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Balneário Camboriú
Raul Tartarotti
Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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O vento sabe o meu nome

A Moral Filosófica dos Estoicos escrita em 1585 descreveu que nossas opiniões atormentam mais do que as coisas em si, e são formuladas pelas palavras que utilizamos quando algo surpreendente ocorre; pois, chamamos uma coisa pelo nome de outra, e a imaginamos como aquela outra coisa, permanecendo a ideia em nossas mentes.

O filósofo Montaigne confirmou essa reflexão escrevendo em 1580 sobre o poder da imaginação, contando a história de um senhor que recebeu amigos em sua casa e ofereceu uma saborosa torta de frango.

Alguns dias depois, de brincadeira, ele disse a todos que aquela era uma torta de gato, e por conta disso uma jovem ficou tão apavorada que desenvolveu um distúrbio estomacal, vindo a falecer.

Essa é uma típica consequência de um choque emocional provocado por um momento decisivo, que deixou uma sensação extremada na mente daquela jovem, que jamais conseguiu apagar de sua memória.

Sensações traumáticas de outras origens emocionais foram descritas pela escritora Isabel Allende de 81 anos, em seu livro “O vento sabe o meu nome”.

Com a narrativa centrada em personagens femininos frágeis e com dramas familiares, o romance descreve o sofrimento vivido por crianças durante a política migratória imposta pelo governo Trump, que separou milhares de filhos imigrantes de seus pais.

Isabel divide as páginas do livro com relatos do holocausto nazista e a história de Anita Díaz, salvadorenha, filha de mãe solteira e cega, que se viu sozinha por muitos anos, mas findou por cruzar com Samuel Adler, musicista, sobrevivente da noite dos Cristais ocorrida em Viena em 1938.

Ainda criança Samuel foi salvo pela operação Kinder-transport e levado da Alemanha para o Reino Unido. Mais tarde, já adulto, foi viver nos Estados Unidos onde encontrou Anita.

As duas histórias relatam os traumas e as profundas transformações daquelas crianças que viveram um real jantar desagradável durante anos de suas vidas, e se reconstruíram suportando a solidão, o isolamento do afeto da família, do amor e da segurança.

Talvez essas crianças nunca se recuperem dos traumas surgidos pela dolorida experiência de vida, mas por vezes, essa mesma vivência, faz com que se tornem fortes e resilientes.

 Por isso parece que o tempo sabe passar, o homem ainda não.

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