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Balneário Camboriú
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Três décadas depois, fechamento da Praia do Pinho, chega novamente à Câmara de Balneário Camboriú

Esta é a segunda tentativa de acabar com a primeira praia naturista do país

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O vereador Anderson Santos está propondo que a Praia do Pinho, pioneira no naturismo no Brasil, deixe de ser uma praia nudista, por conta das denúncias de atos sexuais e obcenidades na parte acessada por mata. 

Outra motivação é que aquela praia que divulgou Balneário Camboriú no Brasil e no exterior, seja aberta ao público e concorra à certificação da Bandeira Azul.

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Em defesa do seu projeto, o vereador alega que a praia deixou de ter sua ‘função’ inicial, porque segundo ele, não tem mais muitos frequentadores naturistas e respeitosos. 

Por fim, acrescenta que o turismo não se encaixa mais nisso, porque Balneário é voltada para o turismo familiar. 

Diante dos argumentos elencados, a iniciativa do vereador ainda deixa dúvidas: 

É realmente a questão ‘moral’ que move o vereador?

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Ou seria uma pressão imobiliária motivada pelo forte crescimento de Balneário Camboriú nos últimos anos? 

O Página 3 ouviu autoridades e envolvidos na causa, que expressaram suas opiniões. Acompanhe.


Projeto pensado há mais de um ano

Divulgação/Gabinete

Ao Página 3, Anderson disse que protocolou o projeto no dia 15 de julho e não foi algo do dia para a noite. Segundo ele, a ideia de protocolar já vem sendo discutida há mais de um ano. 

“Desde então venho ouvindo lideranças da comunidade e em reuniões da APA Costa Brava fala-se muito disso. Me encorajei a protocolar esse projeto, após ver um vídeo muito depreciativo, com conteúdo pornográfico e atos ilícitos. É revoltante porque a nossa cidade é voltada para o turismo familiar. Tem potencial para atrair pessoas no geral, e hoje tem má avaliação em sites como no TripAdvisor, e isso afeta Balneário”, pontuou.

Praia não tem a mesma ‘função’ do início, diz vereador

Anderson salienta que a ideia do projeto é realmente que na Praia do Pinho deixe de existir a prática do nudismo, lembrando que ela tem uma beleza natural e características para ser credenciada como Bandeira Azul, mas que para isso acontecer precisa deixar de ter ‘a parte do nudismo’. 

“É algo que precisamos mudar, para que as pessoas possam frequentar de forma normal, melhorando o nosso turismo. Hoje é uma praia que já não tem a mesma função do início. Acredito que já não tem muitos frequentadores que de fato são naturistas e respeitosos. Soube que a maioria dos frequentadores vão para lá com objetivos deturpados. Há imagens de sexo explícito, e a prática do nudismo elimina provas, porque podem dizer ‘estou nu porque é praia de nudismo’. É uma promiscuidade muito forte que acontece”, acrescentou.

“A gente precisa ter uma atitude”

Ele acredita que só fiscalizar não basta, porque o turismo de Balneário já ‘não se encaixa mais nisso’ [no naturismo]. 

Agora o projeto vai para o Jurídico da Câmara fazer as suas manifestações, provavelmente Anderson terá que fazer uma audiência pública, então passará pelas comissões e, se seguir tramitando, deverá ir para o plenário neste segundo semestre. 

“Sei que é polêmico, mas a gente precisa ter uma atitude. Precisa ser uma praia para todos os públicos, para agregar e trazer benefícios para a nossa cidade, acabando com notícias ruins que temos hoje”, completou.


OPINIÕES

“Os naturistas seguem o código de ética” 

Arquivo Pessoal

Susan Galz, uma das administradoras da Associação Naturistas da Praia do Pinho

“Acredito que seja mais uma das batalhas para manter o local Naturista. Não concordo que a praia tenha virado local para uso de drogas ou atos sexuais como o político alega. já foram sim flagrados atos obscenos nos cantos afastados da praia, assim como em outros locais também ocorrem, mesmo que indevidamente. 

Ou seja, em primeiro lugar são casos isolados, depois a culpa não é do naturismo, pois os naturistas seguem o código de ética que é contra qualquer ato de conotação sexual e de uso de drogas ilícitas. 

Dessa forma nos sentimos ainda mais incomodados nos casos em que situações como estas ocorrem em um dos poucos espaços reservados para o naturismo. Tanto que inclusive já protocolamos solicitação de maior ronda policial nestas áreas para garantir nossa própria segurança”.


“Poderia ser conhecida por muito mais gente”

(Arquivo pessoal)

Geninho Góes, secretário de Turismo de Balneário Camboriú

“Como  o próprio nome diz, o naturismo remete a uma vida em sintonia com a natureza… porém, não é bem o que ouço falar a respeito da Praia do Pinho ultimamente. 

Quando surgiu os tempos eram outros, o nudismo era um tabu maior ainda, e despertava interesse que até revistas se vendiam com o tema. Ou seja, o acesso à imagem de um corpo nu era restrito, não quer dizer que a curiosidade hoje não seja a mesma, porém o acesso é bem maior com o advento das redes sociais. 

Se a Praia do Pinho fosse realmente para o propósito da filosofia da prática do naturismo, seria um nicho de mercado, por outro lado ela poderia ser conhecida por muito mais gente. 

Acredito que a maioria dos próprios moradores não frequentam e não conhecem o local, ou seja, temos uma praia paradisíaca e com acesso limitado”.


“Sempre haverá o constrangimento”

(Arquivo pessoal)

Heloísa Furtado Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“Existe um entendimento no Conselho Gestor da APA do subaproveitamento da Praia do Pinho e isso já foi discutido nas reuniões. Ela é uma das mais bonitas de Balneário Camboriú, mas se você fizer uma enquete descobrirá que a maioria dos moradores não conhece a praia, ou apenas foi uma vez porque se sente constrangido. 

As praias são locais definidos em constituição como espaços de livre acesso a todos e quando ela está destinada a prática de uma atividade tão restrita que apenas um grupo minoritário pratica, você está impedindo o uso pela maioria. 

Ainda que existam regras de convivência e que ninguém possa ser impedido de frequentar a praia vestido, há um constrangimento real que impede os demais banhistas de irem até o local. 

A regra é livre acesso, porém, mais de uma vez nossas equipes em trabalho de vistoria/fiscalização foram abordadas por naturistas, e foram informados que não poderiam acessar a praia por estarem vestidos. Isso é ilegal e se acontece com agentes públicos em trabalho, imagina como as pessoas são constrangidas se quiserem ir ao local para passear, tomar sol/banho, pescar ou praticar esportes. 

A praia tem potencial e está pronta para certificação Bandeira Azul, mas o fato de ser naturista pode gerar problemas operacionais, tais como na contratação de pessoas para trabalhar na praia. Sempre haverá o constrangimento de trabalhar onde as pessoas estão nuas e não há como obrigar um funcionário a essa exposição. Entendemos a filosofia naturista e não há qualquer preconceito quanto à prática, mas quando ela está sendo realizada em local público sempre haverá a exclusão dos demais que também querem frequentar aquela praia e estão se sentindo constrangidas. 

No entanto, a alteração da vocação ao naturismo só pode ser feita através de alteração no Plano Diretor e haverá o momento de discutir isso junto a comunidade”.


Forças da segurança dizem que não há ocorrências no local

Uma das justificativas que o vereador Anderson Santos usa no seu projeto é a insegurança da localidade. Considerando isso, o Página 3 conversou com os Comandantes da Guarda Municipal e Polícia Militar de Balneário Camboriú, Douglas Ferraz e Daniel Nunes da Silva, respectivamente.

“Quase zero”

(Divulgação/GM)

Douglas Ferraz, Comandante da Guarda Municipal de Balneário Camboriú

“A GM faz patrulhamento na Praia do Pinho, assim como em todas as praias agrestes. Os indicadores de práticas ilícitas lá, por conta da abertura de ocorrências via 153, são quase zero. Mesmo nas rondas preventivas pouquíssimas vezes a guarnição é chamada por algum banhista para relatar qualquer tipo de abuso, bem como não é flagrado pela guarnição nenhum crime. 

Mas reiteramos que é fundamental que a população acione a Guarda Municipal no momento em que alguma movimentação suspeita for percebida”.


“Bem reduzidas as denúncias”

(Divulgação/PM)

Tenente-Coronel Daniel Nunes da Silva, Comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar de Balneário Camboriú

“São bem reduzidas as denúncias, não trazem problemas de segurança pública. Não temos relatos nesses últimos anos de ocorrências graves que demandaram atendimentos por parte da PM. São muito reduzidas as denúncias de importunação sexual ou crimes do tipo. Não é algo que perturba e que preocupa a PM. É de fato bem tranquilo”.

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