A atriz e roteirista Mônica Martelli esteve nesta semana no Balneário Trends, evento que aconteceu no Balneário Shopping, para abrir a programação do Balneário Fashion Show.
Martelli se destaca por seu bom humor e trajetória de sucesso – ela foi a estrela do filme Minha Vida em Marte e era também grande amiga do ator Paulo Gustavo. A reportagem do Página 3 conversou com ela antes do evento, onde a atriz falou ao público sobre ser mulher, as mudanças que a menopausa trouxe e a importância do humor em sua vida.

JP3: Você é uma artista multifacetada e que está sempre no palco ou nas telas. O que o palco te entrega hoje que a câmera não dá (e vice-versa)?
Mônica Martelli: Bom, a coisa mais importante é o seguinte – o palco te entrega energia, a câmera chupa sua energia. Então, depois de um dia de set de filmagem, depois de 12 horas filmando, você está desalmada. Você vai para casa, exausta, porque é muito tempo de espera, uma cena que a gente faz é feita de vários ângulos. Então, é uma concentração – a sua é fechada, a minha é fechada. E o palco, quando você entra, você recebe a energia da plateia ao vivo, na hora. Então, você sai do teatro energizado e você sai de um set de filmagem desalmada. O cinema é eterno. Tem a vantagem do palco. Então, quem me viu, me viu. Quem não viu Os Homens são de Marte, não vai ver mais.
Agora, o filme, a minha filha estava com os amigos dela em casa, semana passada, assistindo ‘Os Homens são de Marte’ no cinema. Então, está ali eternizado para sempre. São artes diferentes e que têm a sua beleza em cada uma. O cinema é aquele trabalho de equipe, todo mundo lutando para aquela história ser contada. O palco também é um trabalho de equipe. Eu estou ali sozinha no palco, tem iluminador, tem operador de som, que está ali contracenando comigo. Todos são trabalhos de equipe muito prazerosos e cada um tem a sua beleza. Agora, o verdadeiro lugar do ator é o palco. Porque ali, na hora que dá o terceiro sinal, é só você e a plateia. Não tem ninguém pra te editar. Ali nós somos os donos. Porque no cinema, quando vai ver o filme, editaram aquela cena, cortaram, regravam o erro. vai Às vezes você faz o seu melhor take, o seu colega errou, então você tem que fazer de novo, mas o seu melhor foi antes. Enfim, várias coisas acontecem. O palco, não. O palco é você e a plateia. Então, pra mim, a casa do ator é o teatro.

JP3: Como você enxerga o humor feito por mulheres em 2025 no Brasil?
Mônica Martelli: Eu acho que a mulher no humor, ela caminha junto com o feminismo. Porque a mulher antes não podia ser engraçada. A gente tinha que ser só bonita. Entendeu? Então, o homem não queria saber de uma mulher engraçada. Mulher engraçada, eles saíam correndo. Porque a graça e o humor estão diretamente ligadas à inteligência. Então, o humor é ligado à sabedoria. Os homens são inseguros, preferem mulheres que acolhem a vida deles, que dêem pra eles uma estrutura e não necessariamente mulheres que têm humor. Porque você, quando tem humor, você vai olhar para aquilo, vai ter uma crítica em cima do homem, vai ter uma crítica em cima da vida que ele está te oferecendo. O humor te leva a criticar numa brincadeira e vai fazendo eles se tocarem na brincadeira. Eles têm medo do humor.
Eu acho que o humor avançou muito porque nós, mulheres, estamos avançando na sociedade. Outro ponto é que eu fazia parte de uma época de programa de humor, em que as piadas eram em cima de mulher gostosa, de gordofobia, de preto e de gay. Eram piadas gordofóbicas, classistas, racistas e misóginas. A loira burra, o gordo, o preto e o viado. Então, isso, a gente já não aceita mais. Eu acho que a sociedade avançou e o humor avançou junto.
JP3: Não dá para falar da tua carreira e do humor sem citar Paulo Gustavo, né? Vocês foram grandes parceiros e amigos. Qual foi o maior legado que ele te deixou?

Mônica Martelli – A urgência de viver. Paulo Gustavo, ele tinha uma urgência em viver. Ele não deixava nada. ‘Vambora, faz, faz’. Ele comprava um casaco, saía da loja com o casaco. ‘Amor, esse casaco era casaco pra fazer tapete vermelho’, e ele falava ‘não, amor, é agora, vou usar agora’. Então, essa urgência de viver foi o maior legado que Paulo Gustavo me deixou.
JP3: Você veio para Balneário Camboriú para participar do Balneário Trends, que é um evento que fala de moda e universo feminino, como você vê a relação entre autoestima feminina e moda?
Mônica Martelli – Ah, eu acho que a moda, ela mostra quem você é naquele momento. Você pode usar a moda para você dizer quem é você, o que que você está sentindo, o que você está passando, que fase de vida você está, a qual ‘tribo’ você pertence. Porque nós vivemos em códigos, né? É uma sociedade que a cultura diz muito quem a gente é. Então, a moda, ela ajuda nessa cultura, ajuda a mostrar quem você é. Eu acho de extrema importância.

