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Livro demonstra a beleza da matemática em enigmas que vão do papa aos feirantes

Eis um adjetivo que nem todos usariam para falar de matemática: bela. Mas é como Marcelo Viana se refere à disciplina, comparando teoremas à Capela Sistina. Ele também usa palavras como “mágica” e “elegante”.

Essa sua paixão pelos números transparece no livro “Histórias da Matemática”, que acaba de lançar. Trata-se de uma antologia de textos que Viana publicou em sua coluna de divulgação científica no jornal Folha de S.Paulo.

Viana, que é diretor-geral do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), descreve os episódios, teorias e personagens centrais da disciplina. O texto vai da Antiguidade até a era da inteligência artificial.

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Conta, por exemplo, a história do papa Silvestre 2º, que liderou a igreja de 999 a 1003. Foi um dos primeiros a tentar popularizar o sistema de numeração decimal que usamos hoje, substituindo os números romanos.

Silvestre também tentou introduzir instrumentos como o ábaco e o astrolábio. Por serem ideias avançadas para a época, ele foi acusado de satanismo. Abriram sua tumba para ver se, por acaso, era um demônio.

Viana também narra a história de como, desde o início do século 17, matemáticos penam para resolver um problema em tese prosaico: como encaixotar laranjas de modo a aproveitar o espaço da melhor maneira.

Feirantes, é claro, têm as suas próprias teorias de como resolver esse impasse. Mas foi só em 2017 que cientistas conseguiram fazer as contas e provar que é impossível aproveitar mais de 74% do volume da caixa.

Viana se esforça para descrever esses problemas com uma linguagem simples, tentando não assustar seus leitores com sequências duras de números e de letras. “Perder o interesse é a tragédia da matemática”, diz.

Uma de suas missões, afirma, é impedir essa perda. Para isso, é necessário melhorar o ensino da matemática. Professores nem sempre conseguem convencer os alunos da aplicação concreta dessa disciplina.

Viana descreve a economia como cada vez mais “matematizada”. Estudos que cita no livro mostram que carreiras ligadas a números são centrais para o PIB (Produto Interno Bruto). Segundo suas contas, se o Brasil desenvolver melhor as carreiras que dependem da matemática, pode somar R$ 1 trilhão ao total da riqueza produzida pelo país por ano.

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Alguns dos capítulos do livro são simples, como o do papa e seu suposto demônio. Já outros trechos exigem mais atenção. Uma das passagens mais fascinantes discute se a matemática foi descoberta ou inventada.

Em outras palavras, a dúvida é se a matemática existe por si só e apenas aprendemos a enxergá-la —ou se a inventamos para explicar o mundo. Viana (que é suspeito) diz acreditar que ela existe à revelia da humanidade.

Ele dá o exemplo do teorema de Euler, que relaciona o número de vértices, arestas e faces de um poliedro. É uma fórmula que dá sempre o mesmo valor: 2. “É pois um fato sobre o U niverso, e não uma invenção.”

Um outro aspecto que chama a atenção no livro é o constante reconhecimento de que muitos dos avanços da matemática vieram de civilizações que nem sempre são lembradas pela história mais clássica.

Por mais que autores eurocêntricos queiram dar a entender que a Europa é a fonte de toda a sabedoria humana, o que Viana mostra com exemplos práticos é que muitas ideias vieram de civilizações chinesas e indianas.

Isso sem contar o fato de que muito do conhecimento matemático da Antiguidade chegou à Europa por meio de traduções do árabe, como é o caso de outras disciplinas, entre as quais a medicina e a astronomia.

Além dos capítulos curtos sobre aspectos da matemática, Viana inclui desafios para os leitores resolverem. Recusa-se, porém, a dar as soluções no livro, como faz com suas colunas semanais neste jornal.

HISTÓRIAS DA MATEMÁTICA

– Preço R$ 84,90 (256 págs.)

– Autoria Marcelo Viana

– Editora Tinta-da-China


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