O TESOURO DE 1715

Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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O lendário tesouro perdido pela frota espanhola nas Américas em 1715 continua gerando descobertas e indagações. Naquele fatídico ano, 11 poderosos galeões haviam partido de Havana (Cuba) no dia 31 de julho com destino à Espanha. Em seus porões, uma riqueza incalculável de tesouros roubados da América. Parte dos galeões traziam riquezas da América do Sul, enquanto a outra parte da Mesoamérica.

Estima-se que ao menos 1.000 marinheiros tenham morrido afogados quando, na costa da Flórida (EUA), um violento furacão fez naufragar toda a frota, colocando a pique o tesouro. Nos dias que se seguiram a tragédia, muitos mercenários, piratas e caçadores de tesouros rumaram para o local resgatando parte deste imenso tesouro. Entre eles o pirata Henry Jennings, que comandaria uma equipe de piratas na ilha de New Providence. Mais tarde, o local do incidente ficaria conhecido como Costa do Tesouro.

No século XX e XXI, várias descobertas pontuais revelam o tamanho da catástrofe e o fato de ainda existirem inúmeras riquezas que, eventualmente, vem dar na praia após tempestades que remexem o fundo do mar. Em 1961, o caçador de tesouros Kip Wagner (1906-1972) obteve uma licença para exploração subaquática na região e fundou a empresa “Real Eight Company”, recuperando uma enorme quantia de riquezas da frota e impulsionando a criação de leilões de venda de moedas antigas. Outros exploradores famosos como Mel Fisher (1922-1998) da empresa “Mel Fisher’s Treasures” e Brent Brisben (1968-) da empresa “Fleet-Queens Jewels” resgataram enormes quantias, respectivamente na década de 1980 e no ano 2015, fundando museus dedicados às suas descobertas. Segundo a avaliação de historiadores navais, cerca de U$ 400 milhões em ouro, prata e joias foram perdidos nos naufrágios de 1715.

Agora, em 2025, o mergulhador Levin Shavers anuncia a descoberta de um lote de moedas de prata oriunda da frota de 1715 avaliada em R$ 5,3 milhões de Reais. Ao todo são 1.000 moedas, sendo cinco de ouro, além de artefatos também em ouro. O mergulhador Sal Guttuso, diretor da empresa “Fleet-Queens Jewels LLC” – que detém os direitos de exploração dos naufrágios – disse que “a descoberta não se trata apenas do tesouro em si, mas das histórias que ele conta […] encontrar 1.000 delas em uma única recuperação é raro e extraordinário”. 

O tesouro agora será limpo e preservado, até que o Tribunal Federal do Almirantado junto ao Tribunal Distrital dos EUA (Flórida) separe 20% que lhes é de direito, legando os restantes 80% à equipe de mergulhadores que resgatou o tesouro. Pesquisas preliminares indicam que boa parte das moedas de prata vieram da América do Sul, em especial Peru e Bolívia.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e editor da revista Gilgamesh. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a página: (https://www.revistagilgamesh.com.br)

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