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A Tramoia do entardecer

Em 1944 a linda atriz Ingrid Bergman, contracenou com Charles Boyer no filme Gaslight, traduzido para o português como ” À Meia-Luz”. Naquela trama o marido tenta enlouquecer sua mulher diminuindo e piscando as luzes (que eram movidas a gás) em sua casa, mas nega quando a esposa suspeita que seja ele quem está provocando.

Ela se sente sufocada nesse processo de distorção e maldade. E assim começa a se armar um atrito nas relações interpessoais.

Quando este contexto é palco para uma pessoa mudar as percepções do outro, para ganhar poder, ainda mais de maneira sistêmica, estabelece-se uma forma de abuso psicológico chamada gaslighting. Mais conhecida como uma forma de manipulação emocional em relacionamentos.

É uma maneira extremamente eficaz de ataque ao subconsciente do outro, que faz com que a vítima questione seus próprios sentimentos, instintos e sanidade.

Em um relacionamento tóxico, por exemplo, uma vez que um parceiro abusivo tenha prejudicado a capacidade da vítima de confiar em suas próprias percepções, é provável que ela permaneça na relação.

Os tempos estão difíceis para as mulheres, como havia escrito Maria Lacerda de Moura em 1932, em seu livro intitulado “Amai e…Não vos Multipliqueis”.

Foi uma mulher que afrontou, através de artigos ao jornal “O Combate”, a subserviência das mulheres, e que segundo ela, viviam em caixinhas, como esposa, prostituta ou solteirona.

Para amar seria necessário se libertar de amarras castradoras mesmo que custasse a perda de um casamento fecundo.

As caixas comportamentais estão à vista da sociedade e podem ser escolhidas pelo ato de apenas estender sua mão, pronta para absorver e concordar com o conteúdo. As técnicas de gaslighting podem incluir o questionamento da sanidade do outro, assumindo que a pessoa está “louca”; fingir a não compreensão do assunto ou reclamação; menosprezar ou desconsiderar os sentimentos do outro.

Isso pode ocorrer em relações amorosas, familiares, políticas, de trabalho e em outras instâncias.

Para superar esse tipo de abuso, é importante começar a reconhecer os sinais e, eventualmente, aprender a confiar em si mesmo.

Vidas secas, buscam águas que as completem, para encontrar um propósito em suas existências, e acabam por abusar de alguém mais frágil que segue em seu entorno.

O tempo tem seus remédios que por vezes curam dores, outras, apagam memórias. Talvez todos os dias, não sejam possíveis para deixar passar o tempo, mas sim usá-lo da melhor maneira, por isso não permite que um evento momentâneo te torne cego(a) novamente. 

Nosso viver pode ser diferente, com esperança renovada para seguir um caminho aberto rumo à concretude dos sonhos, que por vezes parecem que escureceram ao final do dia, mas a tramoia do entardecer se desfaz pela manhã, com a vinda de um novo sol.

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Raul Tartarotti
Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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