“Todos pelo Rio Camboriú e Afluentes”: voluntários coletaram 5,9 toneladas de lixo em 10 pontos

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O Dia Mundial da Água foi celebrado no domingo (22), com a ação “Todos pelo Rio Camboriú e Afluentes”, que mobilizou mais de mil voluntários em 10 pontos de Balneário Camboriú (nove) e Camboriú (um).

Além do rio principal, a ação contemplou o Parque Linear de Camboriú, o Rio Marambaia (Rua Julieta Lins e nascente dentro do Colégio Vereador Santa, com plantio de 15 árvores frutíferas), Bairro da Barra (Praça do Pescador), Rio das Ostras, Rio Peroba (extensão da Sexta Avenida), Estaleirinho (nascentes Ribeirão Estaleirinho), Taquaras, Estaleiro (limpeza ao lado do lago da Mariquinha e na parte  Sul da Praia do Estaleiro) e Beira Rio (Avenida Normando Tedesco). 

Limpeza nas margens do Rio Marambaia. Foto Divulgação

Em 2025, foram retirados somente do Rio Camboriú duas toneladas de lixo, neste ano com a ampliação e mais pontos, foram retiradas 5,9 toneladas de resíduos.

Ação de limpeza também ocorreu no Estaleiro. Foto Divulgação

“Ainda falta consciência… todos os anos tiramos geladeiras, colchões, muito plástico, pneus…” (Nelson Oliveira)

O secretário do Meio Ambiente de BC, Nelson Oliveira. Foto Renata Rutes

Nesta segunda-feira (23), após a divulgação da quantidade de lixo retirada pelos voluntários, a reportagem conversou com o secretário do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Nelson Oliveira, que explica que o resultado das quase seis toneladas de lixo reforça que é necessário continuar trabalhando para que as pessoas de fato olhem para os rios e os ressignifiquem. 

Muitos resíduos retirados do Rio Camboriú. Na foto, a prefeita Juliana Pavan. Foto Renata Rutes

“Não falo só do Camboriú, que é o nosso coração ambiental, mas todos os córregos que temos e que ‘contribuem’ para que o Camboriú não seja efetivamente limpo, pois desaguam nele, e também em nossas praias. Em 2025 retiramos duas toneladas de lixo, e agora nos 10 pontos foram 5,9 toneladas”, conta.

No detalhe, lixo no Rio Camboriú, como sacolas plásticas e garrafas. Foto Renata Rutes

Nelson aponta que o propósito principal era incentivar que os moradores fizessem o reconhecimento dos córregos e rios de Balneário e Camboriú, para ver que a água é um patrimônio de todos e entender como está a situação hoje – que não é nada boa. 

“Ainda falta consciência, a prova é que todos os anos tiramos geladeiras, colchões, muito plástico, pneus… vejo que tem que se tornar cada vez mais um compromisso da comunidade, e por isso estamos mostrando que temos um problema e que para nos aproximarmos da solução é preciso agir de forma compartilhada, não apenas os governos municipais de Balneário Camboriú e Camboriú, mas também os moradores”, afirma.

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O secretário comenta que é difícil falar que a casa está suja, mas que isso é um fato que precisa ser ‘descortinado’ justamente porque o lixo não chega sozinho aos rios. 

“Muitas pessoas ainda jogam lixo no rio ou nas margens, por isso temos que buscar a consciência. O problema é nosso e a solução depende de todos nós. Vejo que estamos evoluindo porque foram décadas de lixo e esgoto sendo jogado, e agora buscamos romper isso. É um caminho que precisamos seguir dia a dia”, completa.

“Não basta mil pessoas, todo mundo precisa fazer” (Juliana Pavan)

Juliana e Leonel Pavan. Foto Renata Rutes

A reportagem do Página 3 acompanhou com exclusividade a limpeza do Rio Camboriú, no domingo, com a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan. Um dos destaques da manhã foi a área de invasão encontrada em uma trilha em uma das margens do rio, em um terreno com acesso pela Rua Barra Velha, no Bairro dos Municípios, onde havia muito lixo e até mesmo casas sendo construídas em cima de árvores, indicando que o local poderia ser um ‘acampamento’ de pessoas em situação de rua, por conta da presença de materiais possivelmente furtados/roubados [o vídeo do momento pode ser conferido aqui – https://www.instagram.com/p/DWMSLTUDlE7/].

A área de invasão encontrada, com muito lixo. Foto Renata Rutes

Juliana não escondeu o choque e disse que a situação é ‘inaceitável’ e ‘preocupante’, e que a prefeitura irá a fundo para limpar toda a área e também penalizar os responsáveis. 

Quantidade de resíduos encontrada em área próxima a margem do Rio Camboriú. Foto Renata Rutes

Ela afirmou que é preocupante porque grande parte do lixo que estava lá, se não fosse recolhido, iria para o Rio Camboriú ou ficaria no local poluindo. 

“Eu não sei se a palavra que define o que sinto seria revolta ou preocupação, porque é de conhecimento que se poluir nossos rios irá afetar a sua vida. Há muitas pessoas fazendo sua parte, mas infelizmente no meio disso tudo existem pessoas podres, que não fazem a sua parte, que tentam contaminar, mas é muito importante nos conscientizarmos, sair do discurso e partir para a ação – ambas as Camboriús, como estamos fazendo. Porém, não basta mil pessoas, todo mundo precisa fazer”, disse.

O jornal acompanha anualmente as ações de limpeza do rio, e algo surpreendentemente comum é a presença de descartes como colchões, geladeiras (ou pedaços delas), tampas de vasos sanitários, além de muito plástico como garrafas e sacolas. Neste ano foram encontradas também muitas cadeiras, roupas e até parte de uma pia. 

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“O rio Camboriú é nosso pulmão, sem ele estaremos desassistidos” (Leonel Pavan)

Leonel Pavan na abertura da ação Todos pelo Rio. Foto Renata Rutes

O prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, também acompanhou a ação e disse que quando traçou junto com sua filha e prefeita de Balneário, Juliana, um governo integrado, definiram alguns pilares prioritários, como os acessos da infraestrutura, educação, saúde, mas entre isso se destaca  a limpeza do Rio Camboriú. 

“O Rio Camboriú é um dos mais curtos do Brasil, mas que é o nosso pulmão. Sem o Rio Camboriú, 90% da cidade de BC está desassistida, sem o Rio Camboriú, nós também lá em Camboriú estaremos desassistidos. É fundamental essa integração para manter este rio limpo. Mas não adianta só os dois prefeitos, os governos – nós precisamos da comunidade. Esta parceria precisa ter sequência. Teve o primeiro ano, o segundo ano e que seja eternamente, cuidando daquilo que nos alimenta, que é a água do Rio Camboriú”, afirmou.

“Precisamos cuidar das nossas águas” (Jamile de Souza)

A presidente da FUCAM, Jamile. Foto Renata Rutes

A presidente da Fundação do Meio Ambiente de Camboriú – FUCAM, Jamile Naiara Pereira de Souza, também esteve presente e disse que se sente muito feliz com o movimento porque é uma ação integrada das duas cidades, que demonstra a preocupação dos dois governos com o Rio Camboriú e Afluentes. 

“Justamente em um dos dias mais importantes em relação ao meio ambiente, que é o Dia Mundial da Água. Ninguém vive sem água, precisamos cuidar das nossas águas e do Rio Camboriú, que liga as duas cidades. É o que nós estamos fazendo, cuidando do Rio. Parece uma ação simples, mas não é, porque ela envolve muitas pessoas, envolve educação ambiental, consciência ambiental. Estamos juntos, temos muitos projetos em relação a esse Rio, a qualidade das águas, com nossas cidades integradas”, afirmou.

“Se cada um de nós não fizer o nosso dever de casa, nada vai adiantar” (Auri Pavoni)

O presidente da EMASA, Auri Pavoni. Foto Renata Rutes

Quem também participou do momento foi o presidente da EMASA, Auri Pavoni, que opinou que as duas cidades dependem do Rio Camboriú, já que a água é fundamental na vida de todos. 

Ele comentou que o Rio Camboriú por anos, devido ao aumento populacional e ainda com pessoas e construções avançando na beira dos córregos, rios e nascentes, piorou a situação ambiental. 

“Porém, acho que de uns 10 anos pra cá a população tomou conhecimento e está buscando reverter a situação. Por exemplo, o Produtor de Água, que a Emasa coordena já faz 10 anos, já se sente o resultado. Hoje o rio produz mais água do que há 8 anos atrás. Então esse é um processo lento, mas é um processo que precisa ser feito. E o mais importante disso tudo é a consciência da população – se cada um de nós não fizermos o nosso dever de casa, nada vai adiantar. Então o que a gente vê hoje é uma consciência maior na preservação e na qualidade da água”, informou.

Parque Inundável

Sanção da lei do Parque Inundável. Foto Renata Rutes

Na cerimônia de abertura da ação, foi sancionada pela prefeita Juliana Pavan a Lei nº 5.230/2026, que inclui a implantação do Parque Inundável Multiuso da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú no Plano Plurianual (PPA) 2026/2029. Com a sanção, fica garantida a destinação de R$ 12.466.070,22 como contrapartida do município para a execução da obra.

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Da esquerda para a direita, Nelson Oliveira, Leonel Pavan, Juliana Pavan, Jamile Pereira e Auri Pavoni. Foto Renata Rutes

A obra prevê investimento superior a R$ 120 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), eixo de Prevenção a Desastres Climáticos. Do total, R$ 73 milhões serão repassados a fundo perdido e cerca de R$ 50 milhões serão viabilizados por meio de financiamento. Os recursos contemplam obras de drenagem, contenção e estruturação do parque.

“Esse investimento pode mudar a realidade hídrica da nossa região. Isso não é discurso, é ação concreta. Já aprovamos na Câmara, com investimento do superávit da Emasa, e Camboriú também fará a sua parte. E tudo isso vai sair do papel agora. Já assinamos, e a Caixa está fazendo toda a avaliação da revisão do projeto. Então, tudo isso vem para trazer ainda mais segurança hídrica para a região. E agora, quem sabe, no mês de abril possamos lançar a licitação da primeira parte do Parque Inundável. Isso é histórico. É sair do papel uma vontade, uma necessidade de muitos e muitos anos. Mas, graças a uma força conjunta, a uma integração de verdade, isso está virando realidade”, ressaltou a prefeita.

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