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Página 3 completa 31 anos e ganha novas coleções encadernadas para doar ao Arquivo Histórico

O Jornal Página 3 completa 31 anos nesta terça-feira, 26 de julho e recebeu de presente 15 volumes encadernados, que também serão doados ao Arquivo Histórico de Balneário Camboriú

Os volumes foram presentados pela Encadernadora 5 Estrelas, empresa que está à venda, e foram feitos pelo seu proprietário Gerhardt Wilmar Fallgatter.  

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No ano passado, quando o jornal comemorou 30 anos, doou seu acervo – volumes encadernados e fotografias – , ao Arquivo Histórico. Todos aqueles volumes encadernados e doados no ano passado, foram feitos pela mesma encadernadora, nos últimos 30 anos.

“Estes jornais estavam guardados aqui há muitos anos, aguardando sua vez de encadernar. Mas depois veio a internet, o jornal tornou-se online e aquele material foi ficando… como a empresa agora está à venda, olhei todos esses jornais e pensei, não vou botar tudo isso fora… então encadernei estes 15 volumes quando o Página 3 era tamanho tablóide”, disse Wilmar, sobre o presente.

Esta semana a reportagem foi até a Encadernadora 5 Estrelas para agradecer o presente e informar que estes 15 volumes também serão doados ao Arquivo Histórico junto com esta reportagem, afinal é a doação de uma doação.

Wilmar tem 83 anos, é natural de Canoinhas, casado com Renate. O casal tem três filhas, as professoras Fernanda e Kethleen e Simone (in memoriam). 

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Antes de abrir a Encadernadora 5 Estrelas, foi relojoeiro. 

Seu Wilmar surpreendeu e emocionou a todos com o presentão. Na foto, com a jornalista Marlise Schneider Cezar, uma das fundadoras do jornal em 26 de julho de 1991. (Foto Pedro Cezar Schmidt)

Acompanhe:

JP3 – O Sr. presenteou o jornal com esta doação valiosa que agora doaremos ao Arquivo Histórico. Por quê o Sr. vai parar?

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Wilmar – É o tempo de trabalho, não tenho mais aquele pique, a empresa tem quase 30 anos…

JP3 – O Sr. é um dos únicos artesãos da região que faz esse trabalho de encadernação com lombada, letras douradas…

Wilmar – É, sou eu, mas não é só a encadernação, também fazemos restauração em livros, com costura…ninguém por aqui faz esta arte de desmanchar um livro e montar ele novamente…pegar um livro velho, montar ele do zero, refazer a capa, deixar ele novo…tudo isso precisa ser profissional, eu vou vender a encadernadora, mas quero ensinar o outro a fazer tudo isso, né?

Um ‘antes’ e ‘depois’ da restauração (Foto Waldemar Cezar Neto)

JP3 – O Sr. se especializou em restauração…

Wilmar – Sim, foi um ano viajando toda semana para São Paulo. Quando viemos para Balneário Camboriú, decidi ampliar o trabalho e então pegava o ônibus toda quarta-feira para São Paulo. Fazia curso quinta-feira o dia todo e na sexta voltava para cá. Um ano aprendendo. Esta arte se aprende assim, fazendo. E foi um investimento com custo alto, o curso, o ônibus, a estadia, o tempo das viagens…

A ‘costura’ minuciosa que torna-se invisível sob a capa (Foto Waldemar Cezar Neto)

JP3 – O Sr. acha que é uma profissão em extinção?

Wilmar – Não, eu acho que não está em extinção, porque essa recuperação, restauro, sempre vai ter o que fazer. No exterior e nas bibliotecas nacionais estes profissionais sempre vão existir. São formados no exterior. Quando eu fazia o curso, tinha lá na escola um curso com espanhóis, mas já era um grau superior do que aquele que eu fazia.

JP3 – Hoje as pessoas lêem menos livros…

Wilmar – Ainda lêem e muitas pessoas têm paixão por livros. Quando querem recuperar um livro de coleção, de estimação, nos procuram. Às vezes é o livro todo, outras é só restaurar a capa ou algumas partes danificadas.

Guilhotina da encadernadora (Foto Waldemar Cezar Neto)

JP3 – É um trabalho de arte mesmo. As pessoas nem imaginam como é feito…

Wilmar – Costurar o livro é mesmo uma arte…depois ele é encadernado, cobre tudo, ninguém vê o que tem por dentro, o trabalho que dá para recompor, refazer, restaurar. Tinha uma professora no curso que dizia que uma grande coisa nesta profissão é que você faz tudo, fecha tudo e ninguém imagina e vê como é feito esse trabalho. Talvez por isso não valorizam, porque não sabem como isso acontece. 

JP3 – Além de particulares, quem mais usa o trabalho da encadernadora?

Wilmar – As empresas, manuais, concursos, trabalhos…

Restauração e recuperação de livros nunca vão acabar, diz seu Wimar. (Foto Waldemar Cezar Neto)

JP3 – Por que decidiu morar em Balneário?

Wilmar – Meu pai já morava aqui. Então eu sempre frequentava a praia. Ele tinha tipografia em Canoinhas e uma casa aqui na praia.

JP3 – O Sr. sempre trabalhou nessa profissão?

Wilmar – Não, durante quase 15 anos fui relojoeiro, era uma época em que você tinha que fazer a peça, não era como hoje, que só trocam a peça. Era bem difícil. A gente escrevia uma cartinha para São Paulo pedindo a peça, mas demorava muito. Então tive que aprender a fazer a peça…

JP3 – Depois veio a tipografia, uma herança do pai…

“Entrego com sentimento de dever cumprido”, disse seu Wilmar sobre a venda da encadernadora. (Foto Waldemar Cezar Neto)

Wilmar – Sim e então decidimos mudar para cá definitivamente e em 1993 abrimos a encadernadora.

JP3 – Ano que vem 30 anos! Qual é o sentimento?

Wilmar – Entrego com sentimento de dever cumprido. Trabalhamos muito, construímos nossa profissão, nossa empresa e agora encerro com essa sensação, de ter feito o que quis fazer…mas junto com a venda, gostaria de ensinar esse aprendizado, essa experiência toda…aí vai estar tudo completo!

A Encadernadora 5 Estrelas está localizada na Rua 1542, num.140. 

Contato: 47 – 33634271

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