Siri Sarado atravessa duas décadas mantendo tradição das marchinhas e do “bonde” no carnaval de rua

O bloco estará nas ruas três dias: nesta sexta (13), nos bairros Nações e Ariribá e Avenidas Brasil e Atlântica, no domingo nos bairro da Barra e Laranjeiras e na segunda nos bairros Pioneiros e Nações

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Nascido de uma mistura de improviso, criatividade e paixão pelo carnaval de rua, o bloco Siri Sarado completa cerca de 20 anos como uma das presenças mais tradicionais entre Balneário Camboriú e Itajaí. 

Com um formato próprio, baseado em um bonde motorizado que arrasta foliões pelas ruas, o grupo mantém como marca registrada o repertório de marchinhas clássicas e sambas-enredo históricos.

A origem do bloco remonta ao início dos anos 2000, quando um grupo de amigos decidiu criar uma estrutura móvel para levar o carnaval às ruas. A primeira composição surgiu a partir da adaptação de uma base de trator adquirida junto a uma empresa de madeira de Itajaí. Sobre ela, foi instalado um antigo Candango 1959, que acabou sendo cortado, ampliado e equipado com motor de Land Rover, garantindo potência suficiente para puxar o vagão carnavalesco.

A estrutura passou a ser utilizada inicialmente em eventos ligados ao antigo Carnabrava, realizado em área próxima à Praia Brava, em Itajaí. Na época, um dos desafios para a realização do baile de carnaval ao ar livre foi a necessidade de preservar buracos de corujas existentes no terreno. A área foi isolada e protegida para evitar impactos às aves, em um esforço coletivo que marcou os primeiros passos do grupo.

A partir dali, o bonde começou a circular também por Balneário Camboriú, ganhando força e atraindo cada vez mais foliões.

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Divulgação/Siri Sarado

Arrastão e música própria

Com o crescimento do público, o bloco passou a ser seguido por multidões durante os trajetos. Em muitos momentos, os integrantes precisavam interromper o percurso para se despedir e dispersar a concentração de pessoas.

Foi nesse contexto que nasceu a música oficial do Siri Sarado, composta por Antônio Pedro dos Santos Filho, o Tatty, atual diretor de Marketing e Eventos do bloco. A canção funciona como um convite direto ao público para integrar o arrastão e reforça o espírito coletivo da festa.

Desde o início, o grupo adotou como proposta trabalhar essencialmente com marchinhas tradicionais e sambas-enredo marcantes de diferentes escolas, priorizando músicas conhecidas pelo público e que preservem o caráter popular do carnaval. Canções consideradas ofensivas ou inadequadas foram deixadas de fora do repertório ao longo dos anos.

Crises e reconstruções

A trajetória do Siri Sarado também foi marcada por momentos de ruptura interna. Em determinado período, divergências entre integrantes resultaram na saída do proprietário da estrutura original, que levou consigo o bonde e o veículo que fazia o reboque.

A solução encontrada foi reconstruir tudo do zero. O grupo adquiriu madeira, ferro e rodados, estruturando um novo bonde. Para regularizar a documentação, foi incorporada uma carreta originalmente utilizada para transporte de embarcações, permitindo o registro do equipamento e sua circulação legal. Atualmente, o conjunto é puxado por caminhonete alugada a cada edição do carnaval.

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Hoje, a organização do bloco é mantida por três responsáveis diretos: Antônio Pedro dos Santos Filho (Tatty), na área de marketing e articulação; Luiz Afonso Coelho, presidente; e Omar Bernardino Rebello, responsável financeiro.

Mesmo com mudanças de integrantes ao longo dos anos, o grupo seguiu ativo e preservando a proposta original.

Defesa do carnaval de rua

Para Tatty, o Siri Sarado sempre teve como missão principal levar o carnaval para perto das pessoas, mantendo a tradição das marchinhas e do formato de arrastão.

Ele acredita que Balneário Camboriú tem potencial para fortalecer ainda mais o carnaval popular, especialmente pela extensão da orla e pela vocação turística da cidade.

Segundo ele, iniciativas que estimulem concentrações e trajetos organizados de blocos motorizados poderiam transformar a festa em um dos maiores carnavais do país, sem perder o caráter comunitário.

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O bloco também destaca o apoio institucional recebido nos últimos anos, tanto por parte da Liga Carnavalesca quanto do poder público municipal, apontando que o fortalecimento do carnaval depende da união entre organizadores, imprensa e comunidade.

“O nosso objetivo sempre foi levar alegria e preservar a tradição. O carnaval pode crescer, sim, mas sem perder sua essência”, afirma Tatty.

Após duas décadas de trajetória, o Siri Sarado segue apostando na fórmula que o consagrou: um bonde na rua, marchinhas no repertório e gente atrás, formando o arrastão que sustenta o espírito do carnaval popular na região.

Quem deseja sair com o Siri Sarado pode entrar em contato via WhatsApp ‪47 99985‑5632‬.

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