Mural em homenagem à seresteira Eulina Silveira deve ser finalizado nos próximos dias, na Praça da Bíblia

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A voz que embalou as manhãs na Praça da Bíblia, no Centro de Balneário Camboriú, agora está retratada em um mural artístico de 122 metros quadrados na praça. A rainha das serestas de Balneário Camboriú, Eulina Ladewig Silveira, que faleceu em novembro de 2025 aos 95 anos, está sendo homenageada com um mural feito pelo artista Fernando Cardoso, o Nando.

A obra, intitulada “Eulina Seresteira”, começou a ser pintada no início do mês e deve ser concluída nos próximos dias, dependendo das condições climáticas. 

A iniciativa partiu de amigos e admiradores da cantora e foi acolhida pela prefeita Juliana Pavan. 

A Fundação Cultural viabilizou o projeto por meio do edital de credenciamento de prestadores de serviços artístico-culturais e contratou o artista Nando, que já pintou muitos murais pela cidade, além de obter a autorização do condomínio para a realização da pintura.

Segundo Nando, o mural tem como propósito principal homenagear a artista conhecida como a Rainha Seresteira de Balneário Camboriú. 

“Inicialmente, busquei uma composição com estilo ilustrativo que mescla elementos de pintura mista com elementos do design, sendo esta uma característica artística minha”, explica.

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A composição foi pensada para conduzir o olhar diretamente à protagonista. 

O artista Nando em ação
Divulgação

“Busquei trazer o foco no elemento central e de maior destaque: o retrato da dona Eulina cantando, segurando um microfone. Eu a incluí em um plano intermediário, com um fundo desfocado que sugere um ambiente de baile ou seresta. Este foco evidente direciona o olhar do espectador para a artista e sua performance”, diz.

A cena ao fundo retrata casais dançando, vestidos com trajes que remetem principalmente à década de 1930, período associado à história das serestas e da música de salão. 

O desfoque e a iluminação suave conferem ao cenário um ar de memória, sonho e saudade, como se a música ainda ecoasse em algum lugar entre o passado e o presente.

“A composição central levou cerca de três meses de pesquisas e reuniões com a família. A escolha final da arte foi feita de forma colaborativa com familiares da cantora, respeitando sua trajetória e identidade. 

O título “Eulina Seresteira” está evidente na parte superior do mural, reforçando a proposta da obra”, acrescenta Nando.

Cores que contam histórias

O plano de fundo é composto por uma paleta de tons pastéis e neutros, como verde claro, marrom-claro e azul-marinho pastel, além de folhagens e flores estilizadas. Já a figura de Eulina ganha cores mais vívidas, como o casaco verde-oliva e o batom e unhas vermelhas, criando contraste e destacando sua presença como protagonista. 

“O estilo geral é suave, nostálgico e elegante”, resume o artista.

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Nando também destaca que sempre introduz em suas obras a Psicologia das Cores, estudo que analisa como as tonalidades influenciam emoções e comportamentos. No caso de Eulina, os tons de verde têm um significado especial. “A escolha dos tons de verde se refere primeiramente às cores dos olhos da artista. Busquei representá-la assim como eu a percebia: uma flor elegante em um jardim”, pontua.

Ele detalha ainda a presença do verde-água claro, levemente azulado, que remete ao mar em águas rasas e ao mesmo tom dos olhos da cantora.

“Representando a Costa Esmeralda. Um verde marítimo suave, com tons acinzentado-azulados que lembram a espuma do mar. O que se remete à eternidade”, aponta.

Museu a Céu Aberto

Após a conclusão, o mural passará a integrar o Museu a Céu Aberto (MCA), mantido pela Fundação Cultural e instituído pela Lei nº 4.634/2022. O acervo já conta com mais de 300 obras mapeadas, entre grafites, murais, esculturas, estátuas e monumentos espalhados pelas ruas da cidade, formando um verdadeiro roteiro artístico urbano.

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