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Balneário Camboriú
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Fauna marinha de Balneário Camboriú se destaca com a pesca da tainha: raias ‘inéditas’ apareceram neste ano

A pesca da tainha é um momento muito esperado pelos pescadores de Balneário Camboriú, mas também é pela bióloga Ingrid Hyrycena dos Santos, que trabalha diretamente na Praia Central da cidade há seis anos, através do Projeto Tubarão, que tem como objetivo levar informações da vida marinha, especialmente sobre tubarões e raias para o maior número de pessoas possível.

Ingrid trabalha diretamente com os pescadores na Praia Central durante o ano todo há seis anos, mas na safra da tainha o contato aumenta, já que ficam durante todo o dia na praia.

Quando são capturados tubarões ou raias, Ingrid presta os cuidados necessários e os devolve ao mar, e quando estão sem vida, viram material de estudo.

“Na pesca da tainha o trabalho é melhor porque temos o rancho de apoio, porque durante o ano todo acabo tendo sempre que carregar meus equipamentos quando vou para a praia, e na safra da tainha acabo ficando o dia todo com eles [pescadores], da manhã até a noite. Já é uma relação de família. Neste ano estou ficando mais com o pessoal do Rancho da Selma, na Rua 4.100, e com o Rancho dos Rapazes, na 2.700, mas antes ficava no Rancho do Luiz, na 3.600 e antes do Rancho dos Rapazes trabalhava com o Balthazar, antigo proprietário do ponto. Mas onde tem pesca, saio e vou acompanhar”, explica.

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A bióloga sempre trabalha na Praia Central, mas de vez em quando vai também em Taquaras, e já visitou outras praias como Estaleirinho e Pinho.

Um recém nascido (deveria ter uns 2-3 meses) de tubarão-martelo (Sphyrna lewini) (Divulgação)

“No caso dos tubarões, que gostam de chamar de cação, mas independente do tamanho é tubarão, eles deram uma desaparecida bem forte depois de 2018. Antes vinha bastante nas redes, hoje é mais raro. Eles vêm mais novembro/dezembro e são os filhotes, espécies menores, tanto que o avistamento perto do molhe foi do meu pai, que já foi marinheiro e reconheceu”, diz.

Já no caso das raias, elas também vinham muito mais para Balneário Camboriú antes do alargamento da faixa de areia, segundo Ingrid, e ‘deram uma sumida’ por conta dos alimentos que foram cobertos pela areia da dragagem [as raias se alimentam dos famosos berbigões], mas continuam nas partes profundas.

“Agora que deu estabilizada, após o alargamento, estão vindo mais – antes eram três espécies que vinham bastante e agora tem uma diversidade maior. Todas que aparecem, são soltas. Inclusive, a maioria que vem são espécies ameaçadas de extinção, a nossa área é bem importante para elas. Os pescadores já sabem identificar quais que têm que soltar. Eles só podem pegar, se quiserem, duas espécies, mas eles nem fazem questão mais. Tem pescador que já falou que parou de comer raia por causa de mim. Eu fico muito feliz por isso, porque não faz sentido, não é objetivo da pesca deles. As raias vêm na rede porque estão convivendo com outras espécies, então são liberadas”, acrescenta Ingrid.

Uma espécie que chamou a atenção e que surgiu neste ano foi a Aetobatus narinari, popularmente conhecida como arraia-pintada, que Ingrid nunca tinha visto nos seis anos que trabalha na Praia Central – e somente nesta safra ela já apareceu duas vezes (porém, a bióloga não sabe se é o mesmo animal).

“Ela aparece mais em Floripa, no Paraná, e bastante em SP. A que apareceu aqui, em 1 de maio, era de tamanho bebê, quase recém-nascida. Tem muita gente que fala que a praia é poluída, mas não tem noção da diversidade de espécies de raias, tubarões, e até peixes que temos aqui. Temos que investir mais no estudo da fauna marinha, pois se desaparecer uma espécie muita gente nem vai saber. Por isso, estou desenvolvendo um projeto, que faz parte de um projeto maior chamado ICONIC Oceans, que envolve mais quatro países (Nigéria, Sri Lanka, Índia, EUA) de várias universidades e instituições, e aqui no Brasil sou a coordenadora”, explica.

Raia-ticonha (Rhinoptera bonasus) (Foto Divulgação)

Ingrid está buscando fazer estudos para entender melhor a fauna marinha de Balneário Camboriú e por isso precisa do apoio da iniciativa privada/patrocinadores.

A pesca a auxilia porque ela consegue ter um acesso maior aos animais. Diante disso, ela vê o quanto a safra da tainha na Praia Central deste ano foi afetada pela presença indevida de lanchas e jet skis.

“Atrapalham os animais, afugentam cardumes. Se os pescadores não conseguem pescar tainha eu também não consigo trabalhar, porque não vão jogar rede só para pegar raia. Eu comprei drone para monitorar os cardumes e também embarcações. Se a gente não junta provas para contestar promessas que foram feitas, ninguém acredita no que vivemos [saiba mais aqui]”, completa.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Ingrid, basta acessar instagram.com/projetotubarao ou o E-mail [email protected]


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