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Balneário Camboriú

“O Multiparque é um projeto idealizado pelo meu pai que vislumbrou o potencial desse modelo de parque para a região”

Entrevista com Juliana W. Tedesco dos Santos

A menina que conhece Balneário Camboriú desde que nasceu e acompanhou de perto o desenvolvimento da cidade, carrega uma herança familiar: a paixão pelo turismo e por tudo que ele pode oferecer. Aprendeu cada passo na prática, seguindo a experiência e os conselhos do pai, Júlio Tedesco que em fevereiro deste ano faleceu, vítima da Covid-19, aos 73 anos. 

Juliana e Aristides (Lu JP)

Ainda tentando se recuperar do choque, a família retomou os negócios do Grupo. Aos 44 anos, Juliana é a administradora da Tedesco Marina, do Atracadouro Barra Sul e do novo Multiparque, o último projeto do pai, anunciado publicamente no dia 28 de abril, no gabinete do prefeito Fabrício Oliveira. Há uma semana, quando o ministro do Turismo visitou Balneário Camboriú, Juliana e sua irmã Patrícia receberam uma homenagem póstuma por tudo o que o pai representou e representa para o turismo.

Formada em Administração e Direito, Juliana é casada com Aristides dos Santos Jr. e mãe de Júlio Henrique e Enrico. Além da paixão pelo turismo e por Balneário Camboriú, Juliana também herdou do pai viver intensamente a família e a vontade de trabalhar.

Nesta entrevista, concedida aos jornalistas Marlise Schneider Cezar e Waldemar Cezar Neto, Juliana fala sobre turismo, o futuro de Balneário Camboriú, a infância na praia e sobre a principal escola de sua vida, o pai. Acompanhe:

“A experiência da vivência diária com ele é nossa maior faculdade”

Família comemora inauguração do novo equipamento turístico: o Atracadouro Barra Sul. Na foto, Aristides, Juliana, Júlio, Vani e Patrícia (Lu JP)

JP3 – O seu pai foi o maior investidor em turismo na história de Balneário Camboriú. Isso faz recair sobre os ombros dos herdeiros uma responsabilidade, mas a impressão que temos aqui no jornal é que há alguns anos o seu pai vinha preparando vocês para darem continuidade nos empreendimentos. É correta essa nossa impressão? 

Juliana – Acredito que podemos falar no nosso trabalho junto com o pai, não em preparação, pois trabalhamos com ele nas empresas desde que começamos a faculdade. E a experiência da vivência diária com ele é nossa maior faculdade. O pai nunca buscou um sucessor, ele sempre teve pessoas de confiança ao seu lado e formou equipes de gestores para as empresas. Ele era e ainda é a figura forte do grupo, e todos estão seguindo como sempre foi e assim será, a continuação do trabalho de todos nos mesmos moldes e modelo de administração.

JP3 – O novo parque que irão construir, a Sra. entende que é a continuidade da visão da sua família que Balneário Camboriú precisa constantemente estar criando mais e mais atrações turísticas?

Juliana – A cidade tem vocação turística, então é quase que natural que surjam novos empreendimentos turísticos.  Mesmo só surgindo novos equipamentos turísticos mais de 20 anos após o teleférico, que foi o grande marco para a cidade.

E o Multiparque é um projeto idealizado pelo pai que vislumbrou o potencial desse modelo de parque para a região.

“Quanto mais a cidade for atraente em equipamentos turísticos, mais as pessoas permanecerão na cidade” 

JP3 – Depois que foi anunciado, despertou forte curiosidade na cidade. Quais serão as principais atrações do novo parque?

Juliana – Acho que o mix de atrações e atividades foi o que despertou essa curiosidade, por unir um parque aquático, um parque temático e um parque verde. O parque aquático com piscina com ondas e o rio lento, além dos tobogãs e espaço Kids. Ainda teremos uma área no parque aquático que será a primeira no Brasil, mas ainda é cedo para contar…Já o parque temático e o parque verde por estarem voltados para um grande lago será um cenário encantador, com atrações cuidadosamente selecionadas para atrair as famílias e nossa inspiração são os parques da Europa com muito verde e muito charme.

JP3 – Quando iniciará a construção e qual a previsão de inauguração?

Juliana – Estamos em fase de projetos, mas nossa previsão é 2023.

JP3 – Esse foi o último projeto do seu pai ou tem mais surpresas reservadas, porque ele pensava turismo o tempo todo…

Juliana – Na área de turismo esse foi o último projeto idealizado por ele, com certeza não seria o último, mas nas nossas indústrias temos muitos e grandes projetos já planejados por ele para os próximos anos. E na área de turismo o grupo continuará investindo na cidade.

JP3 – Apesar da pandemia, o mercado náutico está aquecido. Como está a movimentação na Marina? Há alguma programação planejada pós pandemia?

Juliana – O mercado náutico está bem aquecido, as embarcações foram um meio das pessoas conseguirem ter um lazer e ao mesmo tempo desfrutarem com mais frequência que o normal de momentos únicos que a vida a bordo proporciona.

(Divulgação/Parque Unipraias)

JP3 – O Parque Unipraias sempre inovando suas atrações tem novidades em andamento em curto ou médio prazo?

Juliana – O Parque Unipraias inaugurado em 1998 foi o pioneiro na cidade como atrativo turístico e em tecnologia.

Ao longo desses anos instalou novos equipamentos e sempre estão atentos aos lançamentos mundiais para planejar as próximas atrações para o parque.

JP3 – A Sra. acredita que as atrações turísticas que Balneário Camboriú possui, muitas delas concorrentes entre si, em algum momento terão que trabalhar juntas para atrair e reter o turista por mais tempo na cidade?

Juliana – Considero os equipamentos turísticos da cidade com características bem distintas que atraem diversos públicos.

Quanto mais a cidade for atraente em equipamentos turísticos alinhados ao comércio, a hotelaria e gastronomia de ponta mais as pessoas permanecerão na cidade para usufruir do melhor que a cidade pode oferecer. 

JP3 – A pandemia arrasou com o turismo, porém um segmento que parece mais prejudicado que os outros é o de navios de turismo. Seu pai foi o responsável por transformar Balneário Camboriú em destino de navios de cruzeiros. Que visão e expectativas a Sra. tem a respeito desse mercado nos próximos anos?

Juliana – A retomada irá acontecer logo, o mercado já está se movimentando. E o crescimento no Brasil será retomado com força.

JP3 – De todos os empreendimentos do Grupo, qual é a sua ‘menina-dos-olhos’?

Juliana – A marina, pelo envolvimento direto que tenho desde o início de tudo, desde quando eu morava no Canadá em Vancouver, no ano 2000, bem em frente ao Stanley Park, onde tinham barcos ancorados, e em uma das visitas do pai e da mãe, lembro o pai olhando aquela vista maravilhosa e ele caminhava o parque todo de manhã. Ele me disse ‘vamos começar a planejar a marina, visita no Canadá e Estados Unidos as marinas e quando tu voltar para o Brasil vamos começar o projeto’.

Juliana na Marina Tedesco – Juliana e a ‘menina dos olhos’, pelo envolvimento que teve desde o início da Marina Tedesco (Arquivo Pessoal)

“Quando chegávamos aqui era outro mundo…era uma sensação maravilhosa, ainda hoje é possível desfrutar a cidade assim” 

JP3 – A vocação turística da família começou com seu avô Normando, que repassou para seu pai Júlio, ambos visionários quando o assunto é turismo. A Sra.vive essa ‘herança’ desde que nasceu. Como lembra da sua infância em Balneário Camboriú?

Juliana – Bom venho para cá há 44 anos… e nesse tempo vi a Balneário da Avenida Atlântica de calçamento ser duas mãos, não ter Avenida Normando Tedesco beirando o rio, dos invernos ventosos, sem quase carros circulando pela Barra Sul. 

Vínhamos na época de férias escolares, ficávamos de dezembro até março, passávamos a manhã na praia, na época dos vendedores de picolé irem só até o Hotel Fischer e eu e minha irmã tínhamos que sair correndo do mar para chamar eles para garantir o picolé do dia de praia. 

Como morávamos em Porto Alegre, não era seguro sair a pé pela cidade, então quando chegávamos aqui era outro mundo, a mãe e o pai nos deixavam circular para a Barra Sul. Era uma sensação maravilhosa que ainda hoje é possível desfrutar a cidade assim. 

Passávamos as tardes no Shopping de Verão e no Boliche. No Shopping de Verão vendíamos pipoca com o Seu Maneca, depois tinha uma loja dentro do shopping que vendia blusões de lã confeccionados pelas esposas dos funcionários da fábrica de Caçador e eu ajudava nas vendas. Teve um verão que eu e a minha irmã vestíamos uma fantasia de pelúcia de personagens e passávamos a tarde circulando dentro dos Bondindinhos para fazer propaganda e atrair as crianças.

Chegávamos no pontal norte depois do Hotel Marambaia, no final da Avenida Atlântica, que não tinha acesso para a estrada da Rainha, tinha um bolsão que o Bondindinho fazia uma parada, então a gente descia em um restaurante que havia ali, comprávamos um refrigerante exaustas de tanto calor e tomávamos no banheiro para as pessoas não nos verem sem a fantasia para não perder o ‘encanto’. Na volta, na parada no Shopping de Verão, era uma atração o momento que as pessoas  vinham com as crianças para tirar fotos com os personagens, isso tínhamos 10 e 13 anos. 

Além das idas nos parques de diversão que eram montados no centro. Era sempre uma noite mágica quando o pai dizia que era dia de ir, uma lembrança muito marcante. As idas para a praia de Laranjeiras para passar o dia era uma aventura pois o morro era de chão batido.

São tantas boas lembranças … sem deixar de citar o Baturité outra fase muito boa vivida aqui.

“Nossa história com Balneário Camboriú tem 73 anos, desde a parada do meu avô por um incidente do destino e a partir dali foi o início dessa longa história que não terá fim, sempre vai ser escrita por nós, por nossos filhos e assim por diante”.

Família Tedesco recebendo o navio da MSC com o comandante Marco Massa, em BC (Arquivo Pessoal)

JP3 – Com o alargamento da faixa de areia Balneário Camboriú viverá uma nova etapa de desenvolvimento. Tem até um anfiteatro previsto no Molhe da Barra Sul, depois do alargamento. Como será a Balneário Camboriú do futuro?

Juliana – Uma cidade mais intensa do que já é hoje, na minha opinião, o melhor lugar para se viver.

JP3 – Quais são as suas expectativas com relação à continuidade do Grupo em Balneário Camboriú, cidade que sempre foi uma das paixões do seu pai?

Juliana – Nossa história com Balneário Camboriú tem 73 anos, desde a parada do meu avô por um incidente do destino e a partir dali foi o início dessa longa história que não terá fim, sempre vai ser escrita por nós, por nossos filhos e assim por diante.

Desde o Mini Golf criado pelo meu avô por volta de 1960, pelo Parque Unipraias com seus 23 anos, pela Tedesco Marina que transformou o mercado náutico em Santa Catarina em 2006 e agora com o Multiparque que vem a somar nessa linha do tempo.

Além de todos os anos dessa longa história de investimentos na cidade que contribuíram para que ela fosse o que é hoje.

Inaguração do Atracadouro Barra Sul (Lu JP)

“Ele era e ainda é a figura forte do Grupo, e todos estão seguindo como sempre foi e assim será”.

JP3 – Qual foi o maior legado que ele deixou para suas herdeiras?

Juliana – A coragem, o otimismo, a alegria de viver, a intensidade de ser, a união da nossa família, a razão de tudo isso era e é estarmos juntos. Para nós a vida é uma intensa comemoração, brindávamos sempre pelos dias bons, conquistas, vitórias e até os dias ruins, mas brindávamos, porque o importante para nós sempre foram os dias vividos, o aprendizado e os momentos compartilhados sempre.

Júlio com as filhas e netos na Fábrica Primo Tedesco, em Caçador (Arquivo Pessoal)

“O importante para nós sempre foram os dias vividos,
o aprendizado e os momentos compartilhados sempre”

Por: Marlise Schneider Cezar e Waldemar Cezar Neto

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