Empresários criticam transição mais curta para fim da 6×1 e preveem aumento de custos

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(FOLHAPRESS) – A possibilidade do fim da escala 6×1 ainda no segundo semestre deste ano não foi bem recebida por associações empresariais do país, que preveem, entre vários pontos, uma série de impactos financeiros e operacionais e repasse de custo aos clientes.

No comércio, a previsão é de impacto operacional e de custos, com a necessidade de ampliar os quadros profissionais em até 20% para manter a operação.

As propostas do relator da PEC que prevê o fim da escala 6×1, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), preveem manutenção no limite de jornada em 8 horas diárias, ampliam o descanso semanal obrigatório de um para dois dias – preferencialmente com um deles aos domingos – e proíbem redução salarial, seja nominal ou proporcional.

“Menos domingos, menos sábados, menos vendas, menos comissões e menos renda. Então, o efeito final pode ser exatamente o oposto do discurso de proteção [do trabalhador]”, diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), que representa mais de 54 mil lojistas.

Sahyoun defende a flexibilização de pontos da CLT, como a permissão de contratação por horas e negociação direta empresa-empregado.

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A avaliação é compartilhada pela Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shopping), cujo presidente, Mauro Francis, afirma que medidas apressadas podem prejudicar o consumidor final.

“No varejo de shopping, especialmente entre pequenos e médios lojistas, medidas apressadas e com viés eleitoreiro podem gerar aumento de custos, fechamento de operações e corte de empregos. Em um país com famílias e empresas altamente endividadas, a conta inevitavelmente chega ao consumidor, pressionando ainda mais o custo de vida da população”, afirma Francis.

Pelo texto do relator, a jornada máxima de trabalho cairia de 44 para 40 horas semanais em duas etapas: 60 dias após a promulgação, o limite cai para 42 horas; 12 meses depois, chega às 40 horas definitivas.

A FecomercioSP avalia que o prazo de transição de pouco mais de um ano parece ter sido incluído não para permitir uma adaptação segura, mas apenas como um “aceno formal e protocolar” ao empresariado. Segundo a entidade, empresas trabalham com planejamento anual de custos e logística, o que tornaria inviável uma reprogramação em um intervalo tão curto.

“Mesmo no prazo de 12 meses, para redução de mais duas horas, é muito aquém do razoável para a absorção dos custos de forma segura e sustentável. Tanto é verdadeiro, que o texto original da PEC trazia dispositivo prevendo que a entrada em vigor da redução da jornada somente ocorreria após 10 anos da promulgação da medida”, afirma Karina Negreli, assessora jurídica da FecomercioSP.

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Negreli afirma que há risco de judicialização embutido no próprio texto da PEC. O parecer do relator prevê que convenções e acordos coletivos incompatíveis com a nova jornada vão perder efeito em 60 dias após a promulgação, porém diversas categorias já têm instrumentos coletivos em vigor, com validade de até dois anos, que disciplinam jornada, escala e contrapartidas econômicas negociadas sob as regras atuais.

Ela afirma que extinguir essas cláusulas no meio da vigência, sem renegociação, pode comprometer o equilíbrio econômico dos acordos e gerar conflitos na Justiça trabalhista. A saída, segundo Negreli, seria estender o período de transição para ao menos dois anos, respeitando o ciclo natural de renovação dos instrumentos coletivos.

“Uma alteração abrupta da disciplina da jornada compromete o equilíbrio econômico e social das relações de trabalho. Se o período de transição ao menos superasse o período de vigência legalmente estabelecido para os Acordos e Convenções Coletivas de trabalho, se evitariam contradições normativas, insegurança jurídica e judicialização da matéria.”

IMPACTOS NA INDÚSTRIA

Presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban diz que a redução imediata da jornada será traduzida em repasse direto de custos e define o cenário atual como uma “síncope de levar vantagem em tudo”. Para ele, o Brasil está na contramão de países que estão fortalecendo suas indústrias, como Alemanha e Estados Unidos.

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“Cadê a previsibilidade, cadê a segurança jurídica? Isso é custo direto nos produtos e nos serviços. Esses preços serão repassados em um momento em que estamos em pleno emprego. Não é que não queremos discutir isso, nós queremos. Mas os motivos são questões eleitorais”, disse Alban.

Nas contas da organização, o impacto dos preços pode chegar a até 8% e deve ocorrer somente após as eleições, período em que as empresas terão tempo para repor o estoque atual e se reestruturarem diante da nova realidade.

Ele defende que mudanças na jornada deveriam passar por uma rediscussão dos encargos trabalhistas como forma de atenuar o impacto dos custos empresariais. Além disso, setores que hoje lidam com problemas de mão de obra preveem o pagamento de hora extra para acompanhar uma possível queda na produtividade.

Com o encaminhamento da PEC na Câmara dos Deputados, o front de batalha do empresariado se dará no Senado. Além da indústria, o setor do comércio também deve compor a força-tarefa junto aos senadores.

“O Brasil precisa de trabalho e oportunidade para manter uma economia minimamente competitiva. Pretendemos ir juntos para sermos ouvidos, já que o impacto se dará diretamente sobre indústria e serviços. O agro está bastante mecanizado e vai sentir menos, mas toda a indústria com mão de obra intensiva será penalizada”, afirma Alban.

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