Ministério Público aponta inconsistências em inquérito sobre morte do cão Orelha

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(FOLHAPRESS) – Três dias após a conclusão do inquérito sobre a morte do cão Orelha, o Ministério Público de Santa Catarina anunciou nesta sexta-feira (6) que vai pedir medidas complementares à Polícia Civil devido a supostas inconsistências nas investigações.

Segundo comunicado do órgão, as promotorias de Justiça que acompanham o caso da morte de Orelha e da suposta coação feita por parentes dos adolescentes contra um porteiro dizem que é necessária uma reconstrução mais precisa do que aconteceu. A polícia ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido.

A 10ª Promotoria de Justiça apontou lacunas na apuração da participação dos adolescentes considerados suspeitos da agressão a Orelha. Dos quatro oficialmente investigados, três ficaram de fora do inquérito.

Já a 2ª Promotoria de Justiça, que acompanha o processo sobre coação, defende mais apuração sobre alguns pontos do caso. Dentre eles está a possibilidade de não haver relação entre o episódio de agressão a Orelha e a suposta coação que teria sido cometida por três familiares adultos contra um porteiro.

É o que sustentam tanto a defesa do adolescente indiciado por suspeita de agressão contra o cão Orelha quanto os pais de um de outro jovem que foi inicialmente considerado suspeito, mas teve o envolvimento descartado.

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Eles dizem que a suposta coação, na verdade, foram conversas com o porteiro após um desentendimento entre ele e os dois jovens na noite do dia 12 de janeiro, quando os adolescentes entravam no condomínio para ir a uma festa.

Segundo relatos, o funcionário enfrentava problemas com adolescentes do condomínio devido a episódios de mau comportamento e perturbação do sossego. Ele teria compartilhado imagens dos dois menores em um grupo de WhatsApp e dito que suspeitava que ambos estavam envolvidos na agressão a Orelha.

De acordo com a Polícia Civil, o cão foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, localizada no norte da ilha de Florianópolis.

Uma imagem que a polícia considera importante para provar o envolvimento do adolescente na agressão contra Orelha é um vídeo que mostra o jovem deixando o condomínio às 5h25 da manhã, acompanhado de uma amiga, e retornando às 5h58. A polícia estima que Orelha foi atacado em torno das 5h30.

Laudos periciais apontam que o animal sofreu um golpe contundente na cabeça, que poderia ter sido causado por um chute ou um objeto como madeira ou uma garrafa.

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Imagens que circulam na internet como lesões graves em outras partes do corpo ou ferimentos feitos a pregos foram descartadas.

A defesa do adolescente indiciado aponta que o caso é influenciado por desinformação nas redes sociais, e diz que o jovem e a família enfrentam ameaças feitas online e exposição de dados pessoais.

Os advogados também questionam como a polícia estima o horário da agressão se não há imagens que mostrem o ocorrido.

Nesta sexta, a defesa negou que familiares estejam se mobilizando para enviar o jovem para a Austrália para escapar da possibilidade de internação, conforme solicitado pela Polícia Civil na conclusão do inquérito.

Segundo a defesa, o adolescente tem um parente que mora no país e essa informação foi distorcida em uma narrativa falsa.

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Grupos ativistas e parlamentares ligados à causa animal também questionaram o resultado do inquérito e pedem a federalização do caso. Na segunda-feira (2), o delegado Ulisses Gabriel disse em nota que federalizar a investigação não era cabível porque “não há não há omissão da Justiça Catarinense, impunidade e grave violação de direitos humanos”.

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