Acordo entre Lula e Motta acelera fim de escala 6×1, e empresários procuram Alcolumbre por mudanças

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Empresários e políticos do centrão que defendiam uma transição mais longa para o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas foram pegos de surpresa com a transição de apenas um ano anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta segunda-feira (25).

A percepção é de que não há mais espaço para negociar mudanças na Câmara. A estratégia agora é negociar com o Senado Federal para alongar esse prazo ou tentar segurar o debate para depois da eleição, para que os parlamentares estejam menos suscetíveis a pressões dos eleitores e do governo. Uma reunião está prevista com o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a tarde desta terça-feira (26).

A expectativa deles era de um escalonamento de até quatro anos e que as mudanças, mesmo se aprovadas antes da eleição, só passassem a valer após outubro ou a partir de 2027. Motta, no entanto, anunciou após reunião com o presidente Lula (PT) que a proposta vai reduzir a jornada para 42 horas 60 dias após a promulgação. A jornada cairia para 40 horas 14 meses depois.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) também acabará com a escala de seis dias de trabalho para um de folga (6×1) dois meses após a promulgação.

Deputados e líderes de partidos do centrão ouvidos pela Folha de S.Paulo dizem que eram a favor de um escalonamento mais longo, de quatro anos para a jornada de 40 horas semanais, para dar tempo de as empresas se adaptarem, mas que não terão como se opor ao acordo anunciado por Motta. Por isso, votarão a favor da mudança mais rápida para evitar prejuízos eleitorais.

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O líder de um partido aliado ao presidente da Câmara afirma que ninguém foi consultado previamente e que não concorda com o prazo mais acelerado porque isso deve aumentar os custos das empresas de forma mais brusca. O escalonamento seria uma forma de diluir o impacto e atender aos anseios dos trabalhadores. Ele não vê, no entanto, mais margem para modificar isso.

O relatório da PEC será apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) numa comissão da Câmara nesta segunda (25). A previsão é de que seja votado pela comissão na quarta (27) e no plenário na quinta (28), onde precisa do apoio de 308 dos 513 deputados para ser aprovado, em dois turnos de votação.

O período eleitoral e a necessidade de votação nominal dificultam qualquer manobra para alterar a PEC. Um exemplo são as críticas recebidas nas redes sociais pelos deputados que apoiaram duas emendas para adiar a redução da jornada por dez anos e excluir setores essenciais, como trabalhadores da saúde e da segurança pública. Após os ataques, os líderes do MDB, PSD, União Brasil, PP, Republicanos, PSDB e Cidadania assinaram uma nota conjunta defendendo que as emendas fossem rejeitadas.

Empresários vão atuar no Senado para travar a proposta. O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Paulo Skaf (Republicanos), organizou uma reunião de diversos empresários com Alcolumbre nesta terça, para expor as preocupações do setor produtivo com a PEC.

Alcolumbre ainda não deu indícios claros de como pretende conduzir esse processo. Aliados afirmam que ele já indicou a intenção de segurar a tramitação, e outros dizem que, em conversas reservadas, ele pondera que não há como travar um tema tão popular às vésperas do período eleitoral.

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Os empresários vão defender ao presidente do Senado que o debate seja desvinculado do período eleitoral e fique para depois de outubro. Eles querem convencer Alcolumbre a nomear um relator com mandato até 2030, que não seja candidato à reeleição agora, para evitar essas pressões.

Quem define o relator de uma PEC no Senado, no entanto, é o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O atual presidente, Otto Alencar (PSD-BA), é um dos principais aliados de Lula e chegou a ser cotado para ministro recentemente.

Outra estratégia das empresas é bancar campanhas publicitárias para defender que haverá aumento dos preços para os consumidores com a redução da jornada. O material está acompanhado de pesquisas de opinião pública, para medir os efeitos sobre os eleitores.

Senado, a PEC é primeiro encaminhada à CCJ, onde recebe um parecer e precisa ser aprovada por maioria simples dos votantes. No plenário, é necessário o apoio de 49 dos 81 senadores, em dois turnos.

Se o texto for modificado, há dois caminhos: a parte consensual com a Câmara pode ser promulgada imediatamente, por decisão de Alcolumbre, ou a PEC inteira pode ser enviada para nova avaliação pelos deputados.

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Como se trata de uma alteração na Constituição, apenas textos que são consenso entre a Câmara e o Senado podem entrar em vigor. Se não houver acordo, ela volta à outra Casa para continuar o debate.

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