Pensa numa colherada de realidade jogada na cara — foi o que Felca fez ao soltar seu vídeo “Adultização”. Nele, o youtuber denuncia crianças sendo empurradas, deliberadamente, para atuarem como adultas nas redes — dançando, seduzindo, até ganhando “likes” por isso. A mistura tóxica de pais ambiciosos, conteúdo sensacionalista e algoritmos famintos por cliques está produzindo, não crianças, mas mini‑adultos emocionalmente instáveis. Além de um prato cheio para pedófilia.
Felca não ficou só no moralismo; fez experimento ao criar uma conta do zero, “dar like” em vídeo sugestivo e ver – em minutos – seu feed inundado por conteúdo onde só havia crianças. E chamou esse monstrinho de “algoritmo P” — o mecanismo que, segundo ele, favorece material que promove a exploração infantil.
O barulho foi tanto que chegou ao plenário: pauta urgente na Câmara, promessa de projetos de lei — alguns já apelidaram de “Lei Felca” —, com parlamentares propondo criminalizar a sexualização infantil digital, bloquear algoritmos predatórios e responsabilizar plataformas e produtores de conteúdo.
Claro, sempre rola a pergunta: será que vídeo viral resolve algo de fato ou vira show de palanque? Mas, cá entre nós, se todos concordam — mesmo que por motivos diferentes — é sinal de que o bicho pegou. E se o monstro do algoritmo insiste em transformar a infância em “produto”, talvez seja hora de regular.
Seja por qual motivo for, a mensagem é clara — criança não é mini-adulto, e esse show precisa parar. E se plataformas não regularem, os parlamentares vão empurrar isso com projeto, PL e caneta — e com alto engajamento.

