Figue Diel e Vera Quaresma de Balneário Camboriú, destaques no Mundial de Surf, na Califórnia

Vera conquistou medalha de prata e Figue ficou em quarto lugar na competição do ParaSurf mais importante do mundo

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Os surfistas de Balneário Camboriú, Figue Diel e Vera Quaresma, campeões brasileiros, conquistaram posição de destaque no Mundial de ParaSurf, disputado na Califórnia, na primeira semana deste mês. 

Vera conquistou medalha de prata, pelo terceiro ano consecutivo, e Figue ficou em quarto lugar na corrida decisiva do Isa Games, a competição mais importante do planeta para o surf adaptado.

Eles foram decisivos na soma de pontos para conquista do troféu de bronze para o Brasil.

Figue, 52 anos, é tetracampeão brasileiro na categoria Deficiência Visual, disputou os nove Mundiais realizados até hoje e esteve no pódio em oito deles: é tricampeão mundial (2021/2022/2024), três vezes vice-campeão mundial (2016/2017/2020) e dois bronze (2018/2023). Em 2019 o Mundial não aconteceu por causa da pandemia e neste ano, ficou em quarto lugar.

Vera, 44 anos, é tricampeã brasileira na categoria PS-Kneel / Upright que surfa de joelhos, é três vezes vice-campeã mundial (2023/2024/2025).

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A prática esportiva é um caminho adotado pelos dois atletas, para superar as perdas que sofreram em acidentes de trânsito. Figue aos 16 anos perdeu totalmente a visão e Vera, em 2010, sofreu amputação da perna esquerda e tem lesões graves no quadril e braço direito.

Time Brasil é o terceiro melhor do mundo no ParaSurf / Divulgação

Nesta reportagem, Figue e Vera falam sobre o Mundial, sobre a importância do esporte em suas vidas, mas lamentam a falta de apoio por parte dos órgãos esportivos e afirmam que nunca perdem a esperança do surf adaptado receber o reconhecimento que merece, afinal entre 21 países, a equipe brasileira foi a terceira melhor do mundo.  

Acompanhe o depoimento dos campeões:

Vera Quaresma“Estar presente em um Campeonato Mundial é uma experiência riquíssima”

“É uma honra fazer parte do time brasileiro”, disse a vice-campeã mundial / Divulgação

“Fazer parte do time brasileiro foi uma honra, e poder torcer por cada atleta da equipe, ao vivo, trouxe uma alegria imensa. Juntos, conquistamos o terceiro lugar entre 21 países, um resultado inspirador. 

Nos preparativos para o Mundial, pude acompanhar de perto a luta de muitos atletas para conseguir patrocínio. É um momento de grande tensão: ter um título brasileiro e, ainda assim, não dispor de recursos suficientes para participar, correndo o risco de ficar de fora da maior competição do ano.

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Esse movimento coletivo me chamou, profundamente, a atenção. A garra de cada integrante da equipe merece ser reconhecida, assim como minha gratidão àqueles que fizeram parcerias e tornaram nossa participação possível. 

Estar presente em um Campeonato Mundial é uma experiência riquíssima: uma troca global de saberes, uma janela para olhar o mundo por meio do esporte e uma oportunidade de mostrar como nossa localidade também tem muito a contribuir.

Particularmente, vivi dias intensos no PIR de Oceanside: reencontrei muitos parasurfistas, conheci outros tantos, me concentrei nos treinos para alcançar meu objetivo e torci pelo meu time, tudo em uma atmosfera marcada pelo trabalho, pela paixão pelo surf e por uma profunda gratidão pela vida. Depois de tantas provações, estar ali novamente este ano teve um significado especial.

No final, pude trazer para o Brasil a medalha de prata, meu terceiro título consecutivo. Voltei para casa animada e já preparada para montar meu plano de preparação para 2026”.

Figue Diel: “Vamos esperar que ano que vem tenhamos um respaldo maior e melhor da nossa CB Surf”

“Felicidade fazer parte desta equipe que vê o surf como ferramenta de vida” / Divulgação

“Felicidade grande fazer parte desta equipe da CB Surf, representar o Brasil, uma equipe de pessoas que veem o surf como uma grande ferramenta de vida, de felicidade, inclusive de oportunidade de trabalho, através das bolsas, patrocínios para conseguir viver do surf.

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Para mim que faço parte desde o primeiro campeonato, vejo toda essa construção acontecendo.

Minha participação esse ano foi boa, participei de todas as finais até hoje, esse ano fiquei em quarto lugar, foi meu pior resultados de todos esses 9 anos, mas a gente encontrou uma final com mar difícil, que virou a ondulação que veio de norte, estava inclusive perigoso, foi complicado nosso posicionamento, o tempo vai passando, fui ficando nervoso, tenso e não consegui pegar as ondas que eu queria, mas competição é assim mesmo, é na hora que a gente precisa resolver rapidamente o que fazer e desta vez não deu tempo.

Vejo uma evolução muito grande dos surfistas da minha categoria, em primeiro lugar ficou o francês Thomaz, em segundo, o australiano Kirk, em terceiro, o alemão Ben. É o terceiro ano seguido que nós quatro fazemos a final e vejo a evolução deles a cada ano, o que mostra a capacidade do surfista cego evoluir, crescer, ainda tem muito campo para evoluir, mas é um esporte em permanente evolução.

Viajamos motivados, mesmo sabendo da dificuldade muito grande de apoio da CB Surf e todo ano é igual, chega em cima da hora, a gente esperando um apoio, que não vem. Em 2021 e 2022 teve apoio com financiamento para a equipe e foi prometido que nos próximos anos ia melhorar e que o parasurf ia ter todo apoio, e agora vemos esse declínio, infelizmente tem atletas e equipes com muita dificuldade para se manter lá, porque o custo é alto nos EUA. Então é realmente por amor, dedicação ao esporte, a querer representar o Brasil, que infelizmente deixa a desejar nesse quesito de apoio e o Brasil ficou em terceiro lugar entre 21 nações…sempre lembrando que a Isa Games valoriza muito o resultado por equipes, mais ainda que o resultado individual, então o Brasil teve um grande resultado e zero apoio dos órgãos esportivos do país..

Estamos aí fazendo a nossa parte, o nosso melhor, tem mais um ano pela frente, vamos esperar que no ano que vem tenhamos um respaldo maior e melhor da nossa CB Surf.

Agora mais um ano de treino, mais um ano de surf, o esporte é essa grande ferramenta de vida, saúde, alegria e de felicidade, sempre trabalhando para que a gente possa viver da maneira mais saudável.

Que tenhamos um ano de boas ondas e aqui mais uma vez fica nosso pedido para que se faça um olhar melhor para nosso parasurf”.

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