Em meio ao trânsito intenso de uma cidade em ritmo acelerado, as motolâncias do SAMU se tornaram uma resposta rápida onde cada minuto pesa. Balneário Camboriú foi pioneira em Santa Catarina na implantação do serviço, oficialmente iniciado em março de 2022, como estratégia para reduzir o tempo de espera por atendimentos de urgência em uma cidade com grande fluxo de turistas.
Hoje, o modelo é considerado um dos braços mais ágeis da saúde municipal e se consolidou como ferramenta essencial para salvar vidas em situações críticas.
Pioneirismo em Santa Catarina
A implantação das motolâncias em Balneário Camboriú partiu de uma necessidade prática: chegar primeiro. Em cenários de trânsito travado, eventos e alta circulação de pessoas, o tempo de resposta do atendimento tradicional pode ficar comprometido.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Aline Leal, o município assumiu a dianteira ao apostar no modelo antes mesmo de ter a habilitação formal do Ministério da Saúde.
“A cidade foi pioneira na implantação das motolâncias em Santa Catarina justamente por causa do nosso fluxo de turistas e da necessidade de reduzir o tempo de espera por atendimento. A prioridade sempre foi chegar antes e iniciar o cuidado no local”, afirma.
Itapema foi o primeiro município do estado a receber liberação federal, ainda em 2023. Balneário Camboriú conquistou a habilitação somente em 2025, após um processo técnico e operacional que envolveu levantamento de dados, estruturação do serviço e renovação da frota com apoio do Governo do Estado.
“Houve uma grande luta para viabilizar a habilitação. Mapeamos números, demanda, equipamentos e solicitamos novas motos ao Governo de Santa Catarina, que chegaram em 2025. A partir disso, conseguimos a liberação do Ministério da Saúde e ampliamos a capacidade de atendimento”, explica Aline.
Atualmente, segundo Aline, apenas cinco cidades catarinenses contam com o serviço: Balneário Camboriú, Itapema, Criciúma, Chapecó e Florianópolis.
Atendimento em minutos e vidas salvas

A principal vantagem das motolâncias está na velocidade. Os veículos operam com equipes de técnicos de enfermagem capacitados, que percorrem a cidade em duplas e carregam cerca de 35 quilos de equipamentos.
Entre os principais itens estão desfibrilador externo automático (DEA), suporte de oxigênio e kits de hemorragia, fundamentais em situações como paradas cardíacas, crises respiratórias, afogamentos e acidentes de trânsito.
“A motolância chega antes, inicia o atendimento e prepara o cenário para a ambulância. Muitas vezes, só essa intervenção inicial já faz toda a diferença para salvar uma vida”, destaca a secretária.
Os profissionais são técnicos de enfermagem, que passam por formação específica e atuam em jornadas de 12 horas, das 7h às 19h. O impacto é mensurável: em 2025, foram mais de 4 mil atendimentos realizados. Cerca de 68% dos casos foram resolvidos no próprio local, sem necessidade de remoção por ambulância.
“Sete em cada dez chamados são resolvidos ali mesmo, na calçada, na praia, onde a ocorrência acontece. Isso mantém as ambulâncias disponíveis para casos gravíssimos e torna o sistema 192 (SAMU) mais eficiente”, afirma Aline.
Agilidade que abre caminho
Além de iniciar o atendimento, as motolâncias têm função estratégica na logística das ocorrências. Elas vão à frente da ambulância, abrem caminho no trânsito e garantem que a equipe médica chegue com mais rapidez.
“Em áreas críticas, conseguimos chegar em até quatro minutos. Isso representa um salto de 39% na produtividade do serviço e um ganho real na chance de sobrevivência dos pacientes”, diz a secretária.
Os principais atendimentos envolvem acidentes de trânsito, mal-estar na praia, afogamentos e paradas cardíacas. Em muitos casos, a intervenção precoce evita agravamentos e até internações.
“Às vezes é um idoso com mal súbito. A equipe já medica ali mesmo e resolve. Não é só deslocamento rápido, é assistência imediata”, pontua.
Casos que marcaram a equipe

Entre os episódios mais emblemáticos está o atendimento a um bebê de oito meses, em Camboriú, que havia se engasgado com um plástico, no último dia 17 de fevereiro.
“A motolância chegou em quatro minutos e conseguiu desafogar a criança antes mesmo da chegada da ambulância. Esse tipo de ocorrência mostra exatamente o papel do serviço”, relata Aline.
Para a secretária, a força do modelo está no impacto direto e silencioso que gera no cotidiano da cidade.
“A motolância não corta apenas o trânsito. Ela corta a espera pela vida”, resume.
Estrutura atual e expansão prevista
Hoje, Balneário Camboriú conta com duas motolâncias em operação e uma reserva. A meta da Secretaria de Saúde é ampliar o serviço no segundo semestre, chegando a quatro motos ativas e, durante a temporada de verão, ter até seis (precisam andar sempre em duplas).
“A ampliação permitirá mais cobertura territorial e resposta ainda mais rápida nos períodos de maior movimento da cidade”, afirma Aline.
Para ela, o serviço já se consolidou como parte indispensável da rede municipal de urgência.
“É um braço extremamente ágil da saúde pública. A motolância permite iniciar o atendimento com rapidez, salvar vidas e garantir que a estrutura do SAMU funcione de forma mais estratégica e eficiente”, completa.

