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Rei de Angola visitou o Morro do Boi e dançou com o grupo de maracatu Nova Lua

O rei de Angola, Tchongolola Tchongonga-Ekuikui VI foi recepcionado no Morro do Boi, nesta quinta-feira (2), única visita que fez em Balneário Camboriú. No local, ele foi recebido pela Associação Quilombola e assistiu a apresentações do grupo de maracatu ‘Nova Lua’.

O Rei com o grupo de maracatu (Divulgação/Associação Quilombola)

O rei gostou do que viu e dançou junto com o grupo.

A presidente da Associação Quilombola, Sayonara Siqueira, disse que a visita registrou um momento histórico.

“A vinda do Rei para conhecer a nossa comunidade foi um marco na nossa história, que será lembrado por muitos anos. É preciso destacar que não houveram barreiras de comunicação, ele conversou com a fundadora da Associação e visitou a matriarca Dona Guida, o que deixou a comunidade muito feliz”, disse.

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A fundadora da Associação Quilombola, Sueli Leodoro, que fez as honras ao Rei, disse que foi uma emoção muito grande, fazer a corte, ficar sempre do lado e dialogar com ele.

“Foi um dia importante e todos ficamos emocionados com a sensibilidade do Rei, porque ele fez questão de visitar minha mãe Margarida (conhecida como Dona Guida, matriarca do Morro do Boi), que está acamada. Ele foi até o aposento, conversou com ela. Ele é uma pessoa simples e até me convidou para conhecer Angola, o que nos deixou muito feliz”, disse.

Na Univali também

O Rei de Angola no Campus da Univali/Itajaí (Foto Dales Hoeckesfeld)

Antes de conhecer o Morro do Boi, o monarca, que representa o maior grupo étnico de Angola, os Ovimbundos, visitou a Univali, em Itajaí.

O professor do curso de Relações Internacionais da Univali, Diego Lopes Costa, explica que a comunidade angolana está presente em Itajaí desde o processo de independência e guerra civil que o país atravessou, na década de 70. 

“Esse encontro é um símbolo de reconexão entre o rei do maior grupo étnico de Angola com essa comunidade que permanece aqui. É um momento histórico importantíssimo, sobretudo do ponto de vista cultural”, afirmou o docente que leciona Estudos Regionais África na Universidade.

A cofundadora da Associação dos Naturais e Amigos de Angola (Anang), Graça Lweji Fortes, conta que os primeiros refugiados que chegaram à cidade, em 1976, fundaram a organização e que a visita do monarca trouxe uma reconexão ancestral.

“Nós precisávamos desse aconchego. É como se um pai voltasse à casa e nos abraçasse. É isso que representa a sua majestade para nós. E dado a importância que ele tem dentro de Angola, por ser o rei da maior etnia do grupo bantu, então nós estamos muito felizes, porque ele está nos trazendo, realmente, a reconexão ancestral que tanto nós precisávamos”, conta Fortes, que deixou a Angola quando criança.

A representante da Anang informou ainda que, a exemplo de São Paulo, a Associação busca instituir a Casa de Angola de Itajaí. 

“Dada a importância da nossa chegada aqui nessa cidade e nosso histórico, nós queremos que futuramente as pessoas possam acessar isso e saber qual é a importância de Angola e de Itajaí. Afinal de contas, nós crescemos aqui, nos fortalecemos e criamos vínculos familiares. Portanto, hoje nós temos uma geração que é brasileira e angolana e, por isso, nós queremos deixar para os filhos e netos a nossa história”, afirmou Fortes.

O rei Tchongolola Tchongonga-Ekuikui VI declarou que a visita ao Brasil deveria ter sido feita há muito tempo. Para o monarca, este ato cumpre a profecia dos seus ancestrais que, sabendo que muitos africanos foram retirados das suas zonas de vivência para o Brasil, apostavam que um dia os seus filhos seriam visitados.

 “Nós viemos aqui visitar e reconectar esse povo, informando a eles que nós ainda estamos vivos, nós que somos as raízes, nós que somos a fonte da cultura, dos hábitos, dos costumes e das tradições e também viemos aqui matar aquela saudade que nos separou por longos anos e manter a unidade, a união de forma que um dia eles também possam conhecer aquelas localidades de onde eles vieram.”, afirmou.

Quando questionado sobre as similaridades entre os dois países, o rei da Angola, destacou o bom humor, a gastronomia e a dança.

 “Realmente há bastante tempo nós ouvíamos dizer que Angola e Brasil são irmãos. Hoje estamos vendo que a amizade, a alegria, a boa recepção que nós encontramos aqui no Brasil é realmente aquilo que os nossos mais velhos sempre diziam. E uma outra coisa é com relação à gastronomia. Aqui nós encontramos produtos iguais aos que tem na Angola, mas aqui a criatividade na gastronomia é diferente. E muito boa. Vamos também levar alguma coisa daqui para lá. E vemos as danças praticadas aqui, a capoeira, o samba e outras, são muitas semelhanças, em várias áreas.”, destacou.

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O diretor de Assuntos Institucionais da Univali, professor Luis Carlos Martins, afirmou que foi um privilégio para a Universidade receber o monarca, que representa o maior grupo étnico no país. 

“Santa Catarina mantém laços culturais com a África, especialmente, com Angola. A visita do rei fortalece os vínculos e reafirma a intenção de se estabelecer em Itajaí a Casa dos Amigos de Angola. A Univali se sente honrada com a oportunidade de contribuir em projetos e ações, por meio de parcerias com Angola, o Município e a Associação.”

Entre outros compromissos, a agenda do monarca também incluiu a participação no lançamento da Campanha Itajaí Sem Racismo, iniciativa do Município de Itajaí que visa divulgar e fortalecer a promoção da igualdade racial, durante o mês da Consciência Negra.

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