Shark e Sharkira, um casal de tubarões mangona, ajuda a mostrar como a pesca predatória, a captura acidental e até o consumo de “cação” colocam em risco um dos principais guardiões dos oceanos
Poucos animais atravessaram tantos capítulos da história da Terra quanto os tubarões. Eles sobreviveram a cinco extinções em massa e desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Ainda assim, enfrentam hoje uma das maiores ameaças de sua história: a ação humana. No Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), Shark e Sharkira, um casal de tubarões-mangona (Carcharias taurus), ajuda a conscientizar os visitantes sobre a importância da conservação da espécie e os impactos da pesca predatória, da captura acidental e do consumo de “cação”.
Neste 14 de julho, quando é celebrado o Dia Mundial da Conscientização sobre os Tubarões, a história do casal ajuda a explicar uma crise silenciosa. Predadores que habitam os mares há mais de 400 milhões de anos desaparecem em ritmo acelerado. As raias, parentes próximas, seguem a mesma tendência.
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mais de um terço das espécies de tubarões e raias está ameaçado de extinção. Pesca predatória, captura acidental em redes, degradação de habitats costeiros e o comércio de barbatanas e carne respondem pela maior parte desse declínio.
Quando desaparecem, deixam um vazio que se espalha por todo o ecossistema marinho. Como predadores de topo da cadeia alimentar, os tubarões regulam naturalmente populações de outras espécies. As raias exercem função semelhante no fundo do mar ao devolver sedimentos e redistribuir nutrientes. A redução dessas populações compromete recifes de coral, reduz a biodiversidade e afeta até a atividade pesqueira. A recuperação é lenta. Muitas espécies levam mais de dez anos para atingir a maturidade sexual e produzem poucos filhotes ao longo da vida.
A pressão também chega ao prato dos brasileiros. O peixe comercializado como “cação” é, na realidade, carne de tubarão. Como a legislação permite essa nomenclatura, muitos consumidores desconhecem a origem do produto e acabam incentivando, sem perceber, a captura de espécies vulneráveis e ameaçadas. Diante desse cenário, instituições de pesquisa e conservação ampliam os esforços para evitar o desaparecimento dessas espécies.
O Oceanic Aquarium integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Tubarões e Raias Marinhos Ameaçados de Extinção (PAN Tubarões), coordenado pelo ICM Bio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que reúne pesquisadores e instituições para fortalecer ações de pesquisa, conservação e educação ambiental.
Em junho, o aquário anunciou uma parceria com a Fundação Projeto Tamar para levar a Balneário Camboriú o Novo Submarino, iniciativa voltada à fauna das grandes profundezas. O projeto surgiu de pesquisas do Tamar sobre a captura acidental de tartarugas marinhas e também amplia o conhecimento sobre tubarões de profundidade, como os tubarões-gulper, espécies especialmente vulneráveis à pesca.
Shark e Sharkira ajudam a mudar a percepção do público sobre esses predadores. Os nomes foram escolhidos em votação nas redes sociais e, diariamente, milhares de visitantes acompanham a rotina do casal enquanto descobrem que a imagem construída pelo cinema está distante da realidade. Muito mais do que animais temidos, os tubarões são fundamentais para o equilíbrio dos oceanos.
Serviço
Oceanic Aquarium
Aberto todos os dias
Rua 4000 – Barra Sul
Balneário Camboriú (SC)
Outras informações e ingresso em www.oceanicaquarium.com.br

