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Balneário Camboriú

Química brilhante

De direitos e obrigações sociais estamos cercados até a ponta de nossas últimas raízes do cabelo, que por muitas vezes nos traem insistindo sumir muito cedo. Os direitos humanos descritos e apresentados à humanidade, lembram importantes temas aos farsantes que se apresentam como governantes ou líderes insolentes que impedem a circulação de povos.

É uma questão séria porque dói a quem sofre limitações à sua liberdade de existir e pensar com ideias próprias. 

A Arábia Saudita, historicamente um país longe de aplicar o que está escrito na declaração dos direitos humanos, até 2018 não permitia às mulheres dirigir nenhum tipo de veículo, e se alguma desafiasse o veto, poderia ser condenada a anos de prisão e receber multas além de chibatadas.

Porém, nesse mesmo país de milionários, as leis petrolíferas prosperam no poder e ironicamente a F1 corre pela primeira vez nas areias da cidade de Jeddah, que fica às margens do Mar Vermelho.

É mais um evento que aparentemente tem como objetivo encobrir os sérios abusos contra os direitos humanos naquele país.

Percebe-se uma dicotomia social metade clara e metade escura, no sentido omisso e não preconceituoso, como poderiam alguns com munição na mão sugerir aqui uma violência racial contra a maior parte da população brasileira.

O importante é propor um debate honesto sobre preconceitos cristalizados nas palavras, não deixando de ser uma tarefa cascuda, que me perdoe a tartaruga nesse hiato. Basicamente estamos condenados a caminhar num campo minado com textos sem fim, mas nossa língua está acostumada a uma bagunça organizada.

Como a linguagem pertence à todos, não faltam tentativas de controle, que se inutilizam pela própria manifestação do povo. O estudo sério sobre a etimologia das palavras, também não é um veredito da língua, mas é uma carta de grande valor.

Nesse país o verbo “denegrir” que tudo indica ser isento de conotações raciais, dificilmente deixará de ser lido assim. Bem como “esclarecer”, se livrou de uma intensa discussão.

Por isso, separar o joio do trigo e saber a fonte, a origem do que realmente está por trás de uma expressão, nos trará a certeza da maldade do interlocutor, assim como do evento automobilístico estrategicamente exibido na intenção de esconder as maledicências de um governo árabe que mantém vivo o preconceito feminino.

O caminho para as mulheres trilharem seus sonhos livremente ainda é longo, lamentável nos países com leis restritivas, e árduo quando se deparam com diferenças nos ganhos e horas imensas de trabalho a mais para receber menos no final das contas.

O enorme sofrimento em ser ignorada e por vezes se sentir solitária como uma ostra, e doída pela entrada de um grão de areia em seu interior, acaba envolvendo-o por sua química feminina brilhante, e o transforma em algo lindo, único e de muito valor. Uma pérola.

Esse jeito de brincar com a vida transforma a menina em mulher muito cedo, e nos mostra a potencialidade em modificar um sofrimento em beleza, a dor em amor e a tragédia em transformação. 

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Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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