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LGBTQIA+


O papel da Justiça, em qualquer lugar do mundo, é avaliar as dores dos indivíduos e julgar, ao final de um processo, o clamor de um povo por uma causa justa e honesta aos direitos humanos.

Uma vitória após um julgamento sempre é carregada de emoção pelo vitorioso. Nos EUA a Vencedora foi Victoria Kolakowski, a primeira pessoa trans a ser eleita desembargadora no condado de Alameda, na Califórnia, em 2010, e que permanece nessa posição até hoje.

Ela gosta de ajudar as pessoas a se resolverem no tribunal, evita o debate, por vezes massacrante, dos advogados de cada lado.

Na política brasileira, também encontramos pessoas do grupo do bem, como o governador do Rio Grande do Sul, homoafetivo, muito bem sucedido na vida pessoal e profissional, e que dá pistas à seguirem os altos cargos políticos.

Há dois anos no futebol francês, as manifestações homofóbicas fizeram os árbitros paralisarem jogos. A ação repercutiu tanto pelo mundo que, dias depois, no Brasil, em 25 de agosto de 2019, uma partida entre Vasco e São Paulo foi interrompida devido às manifestações da torcida contra a sexualidade dos jogadores.

O treinador Vanderlei Luxemburgo se negou a jogar enquanto houvesse provocações homofóbicas por parte da torcida.

Em todas as profissões, espaços culturais, nas ruas, em nossa família, convivemos com frequência e muita qualidade com esses nossos pares, amados, afetivos, carentes como qualquer indivíduo desejoso de ser aceito. Com as mesmas dúvidas e sonhos a cruzar a rua se procurando.

O preconceito à comunidade LGBTQIA+, é tema inflado por conservadores de plantão, sem noção da realidade que nos cerca, e das verdades sobre os direitos de cada indivíduo, de ir e vir, dentro daquilo que podemos chamar livre arbítrio.

Em 28 de junho, foi comemorado o dia do orgulho gay, que baseou-se na dor, repressão, e ódio, empreendidos nesse mesmo dia em 1969, no bar Stonewall Inn, em Nova York.

E no Brasil, passaram 42 anos desse evento para que o STF reconhecesse e equiparasse as relações entre às pessoas do mesmo sexo, conferindo status equivalente ao de família. 

Essa sopa de letrinhas, que não para de crescer, é uma resposta às demandas de cada comunidade em busca de visibilidade, e também do convívio livre com seu nome social, sem que para isso sofra ataques violentos nas ruas.

Um pouco cansativo repetir todos anos um evento dolorido e marcante para as famílias, e os próprios nominados. Porém, nunca vencemos uma guerra sem imposição de palavras, e a força das ideias, em prol de suas causas, insistindo em suas crenças.

Os muros caem se empurrados ou martelados. Não se muda uma cultura do dia para a noite, é um processo, e creio que a luta deva continuar.

Cuidando em suportar por si a completa e absoluta responsabilidade de nossos atos, buscando a paz de viver, acompanhada do livre arbítrio em decidir pelos caminhos e pela pessoa amorosa que assim desejarmos.

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Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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