BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, para que seja liberada, na íntegra, a mídia do celular do empresário Daniel Vorcaro apreendido pela PF (Polícia Federal) em novembro de 2025.
Na noite de quinta (10), Fachin solicitou a André Mendonça, relator do caso Master no tribunal, que o sigilo de parte dos processos envolvendo a investigação fosse retirado. O magistrado atendeu ao pedido, porém, foram liberados os relatórios da PF sobre o conteúdo do celular de Vorcaro, e não a íntegra das suas mídias, como fotos, vídeos e notas.
No ofício, Zanin afirma que o material disponível no celular do ex-banqueiro está diretamente relacionado ao caso e que a decisão de Fachin para a quebra de sigilo já abrange o conteúdo.
Segundo ele, a disponibilização da mídia servirá para permitir a apreciação “necessária e completa” do julgamento que tem sessão marcada para a próxima terça (15). Na data, os integrantes da corte se reunirão em plenário para decidir sobre relatório da Polícia Federal que aponta o também ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro.
O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra Moraes ou na anulação do relatório que mostra diálogos entre o ministro e Vorcaro, conforme pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República), em 1º de setembro.
Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos. No pedido, Fachin destacou como exceção apenas o material cujo sigilo seria importante para não atrapalhar o andamento das próximas etapas do caso.
Contudo, a divulgação dos relatórios despertou reclamações por parte de Moraes. Em ofício enviado a Fachin nesta sexta (11), o magistrado disse que Mendonça não cumpriu o pedido de retirada do sigilo do caso e fez uma “escolha seletiva” do que viria a público.
Os documentos revelados até o momento apontam que o contrato feito pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, para o Master foi editado pelo próprio ministro. Além disso, o contrato, assinado em 2024, previa uma “consultoria estratégica” em procedimentos perante a Polícia Federal, as Polícias Civis, o Banco Central, a Receita Federal e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

