Qual é o meio de mobilidade urbana mais eficiente, entre o Teatro Municipal Bruno Nitz de Balneário Camboriú e o Instituto Federal Catarinense (IFC) de Camboriú, em horário de pico (18h)?
A resposta veio através do Desafio Intermodal Intermunicipal, que o IFC realizou no último dia 23, durante a Semana da Mobilidade.
A terceira edição contou com oito modalidades: carro, motocicleta, carro de aplicativo, carro elétrico, ônibus, bicicleta, bicicleta elétrica e a pé. Todos saíram junto exatamente às 18h, do Teatro Municipal Bruno Nitz, com destino ao campus do IFC, em Camboriú.
Cada desafiante escolheu seu próprio trajeto, respeitando as leis de trânsito, simulando uma viagem diária de pessoas que se locomovem no final do dia do trabalho para sua casa.
O Desafio Intermodal é realizado anualmente em diversas cidades brasileiras, para testar a eficiência de diferentes modalidades de mobilidade urbana. Tendo em vista o alto fluxo de pessoas e de veículos diariamente entre Balneário Camboriú e Camboriú, dado que as cidades são conurbadas, o desafio foi intermunicipal.
A professora do IFC Camboriú e coordenadora do projeto Ciclobservatório, Roberta Raquel, disse que os meios de mobilidade precisam ser bons não somente para os indivíduos, mas também para a sociedade e para a natureza, além do tempo de deslocamento.
“O Desafio Intermodal levou em consideração a emissão de gás carbônico, a emissão de ruídos, o gasto de energia e o custo financeiro da viagem”, disse.
O resultado
Este ano as bicicletas, tradicional e elétrica foram as mais eficientes e levaram menor tempo no trajeto, 15 e 19 minutos, respectivamente.
Apesar de ser o que tomou mais tempo (60 minutos), fazer o caminho a pé é o terceiro colocado em eficiência, porque são levados em conta os outros fatores, custo, barulho e poluição.
A novidade este ano foi o carro elétrico, o quarto colocado em eficiência, ficando na frente de ônibus, moto e carro a combustão, nessa ordem.
O último em eficiência foi o carro de aplicativo, devido ao custo da viagem e ao tempo adicional entre pedir e conseguir embarcar.
“Importante ressaltar que o cálculo só leva em conta os custos econômicos e ambientais do trajeto, dessa forma, custos ambientais relacionados com a produção dos veículos (tradicionais ou elétricos) e dos combustíveis ficam de fora. Também é interessante trazer para essa discussão que nossa estimativa indica que caso nossa região utilizasse ônibus elétricos, estes ocupariam a quarta colocação em eficiência, na frente dos automóveis elétricos”, explicou a professora.
Confira o gráfico sobre o resultado:

O Desafio Intermodal evidencia, de forma prática e mensurável, quais modais são mais eficientes para realizar os deslocamentos nos centros urbanos no horário de pico.
“Ele ajuda a desconstruir a ideia de que o carro é sempre a opção mais rápida e prática, estimulando mudanças na cultura da sociedade. Do ponto de vista das políticas públicas, os resultados oferecem dados concretos para orientar investimento e planejamento. Quando a mobilidade ativa (bicicleta e pedestre) ou o ônibus demonstram melhor desempenho que o transporte individual motorizado, mas enfrentam mais barreiras de infraestrutura e segurança, isso indica a necessidade de ampliar a infraestrutura cicloviária, calçadas e a oferta de ônibus, bem como a integração entre esses modais”, ressaltou a professora.

