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Operação Mincemeat

Quanto podemos nos dedicar com sabedoria e perspicácia em nome de nossos entes queridos, amigos e dos que lutam pelo mesmo ideal social que trabalhamos de sol a sol?

E, pensando sobre isso, quando perdemos alguém que amamos, se vai muito do que fomos, aquilo tudo vivido em conjunto, outro tanto que ainda aquecia nosso viver, e por fim, metade de nós, fica a se mirar em um espelho envelhecido, que nos fez gente desde criança.

Nesse pensar pela sobrevivência, que pode ser de seus compatriotas, é que se deu o maior evento dissimulado da história contada em guerras. Foi um ato de amor ao próximo e a uma pátria, voltado para busca de proteção e manutenção do sangue nas veias de centenas de soldados, que por vezes foi derramado na luta por novas terras, ou exposição de poder dos que com astúcia e inteligência desfilaram no front sangrento.

Em 1943, as forças aliadas da Inglaterra se preparavam para uma grande invasão à ilha italiana da Sicília. Mas Hitler e seus homens eram uma iminente e imensa barreira contra essa empreitada, ele poderia matar milhares de ingleses caso enviasse suas tropas para o mesmo lugar.

Jovens de ambos os lados deixaram suas famílias e amores para trás em busca da vitória, que seria contemplada com uma medalha por bravura no front, ou homenagem póstuma em sua lápide.

Mas um plano que ganhou nome de “Operação Mincemeat”, traduzido para o português parece menos honroso “Carne Moída”, transformou a invasão à Sicilia, em uma vitória inglesa naquele front, com poucas perdas.

Às vezes a necessidade é a mãe da invenção, mas essa foi uma história que virou livro e filme, e mostrou que o plano foi colocar nos mares espanhóis, o cadáver de um sem-teto, que morreu do veneno de rato, para enganar a escória nazista, desviando suas atenções bélicas da Sicília para a Grécia.

Alguns documentos falsos e um plano de ataque às ilhas gregas, foram deixados junto ao soldado fictício, que chegou moribundo na costa espanhola, à espera de um anzol alemão.

O governo espanhol do Sr. Francisco Franco devia favores ao Führer assassino, e acabou por morder a isca humana, nesse caso, um cadáver morto 60 dias antes de ser jogado ao mar.

Aquele plano, executado por oficiais e sua equipe de estrategistas, transformou em final feliz, a história de muitos soldados que sobreviveram naquela batalha, aos quais foi ofertada a diferença entre morrer na praia da Sicília, ou voltar para os braços de sua amada pátria.

Um devaneio pensado a esmo pode nos levar ao nada, porém, envolto ao cobertor de uma boa alma, pode trazer um plano eficaz à sobrevivência e um deboche à morte, encarnada nos ombros de um doente general, armado com balas covardes.

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Raul Tartarotti
Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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