Conselho Tutelar, PM e Guarda reforçam proteção de crianças e adolescentes em Balneário Camboriú

Rede Catarina e Grupo de Proteção à Mulher da Guarda Municipal passaram a acompanhar casos encaminhados pelo Conselho Tutelar. Seis meninas já foram incluídas no novo fluxo

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Crianças e adolescentes de Balneário Camboriú que possuem medidas protetivas concedidas pela Justiça passaram a contar com acompanhamento da Polícia Militar e da Guarda Municipal, além do Conselho Tutelar.

Desde o início de setembro, decisões obtidas a partir de solicitações do Conselho Tutelar estão sendo encaminhadas diretamente para a Rede Catarina, da Polícia Militar, e para o Grupo de Proteção à Mulher (GPM), da Guarda Municipal.

Segundo a conselheira tutelar Cristiane Amorim, o procedimento foi organizado neste mês após reuniões entre os órgãos que integram a rede de proteção. Os encaminhamentos começaram oficialmente em 3 de setembro e, até esta terça-feira (15), seis casos já haviam sido direcionados para acompanhamento: cinco relacionados a suspeitas de violência sexual e um de violência física. As vítimas são três crianças e três adolescentes, todas do sexo feminino.

O funcionamento ocorre a partir da atuação do Conselho Tutelar. Diante de uma situação em que entende necessária a proteção da criança ou adolescente, o órgão solicita a medida protetiva à Justiça. Cabe ao Judiciário decidir pela concessão ou não. Nos casos em que a medida é deferida, a decisão passa a ser encaminhada pelo Conselho Tutelar ao GPM e à Rede Catarina para acompanhamento.

Cristiane explica que o objetivo é ampliar a proteção e, quando determinado judicialmente, garantir o afastamento entre a vítima e o possível agressor, preservando a segurança e a rotina da criança ou adolescente.

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A conselheira ressalta, entretanto, que a concessão de uma medida protetiva não representa a condenação da pessoa apontada como possível autora da violência. Trata-se de um instrumento de proteção à vítima durante o período de investigação ou até que haja uma decisão judicial sobre o caso.

Fluxo foi organizado entre CT e forças de segurança

Embora decisões judiciais já previssem acompanhamento pelas forças de segurança, conforme Cristiane, ainda não havia em Balneário Camboriú um fluxo específico e organizado para que os casos envolvendo crianças e adolescentes fossem encaminhados diretamente à Rede Catarina e ao GPM.

Foi a partir dessa necessidade que o Conselho Tutelar se reuniu com os dois grupos para definir como as decisões seriam compartilhadas e acompanhadas.

A Rede Catarina é coordenada pela cabo Daiana Bueno, enquanto o Grupo de Proteção à Mulher da Guarda Municipal é coordenado pela supervisora Tassia Bruna Carvalho Coutinho.

A Rede Catarina e o GPM também mantiveram contato com a Vara Criminal para alinhar os procedimentos. Além disso, os dois grupos possuem comunicação entre si e fluxos internos para o acompanhamento das vítimas.

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Após receberem o encaminhamento, as equipes entram em contato com o familiar responsável pela criança ou adolescente e passam a acompanhar o cumprimento da medida. Entre as orientações está o funcionamento de mecanismos de proteção e acionamento das forças de segurança, como o botão do pânico e ferramentas utilizadas pela Guarda Municipal e Polícia Militar.

“Não é que antes essas medidas não fossem acompanhadas pelas forças de segurança. Entretanto, agora temos um contato direto e as medidas concedidas estão sendo encaminhadas para equipes que atuam especificamente na proteção das vítimas. Esse apoio e esse contato próximo com as famílias são extremamente importantes porque oferecem um suporte especializado. Muitas vezes, a família recebe a medida protetiva e fica sem saber exatamente o que fazer a partir dali, para onde ir ou como agir. Sabe que não deve permitir o contato, por exemplo, mas ainda precisa de orientação”, explica.

Cristiane salienta que agora são equipes especializadas, com policiais militares e guardas municipais preparados para atender esse tipo de situação, orientar e dar suporte às famílias e, se necessário, realizar rondas.

“Isso também demonstra para a própria família e para o acusado que aquela criança ou adolescente está, de fato, sendo acompanhada e protegida. Para nós, isso traz mais segurança e tranquilidade em saber que a medida protetiva terá um acompanhamento próximo para que efetivamente cumpra sua função”, diz.

Proteção também alcança meninos

Uma diferença entre os dois serviços permite que o fluxo alcance crianças e adolescentes de ambos os sexos. A Rede Catarina realiza o acompanhamento de meninas e mulheres, enquanto o GPM da Guarda Municipal pode acompanhar tanto vítimas do sexo feminino quanto masculino.

De acordo com Cristiane, em 2026, até o momento, o Conselho Tutelar de Balneário Camboriú não solicitou medidas protetivas para meninos. Todos os seis casos já encaminhados pelo novo fluxo envolvem meninas.

Para a conselheira, a organização do procedimento representa um avanço na integração entre os órgãos responsáveis pela proteção da infância e juventude em Balneário Camboriú.

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Ela destaca ainda que, na realidade dos casos atendidos pelo Conselho Tutelar neste ano, pedidos de medidas protetivas têm envolvido principalmente situações nas quais os suspeitos são pais ou padrastos.

O acompanhamento externo ganha importância também diante de situações em que possa existir receio sobre a capacidade da própria estrutura familiar de garantir integralmente o cumprimento da medida.

Com o novo fluxo, além da atuação do Conselho Tutelar e do Judiciário, as famílias passam a saber previamente que os casos com medidas concedidas serão encaminhados às equipes especializadas das forças de segurança, ampliando a rede responsável por acompanhar a proteção da criança ou adolescente.

“As famílias também podem solicitar a medida protetiva diretamente na delegacia. Em Balneário Camboriú, temos a DPCAMI, que é a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, uma unidade especializada para esse tipo de atendimento. Mas, desde 2022, com a Lei Henry Borel, o Conselho Tutelar também passou a ter legitimidade para solicitar medidas protetivas. E isso é muito importante porque o Conselho é um órgão de proteção diretamente voltado à infância e à adolescência. Muitas famílias, quando enfrentam alguma situação envolvendo crianças ou adolescentes, procuram primeiro o Conselho Tutelar. Existe esse entendimento popular de que, se envolve criança ou adolescente, deve-se procurar o Conselho. Inclusive, às vezes chegam situações que não são atribuição do órgão, mas, ainda assim, a família é orientada sobre qual serviço deve procurar”, acrescenta a conselheira.

Cristiane lembra que, por isso, é tão importante que o Conselho Tutelar tenha legitimidade para solicitar uma medida protetiva, além de outras autoridades competentes.

“Nós temos contato direto e proximidade com essas famílias e com as situações que estão sendo acompanhadas, além de facilidade de acesso e articulação com os demais serviços públicos. Essa proximidade nos permite conhecer os fatos e as necessidades daquela criança ou adolescente e, quando necessário, solicitar a proteção”, completa.

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