Brasileiros desconfiam mais de notícias de veículos jornalísticos que de conteúdo de amigos em redes sociais e mensagens

apenas 36% dos usuários de internet afirmam checar sempre as informações que recebem por aplicativos de mensagens ou redes sociais.

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(FOLHAPRESS) – Cerca de metade (48%) dos usuários de internet brasileiros desconfiam sempre ou na maioria das vezes de informações produzidas por veículos de jornalismo profissional – um número maior do que aqueles que não confiam em conteúdos de amigos ou familiares em redes sociais (39%) ou em aplicativos de mensagens (42%).

Ao mesmo tempo, apenas 36% dos usuários de internet afirmam checar sempre as informações que recebem por aplicativos de mensagens ou redes sociais, e 28% dizem verificar “na maioria das vezes”. São 14% dos internautas que dizem checar “poucas vezes” ou “nunca” a veracidade dos conteúdos recebidos.

Os dados constam do painel TIC, pesquisa com usuários de internet no Brasil elaborada pelo Comitê Gestor da Internet, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) que será divulgada nesta sexta-feira (10). A Folha de S.Paulo teve acesso com exclusividade aos dados do levantamento.

Para a pesquisa, foram feitas entrevistas online com 5.250 usuários de internet com 16 anos ou mais de idade em agosto e setembro de 2025. A margem de erro varia conforme a pergunta e o recorte.

“Os resultados são muito preocupantes, mostram a fragilidade na construção da opinião pública; como já mostravam vários estudos, a confiança no interlocutor tem mais valor que a própria veracidade do conteúdo”, diz Renata Mieli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

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Segundo ela, as pessoas preferem consumir um tipo de informação que não passa mais pelo crivo profissional da atividade jornalística e que não tem checagem. “Os veículos de imprensa são responsáveis pelos conteúdos, isso os faz manter mínimo de qualidade”, diz.

É a primeira vez que o painel TIC faz uma pesquisa sobre práticas de acesso e verificação de informações, uso de redes sociais.

O levantamento mostra que a maioria das pessoas obtém informações sobre o que está acontecendo no mundo por meios digitais. A porcentagem de usuários que acessam notícias várias vezes por dia ou pelo menos uma vez por dia por aplicativos de mensagens é 60%; por feeds de vídeos curtos (como TikTok) é 52%; sites ou aplicativos de vídeos, 50%.

São percentuais maiores do que os de quem diz acessar frequentemente o noticiário por telejornais (45%), sites ou portais de notícias na internet ou podcasts (37%); canais de notícias 24 horas (34%), rádios (28%), jornais ou sites de jornais (26%) e revistas (22%).

Os números variam de acordo com a renda e escolaridade. O acesso diário por meio de sites ou portais de notícias na Internet, por exemplo, foi relatado por 58% dos entrevistados das classes A e B, diante de 33% da classe C e 27% das classes D e E.

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A pesquisa mostra também que as pessoas estão familiarizadas com as ferramentas de IA generativa: 47% relataram já ter usado o ChatGPT, seguido pela IA do WhatsApp (42%), Gemini (30%) e Copilot (14%).

Os resultados indicam que 65% da população consome notícias diariamente, taxa que entre os jovens na faixa de 16 a 24 anos cai para 46%. O resultado está em linha com a chamada “news avoidance” , tendência de parte da população de evitar o noticiário por perceber que há um excesso de informações negativas ou por se sentir saturado com tanto conteúdo circulando.

A faixa dos 45 a 59 anos é a com maior porcentagem de consumo diário de noticiário, com 79%.

Muitos dos entrevistados se mostram apáticos em relação à possibilidade de receberem informações falsas. Entre aqueles que afirmam não checar a veracidade de conteúdos, 34% disseram concordar totalmente com a frase “não vale a pena pesquisar se as informações que eu recebo são verdadeiras” e 30% com a afirmação “Hoje em dia as informações são tão polarizadas que não vale a pena pesquisar se são falsas ou verdadeiras”.

As motivações mais citadas pelos usuários de internet para deixar de verificar informações são: esquecer de checar (36%), não ter tempo (33%), não ter interesse (33%) e ter certeza de que a informação é verdadeira (31%) ou falsa (25%).

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Cinco plataformas lideram em uso diário, independentemente da finalidade. Foram 54% dos entrevistados que afirmaram usar o WhatsApp “praticamente o tempo todo”, com 91% dizendo utilizar o aplicativo de mensagens diariamente. As outras quatro plataformas mais usadas foram Instagram (73% de uso diário), YouTube (73%), Facebook (57%) e TikTok (50%).

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