Educação financeira na escola pode transformar gerações, diz líder de ONG

- Publicidade -
- Publicidade -

Vereador Naifer visita novo ponto de drogas próximo a escola em Balneário Camboriú

Uma fiscalização realizada pelo vereador Naifer Neri, na segunda-feira (22), acendeu um alerta sobre a ocupação irregular de um terreno particular no Bairro São Judas Tadeu, em Balneário Camboriú.

Lula visita Itajaí nesta sexta-feira, veja agenda atualizada

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estará em Itajaí nesta sexta-feira (26) para cumprir uma agenda...

Leia também

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

(FOLHAPRESS) – A educação financeira tornou-se tema obrigatório na educação básica brasileira em 2020, com a incorporação à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Três anos antes, o IBS (Instituto Brasil Solidário) já havia começado a trabalhar o assunto com milhares de estudantes de escolas públicas do país.

Pioneira, a iniciativa propõe desenvolver o letramento financeiro de crianças e adolescentes por meio de jogos de tabuleiro e de cartas. Depois de quase uma década e mais de 2 milhões de alunos impactados em 7.412 escolas de 822 municípios, Luis Salvatore, diretor presidente do instituto, defende que a educação financeira não se ensina com palestra nem com plataforma digital, mas no cotidiano da escola.

Ele também aponta que esse conteúdo não deve ficar restrito às aulas de matemática. “Não estamos falando só de renda. Estamos falando de comportamento, de capacidade de decisão, de aprendizados que se conectam com a aula de biologia, de história, de química”, afirma. “Se a gente consegue trazer esse aspecto comportamental conectado às questões da vida, isso se torna prática.”

PERGUNTA – A inadimplência avança no Brasil, com mais de 81 milhões de pessoas negativadas. A educação financeira escolar tem capacidade de mudar esse cenário?

LUIS SALVATORE – Se a educação financeira fizer parte de um projeto estruturado, sim, pode mudar e já vem mudando a vida de muita gente. Porque dialoga diretamente com a realidade dentro de casa: toda família paga conta, toda criança tem um desejo, todo pai tem uma alegria quando consegue comprar alguma coisa. É um assunto do nosso dia a dia, então por que deveria ficar de fora da escola? Escola é o caminho, professor bem formado é o caminho que pode transformar gerações.

- Continue lendo após o anúncio -

P – Existe uma expectativa de que a educação financeira vá ensinar a ficar rico?

LS – Existe, e isso não é bom. Educação financeira é o famoso devagar e sempre. Não é um ganho meteórico relâmpago, é um ganho constante e controlado. Esse é o caminho de escala. Existe um ou outro ponto fora da curva que teve uma ideia maluca e ficou milionário em um ano, mas não é o normal.

P – Como o IBS começou a trabalhar o tema nas escolas?

LS – Sempre trabalhamos com educação ambiental dentro de um contexto muito prático, ensinando a construir fornos solares, sistemas de aquecimento de água com pneus, lâmpada solar de garrafa PET… E isso já se refletia na saúde econômica de famílias de baixa renda, que podiam economizar no botijão de gás ou na conta de luz. Era um trabalho que dialogava com a educação financeira, ainda que não atuássemos diretamente na área.

Em 2016, apareceu um novo financiador, que nos propôs atuar com uma frente específica de educação financeira por meio de jogos de tabuleiros e de cartas. Vimos que fazia muito sentido associar esse formato de jogabilidade ao nosso DNA de trabalhar com metodologia por projetos, criatividade, sustentabilidade e a escuta ativa da comunidade escolar.

- Continue lendo após o anúncio -

P – Como os jogos ajudam a ensinar educação financeira?

LS – Nossos jogos simulam decisões reais: o aluno precisa escolher entre gastar ou poupar, lidar com riscos. É um ambiente de experimentação, em que ele pode errar e ter a sensação de perda, mas sem enfrentar as consequências na vida real. Isso gera aprendizado e muda o comportamento.

Começamos com um jogo pensado para ensinar poupança, depois criamos outro que simulava uma loja. Hoje, já são sete jogos, e outros novos vão surgindo a partir da experiência nas salas de aula.

P – Por que optaram por jogos físicos, e não digitais?

LS – Para ter impacto real em educação, preferimos trabalhar com grupos de alunos se comunicando do que com cada um jogando em uma plataforma virtual, tendo apenas reflexos. O jogo eletrônico pode trazer escala, mas isola o aluno. No jogo físico, o estudante precisa ler em voz alta, explicar suas decisões aos colegas, resolver problemas matemáticos sem o celular. É um ambiente inclusivo, de colaboração e de engajamento.

- Continue lendo após o anúncio -

P – O projeto identificou que os professores também precisavam de alfabetização financeira?

LS – Sim. Inicialmente, achávamos que passaríamos apenas instruções sobre os jogos, mas percebemos que os professores também precisavam de orientação para organizar sua rotina financeira. Recebemos muitos relatos de vidas transformadas a partir desse conhecimento.

P – Educação financeira deveria ser uma disciplina separada?

LS – Acredito que não, que deva ser tratada de forma transversal. O ponto é que as pessoas acham que educação financeira é matemática financeira, quando na verdade não é. O aluno vai aprender matemática, mas não estamos falando só de renda. Estamos falando de comportamento, de capacidade de decisão, de aprendizados que se conectam com a aula de biologia, de história, de química. Se a gente consegue trazer esse aspecto comportamental conectado às questões da vida, isso se torna prática.

P – O que falta para as escolas brasileiras ensinarem educação financeira de forma efetiva?

LS – O Brasil precisa ter mais clareza de como conduzir essa missão. Com a educação ambiental foi igual: soa o alarme, sabe-se que é preciso tratar o problema, mas não se pensa em uma solução efetiva para todo mundo ir para o mesmo lugar.

Uma palestra ou uma videoaula não vão resolver. Falta prática: tem que mostrar como fazer, enviar o material, acompanhar. A gente faz isso, mas nossa adesão é orgânica e nosso crescimento é progressivo, não temos mídia para acelerar isso mais do que temos feito. Depois de mais de duas décadas, sabemos que não pode ser só teoria, tem que ter ação concreta.

*

RAIO-X | LUIS EDUARDO SALVATORE, 48

Educador social, gestor cultural e diretor presidente do Instituto Brasil Solidário (IBS), é idealizador de metodologias educacionais baseadas em jogos pedagógicos, educação financeira, leitura, empreendedorismo e metodologias ativas, com atuação em milhares de escolas e formação de educadores em todos os estados brasileiros.

- publicidade -
Clique aqui para seguir o Página 3 no Instagram
Quer receber notícias do Página 3 no whatsapp? Entre em nosso grupo.
- publicidade -
- publicidade -
- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas