Petróleo dispara 5% após ataques a navios em Hormuz e em zona portuária dos Emirados Árabes

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SÃO PAULO, SP E PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – O petróleo voltou a disparar nesta segunda-feira (4) após uma nova escalada da guerra no Oriente Médio. O contrato de julho do barril Brent, referência mundial, encerrou o dia com alta de 5,45%, cotado a US$ 114,06.

A commodity chegou a subir 6,54% às 13h (horário de Brasília), atingindo a máxima diária de US$ 115,24, depois de a agência semioficial iraniana Fars anunciar que o país atingiu um navio de guerra dos EUA perto de Jask, no golfo de Omã. A embarcação teria ignorado os avisos iranianos para entrar no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O Comando Central dos EUA negou que qualquer embarcação do país foi atingida na região. “Nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido. As forças dos EUA estão apoiado o projeto da Paz para liberar o bloqueio naval no estreito de Hormuz”, divulgou o órgão em post na rede social X (ex-Twitter).

Durante a tarde, um incêndio atingiu uma importante zona da indústria petrolífera dos Emirados Árabes Unidos após um ataque de drones também atribuído ao Irã, numa possível violação do cessar-fogo do conflito.

Segundo o governo, ao menos três pessoas ficaram feridas. Em um comunicado, os Emirados afirmaram que os ataques “representam uma escalada perigosa” e que o país tem o direito de responder.

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A negociação começou em queda com o preço a US$ 105,66, subiu para a casa dos US$ 108 às 20h de domingo e ficou neste patamar até 5h, quando foi a US$ 110 depois de o Irã alertar que não permitiria a entrada de embarcações dos EUA no estreito de Hormuz, aumentando os temores sobre o fornecimento da commodity.

O contrato de julho do Brent, referência mundial, passou a subir com o anúncio do ataque, atingindo US$ 114 às 7h30, mas caiu na sequência com os norte-americanos negando a ofensiva. Ela voltou a subir às 13h, indo ao ápice no dia, com a notícia de detenção de seis embarcações iranianas pelos EUA, o que foi negado em seguida pelo Irã.

O dólar fechou em alta de 0,28%, a R$ 4,967, com os ataques elevando a incerteza e a cautela entre investidores durante o pregão. O comportamento da divisa acompanhou o exterior: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras seis moedas fortes, avançou 0,25%, a 98,41 pontos.

Impactada pela aversão ao risco, a Bolsa de Valores brasileira recuou 0,87%, a 185.600 pontos. Nos EUA, as Bolsas também fecharam no negativo, com os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tendo quedas entre 0,19% e 1,13%.

As taxas DIs, referências das expectativas para o futuro da taxa básica de juros, a Selic, também subiram, com avanços próximos dos 20 pontos-base. O DI para janeiro de 2028 fechou em 13,960%, em alta de 17 pontos-base ante o ajuste de 13,791% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa para janeiro de 2035 estava em 13,890%, com elevação de 19 pontos-base ante o ajuste de 13,698%.

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Os novos desdobramentos da guerra ocorreram após o presidente dos EUA, Donald Trump, prometer no fim de semana que a Marinha americana forçaria a abertura do estreito, provocando a maior escalada da guerra desde que um cessar-fogo foi declarado há quatro semanas.

Em resposta, o comando unificado do Irã disse aos navios comerciais e petroleiros que se abstivessem de qualquer movimento que não fosse coordenado com os militares do país. “Alertamos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tiverem a intenção de se aproximar e entrar no estreito de Hormuz”, afirmou Ali Abdollahi.

A passagem por Hormuz está bloqueada pelos iranianos desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra, para todos os navios que não realizam operações com aval do regime. No início de abril, foi a vez de os EUA impedirem o tráfego de navios que tinham a autorização do Irã.

Outro alvo de ataque dos iranianos foi um navio-petroleiro ligado à ADNOC, petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, que estava próximo ao estreito de Hormuz. O bombardeio teria sido feito por drones e foi divulgado pelo ministério das Relações Exteriores dos Emirados.

No início da tarde, foi a vez de os EUA divulgarem que atacaram seis navios-petroleiros iranianos, além de impedir mísseis e drones vindos do Irã. Em seguida, a informação foi negada pelos iranianos, através de sua televisão estatal.

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“A trajetória dos preços segue inclinada para o lado positivo enquanto os fluxos através do estreito permanecerem restritos”, disse o analista Giovanni Staunovo, do UBS.

Centenas de embarcações comerciais e cerca de 20 mil tripulantes não puderam transitar pelo estreito durante o conflito, segundo a Organização Marítima Internacional. Nesta segunda, a Maersk informou que um navio transportador de veículos de bandeira americana operado por sua subsidiária Farrell Lines, deixou o golfo pelo estreito acompanhado por forças militares dos EUA.

Ainda assim, vários executivos dos setores de transporte marítimo e de petróleo disseram que precisam do fim das hostilidades e de alguma forma de acordo de paz, pois não veem os comboios militares como uma solução que permitiria a retomada do tráfego normal.

ACORDO PAUSADO

Estados Unidos e Israel suspenderam sua campanha de bombardeio contra o Irã há quatro semanas, e as autoridades americanas e iranianas realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de marcar novas reuniões fracassaram até agora.

A mídia estatal iraniana disse no domingo que Washington havia transmitido sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão, e que Teerã estava agora analisando-a. Nenhum dos lados deu mais detalhes.

Uma autoridade sênior iraniana confirmou que Teerã prevê o fim da guerra em todas as frentes -incluindo os ataques de Israel ao Líbano- e a resolução do impasse sobre o transporte marítimo em primeiro lugar, deixando as negociações sobre o programa nuclear do Irã para depois.

Washington quer que Teerã desista de seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, que, segundo os EUA, poderia ser usado para fabricar uma bomba.

O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas restrições em troca da suspensão das sanções. O país aceitou essas restrições em um acordo de 2015 que Trump abandonou.

BOLSA DA EUROPA TEM MAIOR QUEDA EM UM MÊS

A disparada do preço do petróleo e o temor do agravamento do conflito levaram a Bolsa da Europa a ter o pior resultado diário em um mês. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 1%, a maior queda em um mês.

O pessimismo para investimentos de risco foi acompanhado em Frankfurt (-1,06%), Londres (-0,14%), Paris (-1,71%), Madri (-2,39%) e Milão (-1,59%).

Nos EUA, a Dow Jones caiu 1,13%, a S&P 500 caiu 0,41% e a Nasdaq, 0,19%.

Na Ásia, os mercados não chegaram a ser impactados pelos novos desdobramentos no Oriente Médio, pois haviam fechado antes. As Bolsas subiram em Tóquio (0,38%), Hong Kong (1,24%), Seul (5,12%) e Taiwan (4,57%), enquanto a China não funcionou em virtude de feriado nacional.

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