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Balneário Camboriú

Dia das Crianças: pequenos opinam sobre a pandemia, retorno das aulas e sobre essa data tão esperada

Na próxima terça-feira (12) é comemorado o Dia das Crianças, e também de Nossa Senhora Aparecida. O público infantil foi um dos mais afetados pela pandemia, já que precisaram ficar longe da escola – que além do aprendizado também traz o contato com seus pares, crianças de suas idades.

 O jornal ouviu crianças de diferentes idades para saber como elas vêem tudo o que aconteceu de março/2020 até hoje, e como se sentem em relação ao Dia das Crianças deste ano, dentro do ‘novo normal’.

“É um dia livre e que ainda podemos ganhar presentes” 

Davi Zonta Pinheiro

12 anos

(foto Arquivo pessoal)

“Em 2020, estudar só em casa não foi nada fácil. Nem sempre a gente escutava o professor direito e tudo era muito novo. 

Neste ano, voltamos para a escola e tudo ficou mais fácil. 

Estar com os colegas na sala de aula também é mais legal e produtivo. 

O Dia das Crianças às vezes passa muito rápido. Na nossa escola, por exemplo, não tem comemoração para o Fundamental 2, apenas para os mais pequenos. 

Mas entendo que é bom comemorar o Dia da Criança, principalmente porque é um dia livre e que ainda podemos ganhar presentes. 

Para o Dia das Crianças deste ano, por exemplo, pedi um jogo de cartas, que se chama Timeline”.

……

“Dia das Crianças é o dia de ganhar presente” 

Cecília Blonkovski Prezzi

4 anos, estuda no CEI Vila do Saber

(foto Arquivo pessoal)

“Ficar em casa na pandemia foi legal, mas senti saudade dos meus amigos [da escola]. Não tenho mais medo do Coronavírus, porque a gente usa máscara. Se ele aparecer, eu luto com ele. Voltar para a escola foi legal, eu gostei. Antes a gente assistia aula pela TV, eu gostava. Dia das Crianças é o dia de ganhar presente, de ficar rico de presente! Eu pedi uma LOL Surprise”. 

A mãe de Cecília, Débora Blonkovski, acrescentou que neste dia eles costumam sair passear, fazer um piquenique, e o Dia será ainda mais especial porque é o primeiro com o irmãozinho de Ceci, Pedro, que tem 1 ano. 

…………

“É melhor porque dá para a gente ter mais contato” 

Anthonela Valle Floriane

8 anos, aluna do 3°ano C do Centro Educacional Municipal (CEM) Armando César Ghislandi

(foto PMBC)

“Eu achei muito legal a volta das aulas presenciais porque a gente pôde rever os amigos, rever os professores e é melhor porque dá para a gente ter mais contato, dá para aprender melhor! 

E como eu não tenho irmãos na minha casa, eu não tenho ninguém para brincar e agora no recreio a gente pode brincar com os amigos. Eu achei muito legal”.

….

“Voltar para o presencial foi melhor” 

Maria Fernanda Fachini Achutti

7 anos, estuda no 2º ano F do Colégio Anglo; ela é filha do vereador Marcelo Achutti

(foto Arquivo pessoal)

“A pandemia foi uma época difícil porque eu não pude ver os meus amigos, não pude ver os meus avós, as pessoas que eu amo. 

Eu não podia brincar em praças, praias, abraçar, beijar. 

Além disso, a gente não teve mais aula, só aula online. 

Eu quero agradecer ao Colégio Anglo porque eles disponibilizaram todos os materiais escolares, tudo o que eu poderia precisar para a aula online, porque se não, eu não conseguiria me formar no meu 1º ano. 

Voltar para o presencial foi melhor, porque eu consegui aprender mais, ver os meus colegas, consegui ver mais conteúdo, prestar mais atenção na aula, brincar. 

Nada melhor do que voltar para a aula porque consegui conhecer uma prof muito querida, que é a prof Paula. 

Eu quero de Dia das Crianças saúde, que pare um pouco a Covid, fazer mais vacinas. Mas se o papai e a mamãe quiserem me dar um presentinho, podem me dar (risos). Além de ser o Dia das Crianças, é o Dia de Nossa Senhora Aparecida, que é a padroeira do Brasil. Toda noite a gente reza para ela, para proteger quem a gente ama”.

….. 

“Quando voltei para a escola, fiquei com medo e chorava às vezes” 

Betina Juliani Sansão

7 anos, aluna do colégio Clotilde Ramos Chaves, de Camboriú

(foto Arquivo pessoal)

“Na pandemia eu me senti insegura e com medo de sair de casa. Hoje, eu já me acostumei com o distanciamento, máscara e álcool em gel. Quando voltei para a escola, fiquei com medo e chorava às vezes. 

Eu não gostei de ficar longe da escola, senti muita saudade das minhas colegas. 

O Dia das Crianças é uma data muito importante, um dia muito feliz! De presente eu pedi um livro do Gato Galáctico”.

…..

“As aulas online são boas até, mas eu prefiro a presencial” 

Lucas Ismael Pereira

8 anos, estuda no CEM Dona Lili

(foto Arquivo pessoal)

“Sobre a pandemia, eu entendo que teve um vírus que entrou na cidade e começou a matar todo mundo, mas agora, graças a Deus, já estão projetando uma cura para isso. 

Eu me sinto triste, porque está todo mundo morrendo, eu sinto medo que alguém da família pegue, mas muitos já pegaram e estão todos bem, está todo mundo imune. 

As aulas online são boas até, mas eu prefiro a presencial. 

Eu gosto das duas, mas a presencial é estranha porque tem que usar máscara o tempo todo, passar álcool. 

Eu gosto porque tenho meus colegas, meus professores, eu gosto que todo mundo fique perto de mim. 

De Dia das Crianças eu pedi um jogo de tabuleiro, o War, e costumo sair com a minha família tomar sorvete, vou na minha avó, ganho mais presente, como lanche”.

…..

“Já me vacinei e foi bem legal” 

Mauro Henrique de Wergenes

13 anos, aluno do Colégio Visão, de Camboriú

(foto Arquivo pessoal)

“Com a pandemia, eu vi que precisava focar mais nos estudos. Mesmo com a ajuda do Google, porque todo mundo colou né, eu vi que precisava estudar para quando viesse o presencial. 

E eu estou conseguindo, tirei poucas notas baixas neste ano. Eu percebi que prefiro bem mais as aulas presenciais. 

Tudo teve seu lado bom e seu lado ruim, eu gosto muito de ficar em casa, então nesse ponto foi bom. 

Mas o problema foi ficar muito tempo em casa, e disso não gostei. 

E foi uma catástrofe, né? Vejo que não temos um governo que saiba lidar com isso [com a pandemia], tanto que na Austrália tinham bem menos casos, e aqui chegamos a ter duas mil mortes por dia. 

Até agora continuamos sendo um dos países com mais casos. Foi uma pandemia que tirou muitas vidas, mas ainda bem que agora reduziu bastante. 

Antes não podíamos sair do portão sem máscara, agora posso ir sem máscara e colocar só quando chego na escola. Achei ok usar máscara, porque já não respiro direito (risos). Já me vacinei e foi bem legal. Doeu um pouco, mas foi bem legal. 

A vacina é importante para nos protegermos. Agora quem pegar Covid e vacinado é bem mais fácil de sobrevivermos. Não sinto mais diferença no Dia das Crianças (risos), porque o que eu gosto é de faltar a aula! 

Eu pedia normalmente brinquedo, eu pedi neste ano uma camisa de time. Mas nunca tenho muita criatividade para pedir presente. Antes, na escola, faziam atividades. Agora não sei se vão fazer porque já estou no 8º ano. 

Na pandemia conversei com os meus amigos, jogávamos online juntos [Freefire], depois das aulas. Trabalhos fazíamos em grupo online. E até seguimos fazendo assim, pelo Meet, porque enquanto vamos falando, vamos pesquisando. É melhor”.

……

“Vai ser muito especial” 

Nicole Sauer Ferrari

7 anos, aluna do 2° ano E, do CEM Armando César Ghislandi

(foto PMBC)

“O Dia das Crianças vai ser muito especial para muitas crianças da minha escola e do mundo também! Eu tenho certeza que vamos ter na escola muitos dias especiais para todos nós”. 


Psicólogas falam sobre a importância do retorno das aulas presenciais 

“Não tem como haver educação de qualidade se a família não estiver inserida” 

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Josiane Hoepers, psicóloga e Coordenadora Técnica na Associação de Proteção Acolhimento e Inclusão Social (PAIS)

(foto Arquivo Pessoal)

“Acredito que todos, após a pandemia, viram o real valor que um professor tem. Os pais precisaram ser professores durante o tempo de aulas online, quando as crianças foram muito afetadas pela falta da presença dos professores. 

Os pais se aproximaram também, porque precisavam observar se os filhos estavam fazendo as atividades. Os professores tiveram trabalho dobrado – até então não percebíamos o quanto a estrutura virtual, essa inclusão digital, era essencial. Conseguimos ver realmente a realidade, algo que antes não precisávamos pensar sobre. 

O retorno presencial foi muito importante, porque a escola não é só um espaço de educar, é também de socialização, sobre o brincar, estar com seus pares. 

É importante para a saúde mental, qualidade de vida, e ainda para os pais/responsáveis retomarem seus trabalhos, mas vejo que é muito importante que o contato e atenção que precisaram ter no online, continue. 

A função de educar deve ser da família e da escola, essa junção é fundamental. 

Não tem como haver educação de qualidade se a família não estiver inserida. Já quando se trata de violência [em casa], a escola são os olhos e ouvidos. 

É na escola em que a criança se expressa, conta o que acontece em casa. 

É muito importante essa presença para a proteção da criança. Às vezes ela não conta para um parente, mas pode contar para o professor, para um funcionário do colégio. 

Tanto o Dia dos Professores quanto o Dia das Crianças são de extrema importância – os professores fazem parte dessa formação, são muito importantes para a fase de desenvolvimento da criança e do adolescente, sem eles não teríamos todas as outras profissões. 

O Brasil seria um país muito melhor se essa classe fosse mais valorizada, olhada com o carinho e respeito que merece. Já o Dia das Crianças se trata do direito da criança de viver a infância”. 


“A escola, hoje, acaba tendo uma função muito além do ensinar conteúdos” 

(credito – Divugação)

Cecília Dieguez Ferreira e Adriana Mattos Weber Lemos, psicólogas da Secretaria de Educação de Balneário Camboriú

“No que diz respeito ao retorno das aulas 100% presenciais, do ponto de vista psicológico, vemos como necessário, importante e essencial, porque nós seres humanos somos seres sociáveis. E as crianças já foram privadas dessa convivência, das relações, do acolhimento na escola, devido ao Covid, então a escola, hoje, acaba tendo uma função muito além do ensinar conteúdos, mas sim de olhar com outro olhar, de ver esses alunos na sua totalidade, que vai contribuir para a construção da autoestima e da superação dos possíveis danos que esse isolamento social pode ter causado na vida dessas crianças e adolescentes”. 


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