A pesca artesanal da tainha voltou a ser realizada em Balneário Camboriú na sexta-feira (12), após o Ministério da Pesca e Aquicultura autorizar uma cota extra de 430 toneladas para a modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina.
A retomada ocorreu após a publicação da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 63, de 11 de junho, que ampliou de 1.332 para 1.762 toneladas a cota coletiva destinada aos pescadores artesanais catarinenses. A pesca havia sido interrompida em 7 de junho, quando o governo federal informou que cerca de 90% do limite inicialmente autorizado já havia sido atingido.
A decisão provocou forte reação de pescadores, entidades representativas e lideranças políticas de diversas cidades do litoral catarinense, que argumentaram que o encerramento antecipado da safra colocaria em risco a renda de milhares de famílias e comprometeria uma tradição centenária do estado.
Em Balneário Camboriú, aproximadamente 300 famílias dependem diretamente da pesca artesanal da tainha. A atividade é realizada em dez ranchos distribuídos entre as praias Central, Laranjeiras, Taquarinhas, Taquaras, Pinho, Estaleiro e Estaleirinho, além de ser reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município desde 2019.
Mesmo durante o período de suspensão, a fiscalização da pesca irregular foi mantida nas praias de Balneário Camboriú. O objetivo era evitar ações que pudessem prejudicar ainda mais os pescadores locais, especialmente com a dispersão dos cardumes provocada por práticas não autorizadas.
Cota foi dividida em duas regiões
Do total de 430 toneladas adicionais liberadas pelo Ministério da Pesca, 230 toneladas foram destinadas ao litoral centro-norte de Santa Catarina, região que inclui Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema, Bombinhas, Navegantes, Penha, Porto Belo, Barra Velha, Balneário Piçarras, Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá, Araquari, Balneário Barra do Sul e Governador Celso Ramos.
As outras 200 toneladas foram destinadas aos municípios do litoral centro-sul catarinense, abrangendo cidades como Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba, Laguna, Jaguaruna e Passo de Torres.
Com a nova autorização, os pescadores voltam ao mar para tentar aproveitar o restante da safra, que tradicionalmente se estende até o dia 31 de julho.

