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Escritor especialista em arqueologia lança livro sobre mulheres piratas, uma história de resistência e transgressão

“Mulheres piratas existiram e ainda existem hoje”, diz o autor, que assina a coluna “Piratas dos Sete Mares”, no jornal Página 3

Em maio deste ano, o Jornal Página 3 realizou com exclusividade a cobertura de pré-lançamento da obra “Mulheres Piratas – Uma História de Resistência e Transgressão’, do escritor Dalton Delfini Maziero, historiador paulista e especialista em arqueologia. 

Na ocasião, a pesquisa das “candidatas” à mulheres piratas estava em pleno desenvolvimento e uma ampla entrevista (Dalton Delfini Maziero: “Mulheres piratas existem, são reais, mas algumas relacionadas na internet são pura ficção”) mostrou os dilemas, dúvidas e expectativas do autor com relação ao resultado final de seu livro de abordagem inédita no Brasil.

A capa do livro (Arquivo Pessoal)

A obra recentemente publicada busca trazer uma reflexão sobre a imagem da mulher pirata, se de fato elas existiram e qual o seu papel enquanto mulher envolvida com a vida marítima.

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JP3 – Dalton, o que mudou em sua pesquisa desde nosso último encontro? Você continua seguro de que mulheres piratas existiram de fato?

Dalton – Muita coisa me surpreendeu nesta trajetória! Sim, eu continuo afirmando que elas existiram e existem ainda hoje, mas minhas pesquisas me levaram a um caminho que definitivamente provou que elas não vinham de um mesmo estrato social. O universo marítimo permitiu que as mulheres o explorassem sobre várias perspectivas, seja como pessoas aristocraticamente estabelecidas, seja enquanto meio de subsistência. Mas aos olhos da lei, todas eram bandidas dos mares e muitas foram julgadas como tal. 

Outra coisa que me surpreendeu foi a existência de uma certa flexibilidade da lei ao julgar e condenar as mulheres envolvidas com a pirataria marítima. Algumas foram poupadas da forca pelo fato de serem mulheres ou mesmo mães, ao contrário de seus maridos. 

Acredito que um dos maiores desafios dessa pesquisa foi entender que o próprio conceito de pirataria mudou com o passar dos tempos, e que muitas delas hoje não seriam consideradas mulheres piratas frente a definição contemporânea do que é “ser um pirata”. 

Desta forma, tive que adequar a análise da vida das mais de 60 mulheres que pesquisei ao seu respectivo período histórico, para enfim chegar à conclusão se elas foram ou não piratas de verdade em suas épocas.

Dalton Maziero, o autor do livro (Arquivo Pessoal)


JP3 – O resultado final da pesquisa ficou dentro do que esperava?

Dalton – Como escritor, eu procuro não estabelecer expectativas fechadas sobre o tema que abordo. Gosto mais de deixar a pesquisa me conduzir pelo que chamo de “caminhos obscuros da história”. A cada porta aberta, uma nova possibilidade de análise surgia e assim fui caminhando. Em determinado momento, decidi dividir o livro em duas partes. A primeira dedicada à teorização e questões envolvendo as mulheres (de forma geral) nos mares. Nela, apresento um panorama sobre a questão da sexualidade, a definição do que é ser um pirata, a presença não registrada das mulheres no mar entre outras questões. 

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Na segunda parte da obra eu faço um “Quem é Quem?”; uma relação de todas as mulheres acusadas de pirataria na história, desde a antiga Grécia até meados do século XX. 

Seguramente, esta foi uma das pesquisas mais difíceis que já fiz, mas fiquei muito satisfeito com o resultado. Contudo, não posso negar aquela sensação de que esta é uma pesquisa que não tem fim. Poderia levar uma vida estudando as mulheres piratas! Mas uma hora temos que colocar um fim e deixar outros pesquisadores seguir em frente diante de uma nova documentação que eventualmente surge aqui e ali; ou trazer futuramente uma versão atualizada, quem sabe…

JP3 – Você incluiu um subtítulo “uma história de resistência e transgressão”. O que isso significa?

Dalton – De fato, cheguei à conclusão que ao longo da história essas mulheres resistiam e transgrediam contra as convenções de suas respectivas sociedades. Elas pagaram um preço muito alto para abraçar a liberdade que significava ir aos mares; e muitas fizeram isso com uma impetuosidade admirável. Abriram mão de ter filhos, família e buscaram incessantemente um lugar no mundo que poderiam chamar de seu. Mas esta resistência e transgressão nunca foi motivada enquanto representação de gênero. Foram iniciativas individuais orientadas por situações as mais diversas, financeira, sexual e de identificação de gênero. Este foi um dos motivos da escolha da ilustração da capa, mesclando uma imagem que reflete a força e determinação da mulher frente aos desafios em assumir um espaço tradicionalmente masculino, aliado ao elemento da “Jolly Roger”, a bandeira pirata, flertando entre o imaginário mítico na história e um símbolo que represente a todas as mulheres que assumiram o papel de pirata.

JP3 – Para finalizar, uma pergunta mais pessoal. Qual é a sensação, como escritor, quando se encerra uma obra tão longa? Pretende voltar a escrever sobre piratas… alguma outra abordagem talvez?

Dalton – Confesso que fico esgotado física e psicologicamente ao final de cada pesquisa. Mas ao mesmo tempo é uma das maiores satisfações que se pode ter na vida: a de ver todo um esforço intelectual se materializando na forma de um livro. Mas é uma sensação bastante estranha quando tempos depois eu abro meu próprio livro e … Nossa! Eu escrevi isso? Parece que foi outra pessoa que escreveu! Neste momento eu desligo a cabeça e imediatamente começo a pensar na próxima aventura literária. 

Claro que irei voltar ao tema da pirataria, com certeza! O tema é inesgotável sobre diversas abordagens. Mas não farei isso neste momento. 

Agora pretendo escrever algo sobre as culturas pré-colombianas, provavelmente sobre Machu Picchu… 

Não posso deixar de mencionar também que a pesquisa para a obra sobre mulheres piratas gerou mais do que um livro! Nesta trajetória, acabamos por inaugurar a coluna “Piratas dos Sete Mares”, de caráter jornalístico aqui no Jornal Página 3, para falar sobre piratas e assuntos relacionados aos mares, como cidades submersas, naufrágios, tesouros perdidos, lendas e tudo o que cerca essa rica mitologia que envolve o tema. Assim, encerro convidando os leitores a conhecer mais esta novidade (Arquivos Piratas dos Sete Mares).

A obra “Mulheres Piratas – Uma História de Resistência e Transgressão’ pode ser adquirida com exclusividade pelo portal do Clube de Autores (Mulheres Piratas, por Dalton Delfini Maziero – Clube de Autores) ou em breve, nas melhores lojas da internet.

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