A 10ª Parada da Diversidade de Balneário Camboriú, realizada no domingo (7) reuniu, segundo a organização, cerca de 8 mil pessoas na Avenida Atlântica.
Organizado pela Associação da Parada da Diversidade, em parceria com a FV Eventos, a Parada demonstrou união e resistência da comunidade LGBTQIA+ e de seus apoiadores, segundo a coordenadora geral, Sabrina Antônio.
“A concentração teve início na areia em frente à praça Tamandaré, com apresentações de DJs e atividades culturais. Às 16h, dois trios elétricos conduziram o desfile pela Avenida Atlântica (meia pista), em um percurso marcado por respeito, alegria, acolhimento e representatividade”, conta.

Sabrina destaca que a Parada só pôde ser realizada graças ‘ao carinho e respeito da Prefeitura de Balneário Camboriú’, que viabilizou o processo de alvará e dialogou desde o início sobre as possibilidades de execução junto à nova gestão municipal (no governo de Fabrício Oliveira a Parada encontrou dificuldades para acontecer).
“Todas as normas e protocolos foram rigorosamente cumpridos, em conjunto com as secretarias envolvidas, garantindo um evento seguro, organizado e responsável. A organização também registra agradecimentos especiais aos setores de segurança – Polícia Militar, Guarda Municipal e Departamento de Trânsito – que atuaram de forma presente e colaborativa em toda a extensão do evento”, acrescenta.

Evento inclusivo e sem ocorrências
A Parada foi marcada pela participação, segundo Sabrina, de moradores, famílias, turistas e integrantes da comunidade LGBTQIA+, ‘consolidando-se como um evento verdadeiramente inclusivo’.
“Durante toda a concentração e o desfile, não houve registros de incidentes, demonstrando o respeito e o engajamento do público e da cidade”, aponta.
Um dos pontos mais importantes desta edição foi o fato de que não houve qualquer incentivo financeiro, nem do poder público, nem de empresas, comerciantes ou patrocinadores.
“Todos os custos, incluindo taxas, estrutura, trios elétricos e organização, foram arcados pelos próprios membros da Associação. Nós não somos muitos, mas somos fortes”, reforça a coordenadora.
Agenda política e social: criação do Conselho Municipal LGBT
No sábado (6), a coordenação-geral da Parada, representada por Sabrina, lançou uma petição pública, por meio da Avaaz, para mobilizar assinaturas e dialogar com o Poder Público e a Câmara de Vereadores pela criação do Conselho Municipal de Direitos LGBT de Balneário Camboriú.
“A Associação agradece o apoio político recebido, especialmente do vereador Eduardo Zanatta, que se dispôs a auxiliar internamente todas as etapas necessárias, e do vereador Jean Volpato, de Blumenau que também manifestou apoio e discursou no trio elétrico.
A organização ressalta que o trabalho pela diversidade em Balneário Camboriú ainda está em construção. Apesar dos convites feitos às casas noturnas, bares, saunas, clubes e coletivos ligados ao público LGBT+, não houve adesão ou interesse de grande parte desses estabelecimentos e grupos em participar da Parada, evidenciando a necessidade de fortalecer a corresponsabilidade comunitária”, afirma.

Ainda assim, a Associação reforça que o Conselho Municipal, defendido na petição, beneficiará todas as organizações, coletivos e cidadãos, tornando essencial a participação de todos no processo.
“A Parada da Diversidade foi o único ato, manifestação ou evento de caráter social-político voltado à comunidade LGBTQIA+ realizado em 2025 em Balneário Camboriú, reafirmando seu papel histórico de resistência. Há 13 anos o evento é conduzido pela Associação da Parada da Diversidade, fundada por Ney Laurentino e presidida por Damares”, comenta.
A organização agradece a todos que contribuíram para a realização da festa e reforça o desejo de que, em 2026, a cidade possa acolher ainda mais a Parada, reconhecendo sua importância cultural, turística, social e econômica.
“Mostramos que somos organizados, que sabemos conduzir um evento com respeito e dignidade. Agora, queremos construir algo ainda maior, envolvendo hotéis, turismo, comércio, coletivos, ONGs, iniciativas privadas, vereadores e a Prefeitura. Podemos fazer tudo, desde que duas regras sejam respeitadas: união e boa vontade”, completa Sabrina.

