Milei promete endurecer punições a empresas que exploram petróleo nas Malvinas; Reino Unido diz que território é seu

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(FOLHAPRESS) – O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quinta-feira (3) que percebe “ventos favoráveis” à reivindicação contra o Reino Unido pela soberania das Malvinas, e anunciou que vai endurecer as sanções contra empresas ligadas à exploração de petróleo no arquipélago.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta semana que não descarta revisar a posição de Washington sobre a disputa histórica pelas ilhas. “Essa ameaça não é inofensiva”, ressaltou Milei.

Em resposta, o governo do Reino Unido reafirmou que as Ilhas Malvinas “são britânicas”. “E continuarão sendo, porque esta é a vontade esmagadora de seus habitantes”, afirmou o chefe da diplomacia britânica, Ed Miliband na rede social X (antigo Twitter).

A disputa pela soberania das ilhas, que são chamadas de Malvinas pelos argentinos e de Falklands pelos britânicos, levou a uma guerra em 1982, que durou dez semanas e resultou na morte de quase mil pessoas, sendo que cerca de 650 delas eram argentinos.

O local é administrado pelo governo britânico desde então. A ONU (Organização das Nações Unidas) publicou uma resolução em 1965, na qual reconhece que há disputa pela soberania do território, pede aos dois países que não tomem decisões unilaterais e que resolvam o impasse pela via diplomática.

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Até o momento, o governo dos Estados Unidos, como a maioria dos países ocidentais, reconhece que o Reino Unido administra de fato o arquipélago, mas não se pronuncia estritamente sobre sua soberania, reivindicada pela Argentina.

Na quinta-feira, Milei voltou a questionar a soberania sobre o local ao protestar contra o projeto petroleiro Sea Lion, promovido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas em águas localizadas a 220 km das Malvinas.

“O Reino Unido ignorou sistematicamente esse apelo”, criticou Milei, acrescentando que a Argentina deve agir “com firmeza” diante dos projetos que “representam uma ameaça aos interesses estratégicos do país”.

O presidente argentino afirmou que vai “endurecer as sanções e penas contra as empresas ligadas a operações não autorizadas”, e anunciou a criação de uma base naval na província patagônica da Terra do Fogo. “A Argentina não ficará de braços cruzados”.

Milei ressaltou que os habitantes das ilhas, por constituírem “uma população implantada em território usurpado, não têm um direito legítimo à autodeterminação”.

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O presidente argentino aborda o tema no momento em que a aprovação de seu governo está em queda, a pouco mais de um ano das eleições em que buscará o segundo mandato.

“Existe um amplo consenso entre a população em geral, e também entre as elites políticas, sobre a legitimidade da reivindicação de soberania da Argentina”, destacou o cientista político Tomás Mugica, diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina.

O governo britânico retrucou o posicionamento de Milei com o ministro britânico da Defesa, Wes Streeting, alegando que as ilhas “são britânicas porque seus habitantes escolhem ser britânicos”.

POR QUE O ASSUNTO VOLTOU A SER DESTAQUE?

O destino das ilhas voltou às manchetes esta semana, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir na disputa.

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Na quinta-feira, em uma entrevista à emissora britânica GB News, Trump voltou a criticar a falta de apoio militar de Londres em sua guerra contra o Irã e se recusou a confirmar se apoiaria o Reino Unido em caso de um novo conflito com a Argentina.

Uma mudança de posição do governo Trump sobre a questão representaria uma grave afronta diplomática ao Reino Unido.

“A questão Malvinas serve a Trump para pressionar o Reino Unido, para que cumpra as suas demandas em relação ao financiamento da Otan, à colaboração na guerra no Irã”, avaliou Mugica. “Muitas vezes, as posições retóricas de Trump, que são muito fortes, não correspondem às iniciativas diplomáticas e militares que se seguem”, recordou.

“Se há um conflito, Trump interfere”, afirmou Juan Battaleme, cientista político e que foi secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa do governo de Milei até dezembro de 2025.

CAUSA NACIONAL

Argentina e Reino Unido disputam a soberania do arquipélago austral formado por duas ilhas principais e centenas de ilhas menores, fica a cerca de 480 quilômetros a leste do continente sul-americano. Cerca de 3.600 pessoas vivem ali, segundo o censo de 2021.

As primeiras expedições europeias chegaram às ilhas a partir do fim do século 16, dando origem a reivindicações concorrentes. O Reino Unido assumiu o controle efetivo na década de 1830.

A Argentina, que declarou independência da Espanha em 1816, mantém sua reivindicação sobre as ilhas e não aceita a soberania britânica sobre elas.

As ilhas são, em grande parte, autônomas. O Reino Unido controla a política externa e a defesa das ilhas e mantém presença militar no território, incluindo aviões de caça.

Em um referendo realizado em 2013, os moradores das Falkland votaram por ampla maioria pela permanência como território britânico. O Reino Unido afirma que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu status, mas a Argentina já alegou que o arquipélago foi povoado ilegalmente.

A disputa entre a Argentina e o Reino Unido voltou à tona diversas vezes ao longo do século 20. Várias rodadas de negociações foram realizadas, mas todas terminaram sem uma conclusão.

Em 2 de abril de 1982, a Argentina enviou vários milhares de soldados para tomar o controle das ilhas. O presidente dos EUA, Ronald Reagan, tentou, sem sucesso, convencer o líder da junta militar argentina a cancelar a invasão.

O Reino Unido respondeu com uma grande mobilização militar, incluindo navios de guerra e submarinos, e acabou forçando a rendição argentina após 74 dias. O conflito causou a morte de 649 soldados argentinos e de 255 britânicos.

Mais de quatro décadas depois, a guerra e a perda de vidas ainda são motivo de dor na Argentina. O país não abriu mão de sua reivindicação sobre as Falkland, que está prevista na Constituição argentina. As ilhas são mencionadas com frequência em manifestações de identidade nacional, sobretudo em jogos de futebol.

Na Copa do Mundo deste ano, os jogadores da Argentina exibiram uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas” após a vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1 nas semifinais. O episódio levou a Fifa, entidade máxima do futebol, que proíbe slogans políticos em seus eventos, a abrir um processo disciplinar.

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