Projeto prevê criação de Política Municipal de Atenção à Gagueira e à Pessoa que Gagueja

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Foi protocolado nesta segunda-feira (6) o Projeto de Lei Ordinária N.º 267/2025, com objetivo de criar em Balneário Camboriú a Política Municipal de Atenção à Gagueira e à Pessoa que Gagueja. 

De autoria do vereador Eduardo Zanatta, subscrito pelos vereadores Jade Martins e Samir Dawud, a proposta legislativa quer trazer maior visibilidade para um problema de saúde que atinge 10 milhões de brasileiros, sendo que 20% destes são de forma crônica, conforme dados do Instituto Brasileiro de Fluência. 

Na justificativa do projeto, os vereadores lembram que o município informou, em 2023, através de resposta ao Pedido de Informação nº 274/2022, que não possuía dados reais sobre o número de moradores com gagueira, e por isso se torna ainda mais necessária a criação de políticas públicas que atendam essa parcela da população, já que socialmente e culturalmente, a pessoa que gagueja é mal compreendida, e muitas vezes, rotulada indevidamente quanto aos seus aspectos cognitivos, sociais e comportamentais, sendo discriminada, com consequências à saúde mental de quem gagueja. 

A vereadora Jade conta que a demanda pelo projeto chegou por causa da Comissão da Pessoa com Deficiência, que ela preside, através do vereador Eduardo Zanatta, que foi procurado por moradores.

Jader Martins (Divulgação)

“O Zanatta encaminhou para mim como presidente da comissão assinar em conjunto e para o Samir porque ele aprovou o PL de Apraxia da Fala (transtorno motor do planejamento e sequenciamento dos movimentos da fala). É uma política que visa trazer visibilidade para esse problema de saúde e ao mesmo tempo traz informação quanto a necessidade de diagnóstico e intervenção precoce para que as possibilidades de remissão e até mesmo de resultados melhores no tratamento ocorram, e ao mesmo tempo também se objetiva combater a discriminação que essas pessoas sofrem”, explica.

O projeto já passou pela Comissão de Justiça e Redação e deve passar na terça (7) pela Comissão de Saúde. 

“Creio que na semana que vem pode estar pronto para ser pautado”, acrescenta Jade.

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Auri Pavoni e Dão Koeddermann, que já sofreram com gagueira, falam sobre a importância do projeto

O atual diretor-presidente da Emasa, Auri Pavoni, e o diretor-presidente do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Balneário Camboriú (BC Previ), já sofreram com gagueira. Por isso, a reportagem do Página 3 os procurou para que opinassem sobre a importância do projeto. Acompanhe abaixo.

Divulgação/CVBC

Auri Pavoni, diretor-presidente da Emasa – “Eu acho muito importante esse projeto, porque quando eu era criança me afetava bastante. Eu quase não conversava, principalmente na escola. Quando ia falar, gaguejava, e as pessoas riam. Durante a infância e a juventude me prejudicou. Hoje consegui superar, mas acho que quem sofre, acaba sentindo muito, porque é natural quando gagueja alguém complementar a palavra, querer ajudar, bater nas escolas, rir… deixa um trauma, a pessoa fica introspectiva. É importante ter um programa assim na cidade. Para mim [a gagueira] serviu para desenvolver outras habilidades e me desafiou a enfrentar essa situação, esse desafio. Eu tinha que me superar. Eu tive um trauma – caí no rio, quase me afoguei e isso causou a gagueira. Não me lembro de não ser gago, mas meus pais dizem que eu não nasci assim. Tem como tratar, pois limita muito em várias atividades, para social e profissional, e é bom ter esse apoio. É um ótimo projeto. Eu cheguei a sair do Lions Clube, pois era minha vez de ser presidente e o trauma de falar com mais pessoas e em público, fez eu sair. Quando assumi a presidência do Sinduscon, você não imagina o esforço que fiz, simplesmente pelo receio de me expressar em reuniões e em público, e assim foi quando o Rubens [Spernau] me convidou para ser secretário. Nas primeiras entrevistas ou falas para mais gente eu gelava, mas fui me aceitando e enfrentando meus monstros internos”.

Foto: Renata Rutes

Dão Koeddermann, diretor-presidente do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Balneário Camboriú (BC Previ) – “Considero que é um projeto importante, sim. Porque hoje a gente sabe que gagueira é problema psíquico, trata-se com outra visão, mas é importante [o projeto] porque senti na pele quando criança. Não havia pessoas habilitadas para me tratar também. Senti que prejudicou minhas atividades escolares e até o aprendizado no início. Me zoavam, soava como brincadeira, mas eu ficava com vergonha, isso inibia a participação dentro da sala de aula, em evento social, causa uma série de situações. Eu aprendi a lidar com isso, mas foi pela necessidade e vivência e não apoio ou algo que tenha sido coordenado para acontecer. Acho extremamente importante o projeto para dar suporte para essas pessoas, que possam lidar com essa situação desde o início, pois tem metodologias para tratar. Eu não fiz tratamento, mas descobri que o microfone me tirava a ansiedade para falar, pois com impostação de voz eu conseguia segurar. O microfone me deu segurança – para muitos assusta, mas para mim dava segurança. Eu brincava com o microfone, impostava voz, e não gaguejava. Eu era o gago que travava, por isso trabalhei muito tempo com microfone. Isso é muito normal [a gagueira], meu neto também teve, faz tratamento com fono, e eu percebi que ele se inibia quando gaguejava”.  

Balneário Camboriú sediária o 13º Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam neste mês

A Associação Brasileira de Gagueira (Abra Gagueira) realizará o 13º Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam em Balneário Camboriú, no próximo dia 25. O evento conta com a parceria da Universidade do Vale do Itajaí e será realizado no Campus Balneário Camboriú, das 7h30 às 18h. 

O evento é voltado para pessoas que gaguejam e familiares, profissionais da área da saúde e estudantes, além de pessoas interessadas pelo tema. 

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A programação será lançada em breve e proporcionará uma oportunidade única para troca de experiências, promovendo uma atualização científica aos participantes.

As inscrições estão abertas pela plataforma Sympla. 

Os interessados podem se inscrever até a véspera do evento (24/10). Os valores das inscrições são R$ 30,00 para pessoas que gaguejam ou familiares, R$ 50,00 para estudantes de fonoaudiologia e R$ 75,00 para fonoaudiólogos e profissionais de outras áreas.

Saiba mais sobre o evento aqui.

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