O promotor de Justiça de Balneário Camboriú, José de Jesus Wagner, está retido em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o fechamento do espaço aéreo em decorrência do agravamento do conflito na região.
Em relato enviado nesta segunda-feira (2), ele descreveu o cancelamento do voo, a falta de informações concretas e a dificuldade de apoio consular.
Segundo Wagner, o embarque estava previsto para às 9h05 (horário local), mas foi suspenso após a interrupção das operações aéreas. A informação recebida é de que o espaço aéreo permaneceria fechado até pelo menos às 15h desta terça-feira, 03/03 (horário local).
O promotor está acompanhado da esposa e afirma que, apesar do desconforto, a situação está sob controle.

“Não estou aterrorizado, e sim numa situação desconfortável. Minha indignação é quanto ao cadastramento prévio de quantos brasileiros eventualmente poderão ser evacuados”, relatou.
Falta de cadastramento preocupa
A principal crítica feita por Wagner é em relação à ausência de um cadastramento prévio de brasileiros que permanecem no país, o que, segundo ele, poderia facilitar eventual operação de evacuação.
Ele informou que conversou com o vice-cônsul do Brasil em Abu Dhabi, Rafael Caminha de Carvalho Beltrame, mas considerou a resposta burocrática.
“A orientação foi aguardar e seguir as orientações do governo local. Nada além disso”, afirmou.
De acordo com o promotor, não houve solicitação de seus dados pessoais durante o contato.
“Indaguei se estavam fazendo cadastramento dos brasileiros que ainda estão aqui. A resposta foi negativa e que isso só seria feito se houvesse necessidade de repatriação”, disse.
Para Wagner, a medida deveria ser preventiva.
“Ou seja, vão organizar isso depois que a situação se agravar. Um absurdo”, declarou.
Brasileiros se organizam por conta própria
O promotor mantém contato direto com um casal de Porto Alegre que também está em Dubai. Segundo ele, há muitos brasileiros na cidade, mas não é possível estimar um número exato.
“Dubai é muito grande, a rede hoteleira é gigante, além de Abu Dhabi. A informação é que existem muitos brasileiros aqui no momento, mas não consigo quantificar”, relatou.
Com a hospedagem encerrando nesta segunda-feira, Wagner precisou trocar de hotel, já que não havia disponibilidade para prorrogação no local onde estava.
Alternativas descartadas
Diante do fechamento do espaço aéreo, uma das possibilidades cogitadas por brasileiros seria deslocamento terrestre para países vizinhos.
No entanto, segundo o promotor, não houve recomendação para seguir de carro até Omã, país que também teria sido alvo de ataques.
Até o momento, a orientação oficial recebida pelos brasileiros é aguardar e acompanhar as determinações do governo local.
O caso ocorre em meio à escalada do conflito na região, que impactou diretamente a malha aérea internacional e deixou passageiros retidos em aeroportos e hotéis nos Emirados Árabes Unidos.

