“Os jovens da classe trabalhadora de Balneário Camboriú também têm direito ao lazer”, diz morador sobre denúncia de perturbação na Praça da Bíblia

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Após a publicação de matéria sobre denúncia de perturbação na Praça da Bíblia, conhecida também como Praça da Cultura (relembre aqui), o Página 3 recebeu diversos comentários de jovens frequentadores do local, e um deles pediu ‘direito de resposta’, reproduzido abaixo e, ao seu pedido, de forma anônima:

“Prezado jornal Página 3,

Sou morador de Balneário Camboriú e frequentador noturno da Praça da Bíblia. Li a matéria sobre a reclamação de uma moradora e, respeitando o incômodo que ela sente, gostaria de apresentar a versão de quem vive esse espaço de outra forma.

Primeiro, é preciso lembrar que a rua é um espaço público. Eu entendo que a presença de jovens de classes inferiores possa incomodar moradores de regiões valorizadas como os fundos do Atlântico Shopping, mas isso não muda a natureza do logradouro. A praça é nossa também.

Segundo: o consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos não é proibido no Brasil. Quanto às drogas, desconheço qualquer uso de substâncias como maconha na praça. Mas mesmo que houvesse, vale destacar que o porte dessa substância foi descriminalizado pelo Supremo Tribunal Federal em 26 de junho de 2024. Não se trata de uma opinião — é a decisão da mais alta corte do país.

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Terceiro: nós, frequentadores, não utilizamos aparelhos de som porque a Guarda Municipal confisca. E, sobre os motociclistas que fazem manobras perigosas durante a madrugada: isso é papel da guarda de trânsito e da polícia. Não tem nada a ver com os jovens que estão na praça conversando e bebendo.

Quarto: dizer que representamos risco à segurança ou ao turismo é no mínimo rídiculo. Cadê os boletins de ocorrência? Cadê os crimes documentados cometidos pelos frequentadores da praça? Sem provas, isso é preconceito puro e simples. Vale lembrar também que os frequentadores da praça constituem um grupo heterogêneo que não deve ser responsabilizado como um todo por ações de uma pessoa ou outra que venham a, por exemplo, ferir a lei do silêncio.

Concluo com o que realmente está em jogo: os jovens da classe trabalhadora de Balneário Camboriú também têm direito ao lazer. Vivemos em uma cidade turística maravilhosa, com de tudo para o entretenimento. Só que a maior parte das atrações — bares, casas noturnas, eventos pagos — não está ao alcance da classe trabalhadora local. Resta a esses jovens se encontrarem na rua para beber aos fins de semana porque ao menos isso é de graça.

Atenciosamente,
Um frequentador da praça”.

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