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Dia das Crianças: o desafio do ‘brincar’ na era tecnológica

“A atividade do “brincar” para criança é a melhor prova de amor que podemos doar a um filho” (Melanie Hortst)

O Dia das Crianças é celebrado nesta quinta-feira (12), dia também de Nossa Senhora Aparecida e para lembrar a data, o Página 3 conversou com mães e profissionais da área da psicologia e educação que opinaram sobre o quanto brincar é importante e também sobre os desafios desta nova geração, que desde o nascimento já está cercada pelos eletrônicos, como celular, TV, tablet e até mesmo o dispositivo Echo (a famosa Alexa).

Mães compartilham desafios do ‘brincar’ de hoje

Helena brinca em lugares seguros e sob vigilância: ela adora música

Camila e Guilherme com a pequena Helena (Arquivo Pessoal)

Camila Rutes Zabudowski Andrade, bacharel em Direito, é mãe da Helena, de dois anos

“A Helena gosta muito de brincadeiras lúdicas, desenhar, pintar, massinha, montar blocos e encaixar. Ela tem acesso às telas, isso nunca foi proibido, mas ela não liga muito, presta atenção quando a gente não está junto, ou está fazendo alguma coisa na cozinha, do contrário, ela sempre prefere brincar mesmo! Ela gosta muito de dançar e cantar, a música sempre esteve na vida dela, desde a minha barriga, acredito que tenha influência, além, é claro, de estar no sangue, porque o Gui gosta muito e sabe tocar todo tipo de instrumento musical. 

Apesar das cantigas e brincadeiras serem muito similares com as da nossa infância, tem suas diferenças, já que na nossa época a gente podia brincar na rua, soltas, sem preocupação, hoje não, a Helena brinca em lugares seguros e sob vigilância, além de estar inserida em um mundo super tecnológico e já saber dar ordem pra Alexa. 

Nós sempre priorizamos o brincar junto, seja para montar, encaixar, encontrar pecinhas… mas quando precisamos fazer alguma coisa em concomitância (algo do trabalho) recorremos às telas, infelizmente, que, graças a Deus, não é uma preferência na vida dela (risos). 

Ela ama ir para escola, brinca bastante, mas também brinca muito em casa, no parquinho do condomínio e na sala de recreação infantil que tem aqui também! 

Claro que na escola ela faz atividades diferentes, que vão além do simples pintar, envolvendo outras questões e descobertas, que às vezes nos falta criatividade para inventar. Acredito que o brincar atualmente seja diferente da nossa época, assim como a nossa foi diferente da dos nossos pais, apesar de muitas brincadeiras serem exatamente iguais, porque os contextos são diferentes! 

Hoje em dia existe muita informação, muitos medos e receios e, também, muita tecnologia, que de um lado possibilita o aprimoramento e o aprendizado, mas de outro, rouba a infância se não souber ser dosada… por isso sempre priorizamos a brincadeira ao invés de desenhos e joguinhos no celular”.

Pedro e Cecília são incentivados a usarem a criatividade

Débora com Pedro e Cecília (Arquivo Pessoal)

Débora Blonkowski, gerente de parcerias, é mãe da Cecília, de seis anos, e do Pedro, de três anos

“Meus filhos gostam de brincar de tudo. Eles têm muitos brinquedos, mas às vezes invocam com uma caixa de papelão e aquilo vira um carro, uma nave espacial… eles conseguem usar a criatividade. Eles usam eletrônicos, têm acesso ao celular e TV, mais do que eu gostaria, mas em certos momentos acaba sendo o único aliado que eu tenho porque eu trabalho em casa e pela manhã a Cecília fica comigo e eu não tenho como ‘entreter’ ela, porque eu preciso trabalhar. 

Nesse período, o celular acaba sendo um aliado, com aplicativos para a idade dela, temos controle de tudo o que ela faz. 

O Pedro é uma criança que não tem tanta paciência para celular ou TV, gosta de gastar energia, correr, brincar de carrinho… se você dá dois carrinhos para ele, ele vai ficar duas horas inventando história, brincando. 

Certamente se eles tiverem a opção de escolher entre eletrônico e brincar, eles optam pelo brincar. O eletrônico é utilizado como um aliado mesmo. 

Vejo que o brincar deles é diferente do nosso, meu e do meu marido, David, porque na nossa geração brincávamos muito na rua, e hoje eu tenho medo. As pessoas mesmo são mais fechadas, as crianças não brincam na rua. Eles têm mais amizades da escola – a Cecília tem uma amiga, a Sophie, que convive com ela também fora da escola. Inclusive ela reclama que agora ela estuda mais do que brinca (risos), porque não está mais na educação infantil, mas o Pedro tem mais isso de brincar na escola, com parquinho, pintura, brincadeiras… mas nesta semana está tendo a semana das brincadeiras, com penteado maluco e lanches especiais, e eles adoram”.

Sophie adora brincar, mas mãe reconhece que para a brincadeira ser mais divertida é preciso companhia

Greiciane com a Sophie (Arquivo Pessoal)

Greiciane Sprotte Correia, gerente de contas, é mãe da Sophie Sprotte Correia, de seis anos

“Olhando para essa questão do brincar, é incrível pensar no quanto isso é um desafio. A Sophie é uma criança que, se deixar, fica realmente só no celular, adora vídeos e joguinhos no celular. Mas aí vejo que vem o que nós, pais, fazemos para incentivar algo diferente, para brincarem com a gente. Então talvez não seja tanto a criança, e sim a nossa influência. 

A Sophie é uma menina que ama brincar, de boneca, escolinha, spa, estética, salão de beleza… só que para essas brincadeiras, ela precisa de companhia, e ela até brinca que quer uma irmãzinha para brincar, ou que quer ir na amiga, Cecília. 

É muito diferente da nossa época, porque não tínhamos facilidade de acesso a computador, internet… eu fui conhecer quando tinha meus 15 anos. Minha infância era ir na minha tia, brincar no quintal da casa dela, na rua. 

A Sophie não brinca na rua, eu não deixo, se ela for, eu tenho que estar na frente de casa, vendo o que ela está fazendo (risos). Eu andava de bicicleta por tudo, se ela vai andar, anda só perto das ruas de casa, e nós do lado. Percebo o quanto ela quer brincar, me convida, adora jogos também de montar, UNO, Cara a Cara… mas se for comparar, ela nunca vai trocar uma brincadeira comigo por uma tela”.

Quarteto prefere eletrônicos

Biga com seu quarteto (Arquivo Pessoal)

Abigaiu de Souza, analista de RH é mãe da Gabrieli, do Luiz Henrique, da Maria Clara e Beatriz

“A diferença é enorme do brincar de antigamente para hoje em dia. Eles têm acesso a telas e eletrônicos e se puderem querem apenas estes itens… é um desafio e tanto tirar eles disto! Incentivamos as brincadeiras ao ar livre, com bonecas e jogos, mas eles preferem mais tablet e desenhos… acredito que na escola as atividades sejam mais vivenciais que em casa. Mas eles gostam de brincadeiras como: mamãe e filho, carrinho, esconde esconde e corda. 

Antigamente brincávamos muito nas ruas com outros amigos, hoje em dia isso não existe”.

Gêmeos gostam de brincadeiras tradicionais

Daiana com os gêmeos Gabriel e Miguel (Arquivo Pessoal)

Daiana Franciele Lamin, pedagoga, é mãe dos gêmeos Miguel e Gabriel, de seis anos, de Juliana, de 12 anos, e de Eduardo, de 17

“O brincar de hoje, tanto dos meus quanto de outras crianças, se perdeu um pouco. Vejo que eles estão muito mais para o eletrônico do que a própria brincadeira. Os meus ainda brincam na rua de pega-pega, esconde-esconde, de bola… tento não deixar muito nos eletrônicos. 

Os gêmeos são mais da TV, de assistir desenho, até porque não têm videogame e não mexem no celular. Só os mais velhos, Juliana e Eduardo, que têm celular. 

Vejo que se perdeu muito o brincar, comparando com a minha infância para hoje, e cada vez mais os eletrônicos estão tomando conta – você já vê um bebê de um ano com um celular na mão, mas acho que isso é um pouco da influência dos pais também. Os pais vão deixando perder essa essência do brincar, de estar com o filho, levar para o parque. 

A correria do dia a dia nos deixa cada vez mais distantes, mas eu ainda tento incentivar aqui em casa as brincadeiras, o estar na rua, assim como era na minha infância”.

Profissionais opinam e destacam importância do brincar

“Os eletrônicos não deveriam ser um desafio”

Anelise com a filha Lara (Foto Camila Bibas)

Anelise Furtado, Psicóloga Perinatal, Coordenadora do Espaço Aconchego, que oferece várias atividades para mães e bebês e toda a extensão familiar

“Mais brincadeiras e menos telas tem sido um assunto bem recorrente nos encontros que costumo realizar com as mães do Espaço Aconchego. De modo geral, observo como as pessoas ainda investem alto em celulares e outros aparelhos. 

As casas tem uma TV para cada cômodo! Me parece um pouco distante a realidade de uma infância mais brincante enquanto disputamos as horas livres com as tecnologias usadas de forma descontrolada. 

Os eletrônicos não deveriam ser um desafio no dia a dia das famílias com filhos, pois a tecnologia veio pra ficar e ela facilita nossa vida. Mas o uso que a gente faz deles tem sido o real problema.

Por outro lado, ouço muitos pais, e essa é também a minha realidade, que enfrentam uma carga significativa de responsabilidades, como trabalho, cuidados com a família, contas e outros compromissos. 

Essas pressões acabam fazendo com que a gente veja o tempo livre como uma oportunidade para realizar tarefas essenciais em vez de dedicá-lo a atividades lúdicas com nossos filhos, e por vezes, acabamos usando as telas como a 1ª ideia para “aquietar” as crianças que imploram por atenção. 

Há cinco anos formei o Grupo Aconchego Mãe e bebê, com o objetivo de levar a Dança com o Sling – aquele tecido de carregar bebês – e a facilidades que essa ferramenta pode nos proporcionar no dia a dia. Minha filha na ocasião tinha 1 ano, mas minhas inquietações a respeito da infância e criação dos filhos já haviam começado muito antes disso, na faculdade de Psicologia. 

Quando me tornei mãe, pude sentir na pele o que antes só observava de fora. As pessoas costumam se incomodar e julgar a forma como os pais criam seus filhos. Se sentem no direito de opinar sobre como conduzimos a rotina com nossos filhos, mesmo quando não são solicitados. 

As escolhas que eu fiz e faço diariamente, são pautadas no pressuposto de que, para criarmos seres mais independentes e emocionalmente saudáveis, é necessário que estejamos mais disponíveis, fisicamente e emocionalmente para nossos filhos, principalmente na primeira infância. 

Dar colo, acolher os sentimentos, amamentar em livre demanda, parece ser uma dificuldade para muitas famílias que se deixam levar pelos julgamentos das mesmas pessoas que subestimam a importância do brincar na infância! Não há disponibilidade física e emocional dos adultos para atender as necessidades básicas das crianças para um desenvolvimento físico e neural mais satisfatório. 

Se continuarmos valorizando mais o sucesso profissional do que a infância dos nossos filhos, vamos caminhar para uma sociedade cada vez mais carente de afeto e com feridas emocionais difíceis de tratar. 

O brincar não é apenas para crianças; é uma parte fundamental do desenvolvimento humano que contribui para a saúde mental, a criatividade, as habilidades sociais e a felicidade ao longo da vida. 

E lembre-se, neste “Dia das Crianças”, ofereça ao seu filho o melhor presente que ele poderia ganhar: a sua presença! Brinque mais! Esteja disponível fisicamente e emocionalmente!”.

“Vejo nas crianças um desejo enorme de brincar”

Arquivo Pessoal

Cyndell Marquetti, Psicopedagoga Clínica

“O brincar permeia a infância e possibilita que a criança se constitua enquanto sujeito, ou seja, à medida que a criança brinca, ela experimenta diferentes possibilidades, fazendo pequenos ensaios que preparam para a vida. A partir do brincar, a criança vai descobrindo o mundo, e ao mesmo tempo, se descobrindo como parte desse mundo. 

Além disso, diversas pesquisas revelam que o brincar estimula inúmeras habilidades cognitivas, sociais e emocionais, criando novas conexões sinápticas e fortalecendo outras já estabelecidas, tudo isso, devido a plasticidade cerebral que é incrivelmente potente na primeira infância (dos 0 aos 6 anos). E como tornar o brincar interessante diante de tantos eletrônicos (iPad, videogame, televisão)? Confesso que pra mim é simples, porque como mãe, professora e psicopedagoga, vejo nas crianças um desejo enorme de brincar, especialmente com os pares, porém, é preciso oportunizar possibilidades para essas crianças! 

Por vezes, elas acabam escolhendo os eletrônicos porque não tem outra opção, ou seja, não podem brincar na rua, no apartamento não tem muito espaço ou não tem com quem brincar, os pais estão trabalhando, então o que sobra? 

Isso sem contar que a criança vê nos adultos com os quais convive o exemplo a ser seguido. 

Precisamos ter em mente que a criança é um ser social e que precisa do outro para desenvolver-se, sendo assim, é responsabilidade dos pais criarem situações em que o brincar tenha importância: seja separando um tempo durante o dia para brincar com seu filho (isso sem dúvida irá fortalecer o vínculo e promover o desenvolvimento de várias habilidades), convidando um amigo para brincar em casa, aproveitando espaços ao ar livre, e é claro, limitando o tempo de tela!”.

“Abortar o brincar da vida das crianças, é promover um distanciamento dela do seu ser”

Mel do Quintal Mágico (Arquivo Pessoal)

Melania B. Horst, diretora do CEI (Centro Educacional Infantil) Quintal Mágico, fundado em 1989 em Balneário Camboriú

“ Uma criança quando brinca, “ora”! A criança necessita do “brincar” como alimento para sua alma, fortalecendo sua inteligência cognitiva, emocional, psíquica, através do ato do brincar a criança constrói seu ser, se vitaliza, expande sua capacidade de pensar, elabora emoções, busca soluções para os problemas que surgem, se desafia e cria diante destas complexidades das aprendizagens, conceitos lógicos de permanência, capacidade de representação simbólica, quando, com facilidade de incorporar outros papéis nas brincadeiras, lhes possibilitando construir flexibilidade cognitiva para os diálogos, justificar uma ideias, conservar memória anterior, aumentando suas habilidades funcionais. Abortar o “brincar” da vida das crianças, é promover um distanciamento dela do seu “ser”, fragmentando sua constituição, dando à ela fardos pesados para carregar, antes de construir forças maturativas que envolvem os sistemas neuronais, emocionais e cognitivos! Brincar é proporcionar crescer saudável em todos os aspectos do seu desenvolvimento, a melhor maneira de prevenir contra doenças físicas e psicológicas, a melhor forma de aprender. 

A atividade do “brincar” para criança é a melhor prova de amor que podemos doar a um filho(a), quando há respeito e desejo de fazermos garantias para que sua vida em extensão, possa ser plena de buscas, trabalhos, que possam conviver com as pessoas, superar frustrações sem perder o valor da vida, o valor de lutar, o valor de ser!”.

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