“Eu já tinha feito shows com um pé só, mas foi a primeira vez que fiz com um braço só” (vocalista do Jota Quest em entrevista ao Página 3)

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A banda Jota Quest encerrou a programação do dia do aniversário de 61 anos de Balneário Camboriú, na noite de domingo (20), com um show que animou o público na Praia Central, que entoou hits como Só Hoje, Dias Melhores, Amor Maior, Fácil, dentre outros sucessos. 

Após o show, o vocalista da banda mineira, Rogério Flausino, atendeu a imprensa e relembrou inclusive a história que os integrantes do grupo possuem com Balneário Camboriú – cidade onde moraram há cerca de 30 anos. No show, Flausino citou até a balada Baturité (assista aqui – https://www.instagram.com/p/DMWfI6JRCwq/) e conta mais detalhes na entrevista abaixo.

JP3: O que você achou do show? Como foi se apresentar nos 61 anos de Balneário Camboriú?

Rogério Flausino: Eu achei a coisa mais linda do mundo, né? São muitas coisas que passam pela cabeça da gente, como eu falei lá no show. Primeiro lugar que muitos artistas podem estar aqui vivendo essa experiência. E foi o Jota Quest que ganhou esse presente. Eu tenho certeza que depois desse evento outros acontecerão aqui na praia, tanto no aniversário quanto em outras ocasiões, inclusive estavam nos contando que têm muitos projetos para poder fazer dessa praia um lugar para receber grandes espetáculos. E agora, no caso do Jota, nós temos uma história com a cidade. Eu sei que agora a gente está celebrando 61 anos de emancipação de Balneário versus Camboriú, mas há 30 anos, quando a banda estava começando, a gente estava muito por aqui, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e a gente ficou morando aqui, no Hotel Palmas. A gente era moleque, era o primeiro disco ainda e aqui era tudo pequenininho, não tinha esses prediões e tudo mais. 

Foto: Ricardo Wolffenbuttel

JP3: Como é lembrar de 30 anos atrás e ver Balneário hoje?

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Rogério Flausino: É uma loucura, né? Porque quando a gente chegou, eu me lembro de ir na Rádio Menina, para nos divulgar. A gente estava sediado em Floripa e passeando aqui. Eu lembro que estava um dia chuvoso e tal e eu adorei esse lugar. Eu falei, ‘nossa, que lugar gostoso e tal’. Muitos anos depois e muitas vivências depois, a gente chega hoje aqui e vê essa cidade gigante e com um palcão democrático para todo mundo curtir. Foi muito lindo. A gente sabe que estava sendo filmado (a NSC filmou e exibirá trechos do show no próximo fim de semana), e apesar de eu estar ‘amarrado’, porque eu machuquei o ombro, eu espero que tenha sido legal. Eu já tinha feito shows com um pé só, mas foi a primeira vez que fiz com um braço só (risos).

JP3: Vocês pensam em morar em Balneário Camboriú novamente?

Rogério Flausino: Olha, é um lugar… né? Santa Catarina é um lugar muito agradável, sempre foi e tudo mais. Eu moro em BH, sou mineiro do interior de Minas, do sul de Minas, e moro em Belo Horizonte há muitos anos. Mas a gente teve vontade nessa caminhada, todo mundo da banda, teve vontade de morar em São Paulo, no Rio, em Floripa, Camboriú… esse lugarzinho que a gente foi bem recebido, a gente quer voltar. Então, eu poderia morar aqui, na moral (risos).

JP3: É o lugar além do horizonte (referência à música), é Balneário Camboriú?

Rogério Flausino: Olha, aqui com esses prédios cada vez mais altos, ainda não tem, não vai ter nenhum lugar no Brasil, vai ter um horizonte, como vocês têm, olhando de cima, como vocês olham, né? É legal demais.

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Foto: Ricardo Wolffenbuttel

JP3: Balneário e a Praia Brava, de Itajaí, são a terra de dois cantores, que você conhece, que é o Armandinho e o Vitor Kley, ambos gaúchos, mas que moram aqui há muitos anos. Como você vê a música brasileira hoje? Que, assim como o Jota, é tão diversa?

Rogério Flausino: Eu não sabia que o Armandinho era daqui, o Vitor eu sabia, inclusive ele me mandou uma foto do palco, e eu falei assim ‘você tá aqui?’ e ele ‘eu não, minha mãe’ (risos), aí eu falei, ‘caramba, cadê ela? Quero me encontrar com ela’ e ele ‘não, bicho, ela é muito discreta’ (Nota da Redação – Janice Kley, mãe de Vitor, é moradora de Balneário Camboriú). Cara, eu adoro o Vitor, ele é um menino que me lembra muito de mim quando era menino assim, só com uma diferença – ele é um músico incrível, toca muito bem, compõe muito bem e eu adoro ele, inclusive uma das músicas do nosso último disco é uma canção dele e eu adoro. Eu acho que é isso, todo o Brasil é recheado de artistas diversos e tal e Santa Catarina não seria diferente, que bom que a gente tem revelado. É uma família só, é a família musical brasileira! Com vários estilos diferentes, o Brasil é isso, é múltiplo de música. Nós que fazemos, eu até brinco, a gente faz rock, pop rock ou no caso do Jota, com influência de soul, funk, disco.. a gente até nada contra a corrente, porque o Brasil tem uma cultura nacional que só tem aqui, que é tão gigante, que a gente que bebe de fontes externas, até nada meio contra a corrente, então uma banda como o Jota, que é da família, do rock, do soul, sei lá do que que a gente é (risos), continuar há tanto tempo, é uma honra! Porque muita coisa podia ter rolado e a gente não estar aqui ainda, então fazermos um show desses, duas horas cantando, a galera cantando todas, é uma emoção!

JP3: E sem serem expulsos (risos).

Rogério Flausino: Não… essa história é engraçada demais! Porque a gente chegou aqui e não tinha dinheiro para nada. Então a gente queria entrar na boate sem pagar, ou sei lá o quê, né? Lógico que olharam para aqueles perrapados, ‘vocês não vão entrar aqui, tá?’. Com muito custo, sei lá, umas duas semanas depois, a gente conseguiu entrar. E aí já estávamos lá dentro e resolvemos pedir para o cara (o DJ) tocar o nosso som. A gente andava com um CDzinho com as nossas músicas. Ninguém conhecia a banda. E a gente chegou para o cara e disse que a gente queria botar o nosso som e ele ‘tá, vou deixar’, eu acho que era ‘Encontrar alguém’ (música famosa da banda). Obviamente não aconteceu nada na pista. Ficou todo mundo olhando e o Marco Túlio (guitarrista do Jota Quest) ‘vamos tocar mais uma’ e colocou um Barão Vermelho ou Legião e a pista continuou flat. O cara virou para o segurança e falou assim: ‘tira esses caras daqui, pelo amor de Deus’ (risos). Nunca esquecemos que primeiro a gente não conseguiu entrar, depois entramos, mas não conseguiu ficar, porque tiraram a gente, mas isso aí é só história boa para lembrar. Foi no Baturité! E depois disso fomos abraçados pela cidade e pela região absurdamente. Eu me lembro que de 96 a 99, ficamos mais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, do que em Minas Gerais. Então, a nossa história se cruza com a história de vocês e nunca vamos esquecer isso. A nova geração nem vai saber de nada disso, mas para nós é a história, a história da gente.

Foto: Ricardo Wolffenbuttel

JP3: E esperava que a praia ia estar lotada, como estava?

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Rogério Flausino: Cara, eu acho que sim, não pelo Jota, mas pelo acontecimento – é o aniversário da cidade, 61 anos, de graça na praia, num domingo, família reunida, todas as cidades e tal. E o Jota veio aí fazer uma contribuição, acho que como eu falei, outros artistas poderiam ter vivido essa experiência, mas para nós foi demais, foi lindo demais. E eu estava falando com os meninos que isso é uma tendência para as cidades que têm espaço como esse, que a gente possa fazer outros grandes eventos aqui, montar um palcão cada vez mais bonito e fazer uma sequência de shows, trazer artistas, de outros estilos e a gente fazer um grande barato aqui, transmitir isso para o Brasil inteiro para verem como está bonito isso aqui.

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