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Balneário Camboriú
Raul Tartarotti
Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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Ouse ser sábio

A solidão está no noticiário como uma dor social frequente, e acabou indo a público através da imprensa, que despertou atenção a esse problema de saúde nos EUA. 

O sr. Vivek Murthy, equivalente ao ministro da saúde americano, publicou recentemente um relatório de 82 páginas que chama atenção para esse tema. 

O documento intitula-se “Nossa epidemia de solidão e isolamento”, com o subtítulo “Os efeitos curativos da conexão social e da comunidade”. 

O que choca é saber que a falta frequente de conexão social, pode prejudicar a saúde física de forma tão perigosa quanto fumar 15 cigarros por dia. 

Quando a vida é vista pelo ângulo da juventude, parece um teatro de marionetes à distância. Mas quando vista pelo prisma do adulto, parece estar dentro do palco, com detalhes reais e desgastados. 

No entanto, as ligações sociais tornam mais leve o conviver com os pregos e parafusos, o óleo esparramado no chão, e as portas abertas sem tranca, que poderiam esconder a intimidade e nos proteger dos perigos.

No contexto das relações de trabalho, é onde o homem cria suas habilidades sociais e a capacidade de interagir, o que não conseguirá desenvolver trabalhando em home office. 

Desde 1990 o número de homens que relatam não ter amigos próximos saltou de 3% para 15% e suas redes sociais encolheram mais do que as das mulheres.

A raiz do problema é profunda e longa, mas atualmente deve-se em parte ao colapso dos “terceiros espaços” que costumavam sustentar as amizades. 

Os lugares como bares, academias, parques e igrejas, permitiam desenvolver amizades profundas porque não envolviam status, poder e competição, como em um ambiente de trabalho muitas vezes estressante. 

Na solidão do home office surgem pensamentos do tipo “porque certos absurdos acontecem somente comigo e não com os outros ao meu redor?” 

Este é o momento que devemos realizar um acordo com esse absurdo e encontrar paz e sentido em nossas vidas e passar a entender que mesmo um dia carregado de desafios seja compreendido como feliz.

Assim, devemos procurar novos laços em outros ambientes.

Como disse o pensador Michael Foucault, para que isso ocorra, é necessário ter um gesto de grande força para se separar do seu eu doentio, e não comprometer sua vida.

 Portanto “sapere aude” que significa “atreva-se a conhecer”, termo utilizado pelo filósofo Immanuel Kant, mas que também foi traduzido de uma forma vaga como “ouse ser sábio” e “tenha coragem de pensar por si mesmo.

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