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Teatro no projeto Oficinas beneficia o desenvolvimento corporal, criativo, social, crítico e reflexivo

Neste ano, esta foi uma das oficinas mais procuradas com 12 turmas dos 6 aos 17 anos

As aulas de Teatro estão entre as mais procuradas do Projeto Oficinas, da Secretaria de Educação, que atende estudantes da rede pública e privada no contraturno escolar. Crianças e adolescentes, de 6 a 17 anos, aprendem divididos em turmas de 6 a 8 e turmas de adolescentes de 9+. Cada turma tem duas aulas por semana de 55 minutos cada, no polo da sede, na rua Canelinha e no polo da Barra. Este ano passaram pela oficina  12 turmas nos dois polos.

O professor de teatro do CEAC/Projeto Oficinas, Guilherme Trautmann, responsável pela oficina desde abril deste ano, seguiu a dinâmica que encontrou no formato do projeto, mas tem planos para segmentar os alunos.

“Daqueles que estão na Iniciação Teatral, dos que já avançaram nas dinâmicas e permanecer com o infantil separado dos demais”, disse.

Guilherme conta que foi apresentado ao teatro em 2003, com 9 anos, quando era aluno do Centro Educacional Municipal Jardim Iate Clube, da rede municipal de Balneário.

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Desde então não parou mais de fazer e aprender sobre teatro. Participou de cursos técnicos, ingressou em Companhias da região, trabalhou com artistas locais e em 2016 foi aprovado no vestibular da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) para cursar gratuitamente Licenciatura em Teatro. 

“Com mestres e doutores reconhecidos, como Flávio Desgranges, José Ronaldo Faleiro, Zilá Muniz, Adriana Patricia dos Santos, entre outros, tão importantes em minha trajetória e para o Teatro Nacional”, contou.

(Divulgação/CEAC)

Nesta reportagem Guilherme conta sobre sua experiência pessoal e o desafio de passar seu conhecimento para estudantes que, como ele, querem aprender tudo sobre teatro. 

Primeiros desafios

“Nesse meu primeiro ano atuando como professor no projeto, me deparei com alguns desafios. Entender como foram organizadas as mostras anteriores, quais as experiências estéticas que os alunos tiveram (ou que a instituição teve sobre o Teatro até então) e aproximá-los, de maneira divertida, daquilo que o teatro também nos ensina: Disciplina, respeito, renúncia, inclusão, coletividade, coragem. Para aos poucos, conquistar a confiança dos alunos e assim, dialogar sobre as infinitas possibilidades que o Teatro pode oferecer”.

A dinâmica do ensino

“Os interessados na Oficina não passam por nenhum teste. O teatro é uma experiência que pode ser benéfica para todo mundo. O objetivo das aulas numa instituição como o CEAC, não é formar atores e atrizes, mas isso eventualmente pode acontecer. O mais importante nesse processo de aprendizagem é desconstruir o que o senso comum entende sobre o fazer teatral: decorar um texto e apresentar uma cena. O ensino do Teatro se dá através de Jogos Teatrais e Dramáticos, Dinâmicas Corporais e Produção de Materialidades. 

Por conta disso, nas aulas eu provoco os alunos à expansão do conhecimento corporal, com técnicas que desenvolvem a expressividade e motricidade; Desenvolvimento do raciocínio lógico, com jogos de improvisação e construção cênica, que contribuem também para o despertar da criatividade; A construção do senso de coletividade e colaboração, tendo em vista que os jogos e dinâmicas não são competitivos, onde o Teatro ensina, antes de tudo, que o fazer é em grupo, no coletivo e isso gera a consequência do aluno se deparar também com os sentimentos de desapego e renúncia. Estimulando o respeito com os colegas, com o corpo do outro, com as ideias do outro e abrindo espaço para o despertar crítico e reflexivo do estudante”. 

Teatro = todos podem fazer

“Parafraseando Augusto Boal que foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional e contribuiu para a criação de um teatro genuinamente brasileiro e latino americano, já nos afirma em suas teorias que “Todos podem fazer teatro, inclusive os atores”. 

Conforme Boal, a maioria de nós, nem sempre, usa os sentidos plenamente. Vivemos uma vida sem senti-la, e, tristemente, muitos não se dão conta disso durante toda a vida. Boal destaca que é preciso despertar o corpo, pleno de possibilidades para exercitar toda a sua potencialidade. Não só as palavras comunicam, temos um corpo pleno de expressividade, capaz de criar imagens, sons e palavras: criarmos nossos caminhos ao caminhar. 

Portanto, nas minhas aulas de teatro dentro do CEAC, o objetivo é o de oferecer aos alunos experiências estéticas e práticas capazes de oportunizar o desenvolvimento corporal, criativo, social, crítico e reflexivo.

Drama, comédia, musical…

“As diferentes práticas vão revelando as afinidades que cada um tem ou o despertar dessa vertente, por exemplo: em jogos teatrais de cenas improvisadas é possível observar quando um aluno ou aluna tem uma predisposição para comédia. Ou em jogos dramáticos, algum aluno ou aluna desperta seu interesse na tragédia ou ainda, quando nos exercícios de técnica vocal, o interesse se expande para a relação do teatro com as musicalidades; São inúmeras as possibilidades que o teatro permite explorar, mas em pouco tempo de aulas por semana, a minha percepção se dá através do grupo que se forma em cada turma do que necessariamente nas individualidades”.

Espetáculos 2023

“Os alunos de teatro se apresentaram na Passarela da Barra com uma atividade cênica e também no Teatro Municipal Bruno Nitz com os espetáculos encerramento: Exercício Cênico – Performance sobre a Despedida 20/06 – Dia Mundial dos Refugiados.

O CEAC é uma escola membro da Organização das Nações Unidas (Unesco) e segue o calendário, como é o caso do  

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Dia Mundial dos Refugiados, uma data que faz parte do calendário da Unesco.

Na Passarela da Barra

Exercício Cênico Dia dos Refugiados, na Passarela da Barra (Divulgação/Seduc)

“O Dia Mundial dos Refugiados foi um dos temas trabalhados com quatro turmas de Teatro, de 9 a 14 anos, onde, a partir dos jogos e dinâmicas teatrais e dramáticos, realizaram um Exercício Cênico na Passarela da Barra em Balneário Camboriú.

Durante várias aulas, nos apropriamos do tema para pesquisar alguns elementos corporais utilizados no teatro. Os alunos, inicialmente, realizaram um levantamento de dados sobre os Refugiados no Brasil. As informações obtidas geraram algumas reações na turma; Foram palavras verbalizadas tais como: Tristeza; Preocupação; Depressão; Angústia; Sentimento de peso; Medo; Pavor; Estas palavras fundamentaram o nosso jogo teatral “Rasaboxes”: através desse jogo, os estudantes puderam experimentar/saborear diversos estágios emocionais, dando importância sobre o conhecimento de como acessar corporalmente tais canais emotivos para utilizar em cena. 

Com isso, os alunos improvisaram cenas e experimentaram diversas situações em sala de aula, como caminhadas pelo espaço, despedidas, quedas.

Tudo isso em torno do tema e sequencialmente com as interferências do jogo das emoções Rasaboxes. Além do estudante poder usar deste espaço seguro para pesquisar tais emoções e como utilizar destas na hora de realizar as cenas teatrais, as dinâmicas e jogos utilizados despertam nos participantes a criatividade, desenvolvem espacialidade, visão periférica, conhecimento corporal, coletividade, colaboração, cuidado e respeito com os colegas.

 O Exercício Cênico que aconteceu na Passarela da Barra, foi o resultado de todas essas dinâmicas. Os alunos improvisaram de maneira aleatória todos os acontecimentos que marcaram as aulas e suas pesquisas; A realização da atividade na Passarela, foi por conta de alguns fatores: Primeiro como atividade externa de confiança e encorajamento, onde os alunos podem experimentar a realização do fazer teatral sem a preocupação do erro, do esquecimento ou de gatilhos emocionais que “estar no palco” pode trazer.

 Esse tipo de dinâmica desperta a confiança em si e com o grupo, cria mecanismos de alerta e segurança, principalmente por conta das características que desenvolvem a visão periférica.

A Passarela da Barra, sendo um “Lugar de Passagem”, se torna um cenário para o jogo teatral com o tema dos refugiados. 

Evidencia a importância do significado daquilo que vão apresentar como peça teatral. Tudo que vai pra cena é visto e gera um signo, portanto, contém algum significado! Com essa atividade, realizada como um processo de pesquisa, os alunos realizaram então: Um levantamento de dados (pesquisa teórica); Dinâmicas Corporais e de espacialidade; Jogos dramáticos com as próprias reações e sentimentos verbalizados; Jogos Teatrais e de improvisação; Um exercício cênico fora da sala de aula que se caracterizou como um trabalho artístico: uma Performance sobre a Despedida”. 

Na Barra e no Teatro Municipal

Teatro e Infâncias: um manifesto sobre o brincar e os direitos das crianças, no Polo da Barra (Divulgação/Seduc)

No dia 21/11/2023 os alunos das turmas infantis se apresentaram na sede Projeto Oficinas da Barra;

Apresentação de Dom Quixote no Teatro Municipal (Divulgação/Seduc)

No dia 28/11/2023 os alunos e alunas das 8 turmas de 09+ se apresentaram no Teatro Municipal Bruno Nitz com o Festival de Teatro do Ceac, onde apresentaram as construções dos espetáculos idealizados por cada turma. 

Tivemos uma Mostra de Esquetes com textos de Ariano Suassuna e também com um texto da minha primeira professora de teatro em Balneário Camboriú, Diana Monteiro Sitonio. 

Também apresentamos uma adaptação de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” de Pedro Bandeira; “As Alunas” – uma adaptação do texto “O Coro Dos Maus Alunos” de Tiago Rodrigues, um autor português; “2070” um espetáculo criado em aula a partir da “Carta Escrita no Ano de 2070” e encerramos com uma colagem criativa de ‘Dom Quixote’”.

Planos para 2024

“Para 2024 as expectativas são para que o teatro permaneça evoluindo dentro do projeto, que possamos conquistar mais estrutura e melhores condições para oportunizar aos estudantes diferentes e múltiplas experiências como a criação de uma Cia de Teatro do CEAC, a possibilidade de trabalhar com Teatro de Sombras, de Animação, de possibilitar aos estudantes viagens e apresentações em festivais e de fazer emergir em Balneário Camboriú, novamente, um movimento de teatro que seja constante, valorizado e apreciado pela comunidade em geral”.

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