Depois de uma turnê de seis concertos em março e abril, como solista de violão junto ao Quinteto de Cordas da Ilha, dedicados à música de compositores brasileiros, o músico Marcos Pablo Dalmacio preparou dois recitais solo.
O primeiro aconteceu domingo (26), na Escola de Música Harmonia, em Camboriú e o segundo, está programado para sábado (2), às 10h30, na Igreja Luterana de Blumenau, com entrada gratuita.
Dalmacio, que além de violonista, é compositor, contou que a particularidade deste novo programa de concerto reside nos dois violões que utiliza, para tocar música escrita para outros instrumentos e apenas uma composta originalmente para violão.
“Mas esta última é especial, porque foi escrita pelo compositor mexicano Manuel Ponce em Paris, em 1926, e celebramos nestes recitais, o centenário da obra. As outras obras foram escritas para diversos instrumentos de teclado e para violoncelo solo, então, vou tocar transcrições e arranjos próprios dessa música, num violão que chamamos de terz guitar (porque surgiu na Áustria do século XIX) ou guitarra tercina”, detalhou o músico.
Modelo inédito

Essa referência ao 3 é porque se trata de um violão afinado uma terça mais aguda, como se começasse no terceiro traste. Mas, neste caso, a particularidade reside porque se trata de um instrumento desenvolvido especialmente junto com um luthier, pois não há um modelo prévio.
“Eu queria uma terz, mas de 10 cordas, justamente para poder explorar música que não foi pensada para o violão. Entre as novidades com esse instrumento, toco música de quando Mozart era apenas uma criança, as suas primeiras peças, compostas aos 5 e 6 anos! E também incluo uma peça muito expressiva que ele escreveu nos seus últimos meses de vida”, contou Dalmacio.
Doutorado em andamento
Quando não está no palco, Dalmacio está trabalhando na preparação da tese de doutorado que defenderá neste semestre na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em Florianópolis.
“É uma pesquisa sobre a música de câmara para e com violão de inícios do século XIX. É um repertório que tenho explorado bastante, não apenas no papel, senão nas salas de concerto, incluindo o violão junto a outros instrumentos, mostrando uma faceta dele que é menos frequentada e conhecida, e pode aportar interessantes e belas surpresas”, revelou o músico.
