidade, e a busca pela essência das coisas.

Os artistas, como Donald Judd (1928-94), precursores desta forma de arte queriam eliminar todas as evidências de si mesmos, qualquer traço de expressão pessoal da autoria, “o mundo é 90% acaso e acidente”, esse era o ponto, simplificar o trabalho para “eliminar o acaso”.

Frank Stella, outro pintor que iniciou como expressionista abstrato, foi um dos ícones do minimalismo, sua abordagem era pela simetria, “tornar a coisa toda igual”, erradicando a ilusão de suas pinturas.

Na escultura temos uma tendência forte minimalista, com obras num estilo reto, clean, como os pioneiros, escultor Carl André, e seus “144 quadrados de magnésio”; Dan Flavin (1933-96), com a obra,” Monumento para Tatlin”, e LeWitt (1928-2007).

O minimalismo influenciou a arquitetura, a moda, o design, “o que é menos é mais”, frase do arquiteto alemão Ludwig Mies, se consolidou como a estética de hoje no mundo global, impactando a criatividade em seus vários campos.

Para além do minimalismo na arte, existe o comportamento minimalista que é uma prática muitíssimo atual, e se traduz por fazer boas escolhas no sentido de consumir apenas o necessário, coisas que façam sentido, comprar com consciência optando por uma forma mais sustentável e leve de viver. Tomar consciência de que ter, não é sinônimo de felicidade. Na série Minimalismo de Baixa Renda, a blogueira Nathaly Dias, propõe: “Precisamos nos alimentar e vestir, mas precisamos ter mais consciência de quanto isso afeta nosso ecossistema”.

Essa postura minimalista, é um aprendizado vital para nossa própria sobrevivência, daí a sua grande importância nestes dias de pós-modernidade.

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