Tempos atrás, trocar de celular era um evento. A gente ficava dias explorando as novidades, a câmera melhor, o botão diferente. Hoje, a gente troca e mal percebe, a mudança é tão sutil que a vida segue igual. Parece que perdemos a capacidade de nos surpreender com a tecnologia, ou talvez ela tenha ficado tão complexa que a surpresa vem de onde a gente menos espera.
Falo isso por causa da comoção que vi na internet entre ontem e hoje sobre o novo ChatGPT-5. O bigboss da OpenAI anunciou a novidade como se fosse a Estrela da Morte – vem o tombo-, chegando para mudar o universo. A expectativa era grande, o povo esperando uma revolução. E o que veio? Uma decepção quase unânime.
A principal queixa: o robô ficou mais seco, mais direto, agora é um robô de poucas ideias, curitibano. Perdeu aquela mania de “bajular”. Antes, ele era um assistente pessoal que só faltava oferecer um açaí no meio do expediente. Agora, ele vai direto ao ponto. E teve gente sofrendo de verdade com isso. Teve um usuário que lamentou a “perda” de seu amigo ChatGPT 4.o, como se uma pessoa real tivesse se mudado sem deixar endereço. Vai, é muito doido, e precisa ter um coração peludo pra não achar essa relação com a máquina no mínimo fascinante.
Mas aí fuçando pra entender o porquê da mudança, o buraco é mais embaixo. A explicação, ao que tudo indica, é algo chamado “roteamento de modelos”. A empresa criou três versões da inteligência artificial, uma potente, uma média e uma fraquinha, porque manter esse negócio funcionando é bem caro. O sistema, então, virou uma espécie de “hub inteligente”, que olha a pergunta e envia para o modelo mais barato que vai conseguir resolver. A ideia pra economia de servidor é boa, vai.
Acontece que próprio CEO admitiu que o “hub” estava bugado e mandando, senão tudo, quase tudo para a versão mais simples, daí a sensação de que o serviço piorou. Não é que seu amigo robô virou um antipático, é que ele só estava usando o cérebro mais econômico pra conversar com você. Quem nunca?
Eu mesmo, desconfiada, fui tirar a prova. Pedi uma ajuda para uma tarefa bem específica, de programação, e me surpreendi, ele gera landing pages e debuga códigos melhor que a versão antiga. Essa foi a sensação.
Essa história toda me fez pensar que a gente está tão acostumado com a tecnologia servindo a gente de bandeja que, quando ela muda um pouquinho o tom, a gente estranha, sente falta, quase como se fosse uma relação humana. Você tem medo de perder o teu IA amigão pra todas as horas?
Mas isso só nos lembra que por trás de cada tela e de cada resposta instantânea, existe uma complexidade – e um custo – que a gente nem imagina. E, às vezes, o problema não é o seu amigo que mudou, é só o hub que está com defeito. Acontece!

