Fórum Nacional de Dança reúne profissionais de todo o país em São Paulo

Produtor cultural de Balneário Camboriú representa a cultura urbana do Litoral e do Vale do Itajaí neste evento

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Sam Carvalho, transmasculino, arte-educador, produtor cultural que atua há mais de 16 anos com dança, educação e cultura urbana em Santa Catarina, representando as regiões do Litoral Norte e Vale do Itajaí, estará participando do 17º Fórum Nacional de Dança, que inicia nesta quarta-feira (20) e segue até sábado (23), no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Estão inscritos profissionais da dança de todo o país para discutir os rumos da profissão, políticas públicas e o futuro da dança no Brasil.

“Participar desse espaço também representa levar as vivências das danças urbanas, da educação pública, dos projetos sociais e das realidades culturais do Litoral Norte e Vale do Itajaí para dentro de um debate nacional sobre cultura, empregabilidade, reconhecimento profissional e acesso à dança”, disse Sam, enfatizando que a dança faz parte da sua trajetória profissional, política e humana. 

“Venho das danças urbanas, dos projetos sociais e da educação pública, e vejo diariamente como a dança cria pertencimento, fortalece a autoestima e transforma vidas, principalmente quando chega de forma acessível às periferias, às crianças e aos jovens”, acrescentou.

Hoje Sam atua como oficineiro da Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família de Balneário Camboriú, desenvolvendo trabalhos através da dança e da cultura urbana. 

“Eu gostaria de estar dando aula também em outros espaços públicos da região, como eu estava no ano passado na Fundação Cultural de Camboriú. Porque foi através de oportunidades semelhantes que eu também tive um início profissional dentro da dança. É justamente por isso que eu defendo o fortalecimento do acesso gratuito à dança para a população, mas também a valorização e o pagamento digno para os profissionais que constroem esses projetos todos os dias”, afirmou.

Conquista histórica

Arquivo Pessoal

Sam comentou sobre a recente sanção da Lei da Dança pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ele definiu como uma conquista histórica para os profissionais da dança no Brasil, após mais de 10 anos de mobilização nacional. 

A legislação fortalece o reconhecimento profissional da categoria e amplia o debate sobre valorização, direitos e políticas públicas para a dança.

“Para nós, das danças urbanas, isso também possui um significado histórico muito importante. Em 2023, o Governo Federal publicou o Decreto nº 11.784, que estabelece diretrizes nacionais para valorização e fomento da cultura hip-hop no Brasil. O decreto reconhece oficialmente elementos da cultura hip-hop como DJ, MC, graffiti, breaking e diversas danças urbanas, incluindo popping, locking, house, waacking e hip-hop freestyle dance.

O decreto também fortalece políticas públicas voltadas às periferias, juventudes, pessoas LGBTQIA+, comunidades vulnerabilizadas e ações de geração de renda através da cultura urbana, reconhecendo o hip-hop como ferramenta cultural, social, educativa e de transformação social”, disse.

Cultura Hip Hop

“Outro avanço importante é o Programa Escola Nacional de Hip Hop H2E, do Ministério da Educação, que utiliza a cultura hip-hop como ferramenta didático-pedagógica dentro da educação básica. O programa reconhece o hip-hop como instrumento de aprendizagem, identidade, cidadania, diversidade e combate às desigualdades educacionais.

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O programa também propõe formação para educadores, gestores e estudantes, além da integração do hip-hop aos currículos escolares, fortalecendo ações ligadas à educação antirracista, cultura periférica, pedagogia crítica e valorização das culturas juvenis”, enfatizou o professor de dança.

Regulamentação da dança

Sam disse que estas conquistas dialogam diretamente com a sua trajetória dentro da dança urbana e da educação popular. 

“Quando falamos sobre regulamentação da dança, também estamos falando sobre acesso, permanência, oportunidade, reconhecimento profissional e fortalecimento das culturas periféricas dentro das políticas públicas”.

Valorização dos artistas locais

Sam destacou que muitos produtores e contratantes de outros estados, quando vêm realizar eventos culturais na região, não procuram dialogar com as setoriais de dança locais, com os coletivos, fóruns ou representantes da classe artística daqui para a contratação direta de profissionais locais.

“É uma questão que afeta diretamente a empregabilidade dos artistas da dança na nossa região, porque muitas vezes eles ficam invisibilizados dentro do próprio território onde vivem e atuam. Enquanto grandes eventos movimentam recursos, visibilidade e oportunidades, os profissionais locais acabam ficando à margem desses processos, sem acesso real às vagas, cachês e experiências profissionais geradas pelos próprios eventos realizados aqui”, afirmou.

Segundo ele, muitos artistas da dança do Vale do Itajaí e de Santa Catarina só conseguem reconhecimento profissional, valorização financeira e oportunidades de trabalho quando saem do estado para atuar em outras regiões do Brasil. 

“Isso revela uma contradição importante: temos profissionais qualificados, com trajetória, pesquisa e formação, mas ainda enfrentamos dificuldades estruturais para consolidar um mercado cultural que valorize os artistas locais”, acentuou.

Como mudar

“Fortalecer as setoriais de dança, criar pontes entre produções externas e artistas da região e garantir a participação dos profissionais locais nas programações culturais não é apenas uma questão de valorização artística. Gerar trabalho, renda e permanência cultural dentro do próprio território deve estar como prioridade. Apesar de morar em Camboriú e atuar diretamente na cidade através da dança e da cultura, lamento não poder participar este ano como oficineiro da Fundação Cultural de Camboriú por questões técnicas relacionadas ao edital. Ainda assim, sigo acompanhando, fortalecendo e defendendo a dança como ferramenta de transformação social, acesso à cultura e reconhecimento profissional”, finalizou.

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